BYD: ofensiva em mercados externos como o Brasil dá impulso a resultado global

Lucro da empresa líder em carros elétricos e híbridos subiu 14% no primeiro semestre, para cerca de US$ 2,2 bilhões, enquanto vendas avançaram 23%, para US$ 52 bilhões; guerra de preços na China ainda é uma preocupação no setor

Concessionária da BYD na China: guerra de preços segue como preocupação entre analistas e o governo, além de algumas marcas
Por Bloomberg News
29 de Agosto, 2025 | 01:04 PM

Bloomberg — O lucro da BYD aumentou 14% no primeiro semestre com impulso da forte demanda por seus veículos elétricos e de uma agressiva expansão internacional, à medida que a empresa busca se livrar dos ventos contrários no seu mercado domésticos da China.

O lucro líquido totalizou 15,5 bilhões de yuans (US$ 2,2 bilhões) nos seis meses encerrados em 30 de junho, informou a montadora em um documento divulgado na sexta-feira (29).

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A receita subiu 23%, para 371,3 bilhões de yuans (cerca de US$ 52 bilhões), segundo a empresa.

O forte início de ano da BYD agora cede lugar a um segundo semestre mais desafiador.

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Os grandes descontos concedidos pela montadora no fim de maio a colocaram no centro de um “acerto de contas” do setor, uma vez que Pequim busca acabar com os cortes de preços implacáveis que, segundo o governo, prejudicam o valor da marca e pressionam financeiramente até mesmo as empresas bem capitalizadas.

Até agora, a campanha teve efeito limitado: as principais marcas de automóveis, incluindo a própria BYD, têm mantido os descontos “intactos”, ampliado ou reduzido apenas ligeiramente em julho.

Isso colocou o setor em alerta e deixou as montadoras em busca de atingir sua meta anual de vendas sem uma das armas mais potentes de seu arsenal.

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A BYD, atualmente a maior fabricante de veículos elétricos do mundo, vendeu um total de 2,15 milhões de veículos - incluindo modelos elétricos a bateria e híbridos plug-in - no primeiro semestre, um aumento de 33% em relação ao ano anterior.

Isso representa menos da metade de sua meta anual de 5,5 milhões de unidades.

A montadora também observou o que classificou como uma mudança notável no mercado doméstico no segundo trimestre.

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Enquanto os veículos elétricos a bateria continuaram a apresentar um forte crescimento, as vendas de híbridos diminuíram em relação ao ano anterior.

Isso fez com que o impulso internacional da BYD se tornasse cada vez mais importante.

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No Brasil, as vendas cresceram 46% no primeiro semestre, de acordo com dados da entidade que reúne importadoras, a Abeifa.

A unidade tailandesa da empresa exportou carros elétricos para a Europa pela primeira vez, inclusive para Reino Unido, Alemanha e Bélgica, de acordo com a agência de notícias Xinhua.

Apesar dos desafios da BYD, analistas estão otimistas com as perspectivas da empresa.

Os números de vendas mais baixos em julho foram devidos à demanda doméstica mais fraca na baixa temporada de verão.

A BYD tem priorizado a normalização dos estoques, bem como uma disciplina de preços mais rígida, escreveram os analistas do HSBC liderados por Yuqian Ding em uma nota.

Essas ações, embora pressionem temporariamente os volumes de vendas, devem trazer benefícios de longo prazo e apoiar uma expansão de margem mais sustentável no futuro, escreveram eles.

-- Com a colaboração de Foster Wong.

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