Bloomberg Línea — A Azul (AZUL4) encerrou seu processo de reestruturação financeira sob o Chapter 11 da lei americana de falências com dois movimentos relevantes no quadro societário. A United Airlines, parceira de longa data, aportou US$ 100 milhões na conclusão do processo. Já a American Airlines formalizou compromisso de investir outros US$ 100 milhões, sujeito à aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
O plano de reorganização havia sido aprovado pela Justiça dos Estados Unidos em 19 de dezembro de 2025 e entrou em vigor agora. A companhia levou menos de nove meses para concluir o processo.
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O CEO da Azul, John Rodgerson, disse que a companhia encerrou o processo de reestruturação financeira com alavancagem de 2,4 vezes, o menor nível da história da empresa e melhor do que o registrado antes da pandemia.
Ele confirmou a entrada da United Airlines como sócia e anunciou investimento da American Airlines.
“Foi um processo difícil que durou quase nove meses, mas nós fizemos em tempo recorde uma grande limpeza do nosso balanço. Também temos novos parceiros entrando. United, que era sócio da Azul há muito tempo, e também American Airlines, vai investir também na Azul aqui em breve”, afirmou o executivo em vídeo no LinkedIn, na noite de sexta-feira (20).
Para o executivo, a reestruturação posiciona a companhia para retomar o crescimento com foco em segurança e pontualidade.
“Isso mostra que a Azul agora está pronta para crescer. No ano passado, nós transportamos 33 milhões de clientes. Neste ano, vamos transportar ainda mais”, disse o CEO.
Em fato relevante, a Azul informou que seu conselho aprovou a emissão de bônus de subscrição à American Airlines, à United Airlines e a credores quirografários (sem garantia real). A American poderá subscrever até 4,86 trilhões de ações ordinárias, sujeito ao Cade.
A United terá direito a 1,21 trilhão de papéis e os credores, a 1,23 trilhão. O prazo para exercício do direito de preferência começa na segunda-feira (23) e dura 30 dias. O conselho também elegeu os membros do Comitê Estratégico: Jonathan Zinman, James Grant, Patrick Quayle, John Slattery e John Rodgerson, com Jeff Ogar como suplente.
Na segunda-feira (23), executivos da Azul falarão sobre a conclusão do processo de saída do Chapter 11 em entrevista coletiva.
Reforço do balanço
O ponto central da operação foi o reforço do balanço. A Azul captou US$ 850 milhões em novos investimentos em ações ao encerrar o processo, incluindo os US$ 100 milhões da United. A companhia também emitiu US$ 1,375 bilhão em novos títulos de saída. Com isso, reduziu em mais de 50% os juros anuais pagos sobre empréstimos e financiamentos.
“Agora nós temos o melhor balanço do Brasil. Nunca na história da Azul éramos tão desalavancados como nós estamos neste momento”, reforçou o CEO.
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A dívida total de empréstimos e arrendamentos caiu aproximadamente US$ 2,5 bilhões em relação ao período anterior ao início do processo. Só a dívida de arrendamento de aeronaves recuou 36%. Os custos de locação caíram cerca de um terço, sem redução da capacidade operacional.
A reestruturação contou com o suporte dos detentores de títulos da Azul e da AerCap, maior arrendadora de aeronaves da companhia. Outros arrendadores, fabricantes e fornecedores também participaram do acordo.
Do lado jurídico, a Azul contou com Davis Polk & Wardwell, White & Case e Pinheiro Neto Advogados. A FTI Consulting atuou como consultora financeira. O banco de investimentos responsável pela operação foi a Guggenheim Securities. A SkyWorks Capital assessorou na parte de frota.
Terceira no ranking de 2025
Em janeiro de 2026, a Azul registrou 28,3% de participação no mercado doméstico, segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) medidos em RPK (passageiros-quilômetro). Ficou em terceiro lugar. A Latam liderou com 38,6%, seguida pela Gol com 33,1%.
Em relação a janeiro de 2025, a Azul cresceu 2,3% em demanda, o menor ritmo entre as três principais companhias. A Gol teve o maior avanço no período, com alta de 17,6%, enquanto a Latam cresceu 12,6%. O mercado doméstico total expandiu 10,6% na comparação anual.
A companhia opera em mais de 130 cidades, com 250 rotas e uma frota de aproximadamente 175 aeronaves e costuma destacar sua maior capilaridade em relação à concorrência, explorando rotas regionais, por ter maior número de destinos nacionais e atender cidades de médio e pequeno porte.
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