Bloomberg Línea — A N5X, que atua como uma espécie de bolsa de energia no Brasil, submeteu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ao Banco Central o pedido de autorização para operar uma clearing voltada ao setor.
A solicitação foi protocolada no dia 19 de janeiro, segundo informou a empresa nesta terça-feira (10), e marca uma nova etapa no esforço da N5X de estruturar um mercado organizado para negociação e registro de derivativos de energia no país.
Atualmente, a N5X atua como plataforma de negociação multilateral e registro de contratos de energia no mercado livre e tem entre seus clientes a Axia Energia (AXIA3) – ex-Eletrobras.
A empresa é uma joint venture formada pela L4 Venture Builder, fundo independente com capital da B3, e pela Nodal Brazil, que integra o grupo europeu EEX (European Energy Exchange), uma das principais bolsas globais de energia.
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Como uma clearing, a empresa poderia oferecer uma infraestrutura que se interpõe entre compradores e vendedores em uma negociação de energia, tornando-se a contraparte da transação.
O modelo permite centralizar a compensação e a liquidação das operações, além da gestão de garantias e chamadas de margem, reduzindo o risco de crédito entre os participantes.
No caso do projeto da N5X, a clearing teria atuação específica em contratos futuros de energia elétrica, com liquidação financeira e possibilidade de entrega simbólica para agentes do setor elétrico.
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A iniciativa ocorre em um contexto de ampliação do mercado livre de energia, que já responde por cerca de 46% do consumo nacional e deve avançar com a abertura total prevista em lei até 2028.
A N5X estima que, já nos primeiros anos de operação com contraparte central, o mercado brasileiro possa atingir mais de 1.000 terawatts-hora (TWh) negociados anualmente em contratos futuros de energia.
De acordo com a empresa, esse volume reflete o potencial de crescimento da negociação padronizada de derivativos no país, em linha com mercados internacionais mais desenvolvidos.
Segundo a empresa, o modelo proposto permitirá a negociação de contratos futuros para os quatro submercados do Sistema Interligado Nacional – Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte – por agentes do setor elétrico e participantes do mercado financeiro.
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