Após perder a confiança do mercado, Novo corre para provar que há vida além do Ozempic

Com patentes importantes perto do vencimento e pressão sobre as ações, farmacêutica admite ter entregue menos resultados do que o prometido e aposta em novos medicamentos e expansão para tratamento de outras doenças, disse o CEO Mike Doustdar à Bloomberg TV

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Bloomberg — O CEO da Novo, Mike Doustdar, afirmou que a empresa precisa se empenhar mais para conquistar a confiança dos investidores, uma vez que a fabricante do Ozempic enfrenta uma expiração em massa de patentes de seus principais medicamentos no início da próxima década.

“O que aprendemos nos últimos dois anos é que prometer mais do que se cumpre leva à perda de confiança muito rapidamente”, disse Doustdar em entrevista à Bloomberg TV na terça-feira (22). Os investidores “querem saber o que vai acontecer a seguir”.

As ações da Novo caíram na segunda-feira, pois o “dia do mercado de capitais” da farmacêutica dinamarquesa deixou os investidores decepcionados com a falta de detalhes sobre seu plano de recuperação.

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A Novo enfrenta o vencimento das patentes nos EUA e na Europa para o Ozempic e o Wegovy, uma linha de produtos que atualmente responde por cerca de três quartos de suas vendas.

As ações caíram até 1,3% no início do pregão em Copenhague nesta terça-feira.

A Novo prometeu mais de cinco novos medicamentos de grande sucesso até 2030 e mais de US$ 23 bilhões em novas vendas até 2035. Essas metas foram amplamente consideradas como já estando em linha com as expectativas dos investidores.

Doustdar afirmou que vê maior potencial para a aquisição de ativos externos em áreas relacionadas à obesidade, como doenças cardiovasculares, depois que seu medicamento experimental ziltivekimab não conseguiu reduzir o risco de ataques cardíacos em um estudo realizado este ano.

“Acabamos de sofrer um revés em um de nossos próprios ativos”, disse o CEO, acrescentando que a Novo está avaliando se pode preencher essa lacuna por meio de fontes externas.

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No que diz respeito à obesidade, Doustdar afirmou que não vê muitos ativos com bom potencial disponíveis fora da empresa.

Doustdar reconheceu que os investidores desejam ver os resultados dos ensaios clínicos da próxima geração de medicamentos da empresa, como o CagriSema, que, segundo a previsão do CEO, será um dos melhores lançamentos da empresa no próximo ano.

No entanto, os investidores têm baixas expectativas em relação ao CagriSema, depois que o medicamento ficou aquém da perda de peso alcançada pelo Zepbound, da Eli Lilly, em um ensaio clínico realizado no início deste ano.

“A Novo continua sendo um caso em que é preciso provar o valor”, afirmou o analista Evan Seigerman, da BMO Capital Markets, em uma nota após a apresentação da Novo na segunda-feira. Os investidores precisam de maior visibilidade sobre os medicamentos de próxima geração da empresa e sobre o potencial de aceitação comercial para “reconstituir a confiança”, escreveu ele.

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Analistas também questionaram o foco da Novo na obesidade, especialmente porque a Lilly expandiu seu portfólio para outras áreas não relacionadas, como a neurociência.

O portfólio da Novo “continua fortemente vinculado ao cenário da obesidade, o que consideramos arriscado, à medida que a semaglutida se aproxima do fim de sua exclusividade e a concorrência se intensifica”, afirmou o analista Michael Leuchten, da Jefferies, em uma nota.

Contra a queda de cabelo

A Novo também está de olho no mercado de produtos para queda de cabelo, à medida que busca expandir seus negócios de medicamentos vendidos diretamente ao consumidor.

Essa condição faz parte de uma lista de áreas — incluindo dependência química e menopausa — nas quais a Novo vê um potencial de sobreposição com sua expertise científica principal ou com a experiência que vem desenvolvendo recentemente na venda direta de medicamentos prescritos ao consumidor.

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Parte da pesquisa científica atualmente em andamento para o tratamento da queda de cabelo tem origem na endocrinologia, o ramo da medicina voltado para os hormônios, um campo no qual a Novo possui uma longa trajetória, afirmou o diretor científico Martin Lange em uma mesa redonda da Bloomberg na terça-feira.

“Poderíamos aproveitar nosso conhecimento científico para, potencialmente, ingressar nesse segmento”, disse Lange. “Não é necessariamente o que buscaremos em primeiro lugar, mas essa seria uma possibilidade clara.”

A farmacêutica pretende se concentrar em áreas nas quais sua expertise na venda direta aos consumidores — como vem fazendo cada vez mais com medicamentos para perda de peso — lhe daria uma oportunidade de “ter sucesso”, afirmou Doustdar.

A empresa também está buscando novos tratamentos potenciais para doenças cardíacas, hepáticas e do sangue, e afirmou que analisará tanto aquisições complementares quanto acelerará o desenvolvimento de seu portfólio interno de medicamentos.

A entrada da Novo no segmento de queda de cabelo pode levar algum tempo. A condição não consta da lista das oito doenças para as quais Lange prevê levar novos tratamentos para ensaios clínicos de fase intermediária até o final deste ano ou início do próximo.

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