Bloomberg Línea — Executivos da Petrobras (PETR3, PETR4) disseram nesta sexta-feira (28) que o foco dos investimentos da companhia nos próximos cinco anos segue primordialmente no desenvolvimento de petróleo e gás, embora isso ocorra no contexto da transição energética, com destaque para bioprodutos.
A estatal anunciou na noite de quinta-feira (28) investimentos da ordem de US$ 109 bilhões para o período de 2026 a 2030, sendo US$ 91 bilhões para projetos em implantação e US$ 18 bilhões para aqueles em estágio de avaliação.
Do total previsto, mais de 75% serão destinados ao segmento de exploração & produção (E&P).
“Nesse quinquênio, nossos investimentos em transição energética vão ter mais foco em bioprodutos. Estamos de olho especialmente no etanol e biodiesel, além do diesel renovável, que tem 10% de conteúdo renovável”, disse a CEO da Petrobras, Magda Chambriard, a jornalistas.
Ela acrescentou que nessa parcela de conteúdo renovável, a redução de emissões do diesel chega a 87%.
De acordo com a diretora executiva de transição energética e sustentabilidade da Petrobras, Angélica Laureano, houve uma redução nos investimentos para energias de baixo carbono (eólica onshore e solar), de US$ 4,7 bilhões no plano anterior, para US$ 1,7 bilhão de 2026 a 2030.
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Um dos fatores que levaram a companhia a tomar essa decisão é o chamado “curtailment”, corte forçado da geração de energia, de todos os tipos, devido a limitações de rede de transmissão ou excesso de oferta, fenômeno que ocorre já há algum tempo no país. “Hoje, estamos com excesso de energia renovável”, disse Laureano.
Ela reforçou, contudo, que a estatal deve priorizar os bioprodutos. “Vamos deixar as energias eólica e solar um pouco mais para o final do horizonte do nosso plano.”
O plano de 2026-2030 prevê capex da ordem de US$ 4,8 bilhões para os chamados bioprodutos, sendo US$ 2,2 bilhões para etanol, biorrefino (US$ 1,5 bilhão) e biodiesel e biometano (US$ 1,1 bilhão). O programa projeta ainda US$ 4,3 bilhões em investimentos para mitigação de emissões (escopos 1 e 2) no período.
“O etanol está dentro da lista de nossas prioridades. Estamos negociando com diversos players do mercado e provavelmente teremos, em 2026, algum anúncio, mas ainda não podemos falar”, salientou Laureano.
Chambriard disse que, durante as discussões para tratar do novo plano de negócios, a Petrobras levou em consideração diferentes visões de estratégia de crescimento nas próximas décadas, incluindo adaptações da companhia a cenários mais rígidos de preço de petróleo. “Trazemos isso com uma disciplina fiscal muito grande”, afirmou.
A executiva traçou um paralelo do atual momento da empresa com o período de desenvolvimento da produção de petróleo na camada pré-sal, há cerca de 15 anos.
“Todo mundo achava que não seria possível, que o Brasil não tinha tecnologia e que o pré-sal seria um fracasso. O que fizemos foi embarcar muita tecnologia, estudar e resolver problemas de engenharia”, disse Chambriard. “Hoje, [a companhia tem] um pré-sal com custo inferior a US$ 6 por barril na carteira média da Petrobras”, acrescentou.
Em sua avaliação, o objetivo da estatal é repetir o feito do pré-sal na direção da transição energética justa. “Porque esta é uma demanda da sociedade. Um empresa que se preze atende às demandas da sociedade.”
Segundo Chambriard, os primeiros 72 anos de história da companhia foram dedicados à produção de petróleo e segurança energética. “Estamos diante dos primeiros cinco anos dos próximos 72 anos da Petrobras.”
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