Americanas acerta venda de 10 lojas do Natural da Terra à dona da Oba por R$ 69,3 mi

Operação deficitária da rede de hortifrúti em São Paulo passa ao Grupo Fartura por valor que equivale a 3,3% do que a varejista desembolsou em 2021 pelo ativo inteiro; Cade ainda precisa aprovar a transação para ser concluída

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Bloomberg Línea — A Americanas (AMER3) acertou a venda de dez lojas deficitárias da rede Hortifruti Natural da Terra (HNT) ao Grupo Fartura de Hortifrut, dono da bandeira Oba Hortifruti, por R$ 69,3 milhões. Todas as unidades operam no estado de São Paulo, segundo comunicado ao mercado divulgado nesta quarta-feira (13).

A cifra a ser paga pelas dez unidades paulistas equivale a cerca de 3,3% dos R$ 2,1 bilhões que a varejista desembolsou em 2021 para adquirir a rede inteira, então com 73 lojas no Sudeste, uma operação fechada sob a gestão de Miguel Gutierrez.

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O HNT virou um dos principais alvos de desinvestimento após a revelação das “inconsistências contábeis” de R$ 25,3 bilhões em janeiro de 2023, que levaram a companhia à recuperação judicial.

A alienação está prevista no plano de recuperação homologado em 2024 e condicionada à aprovação prévia do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

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O Oba pagará R$ 10,4 milhões à vista no fechamento e o saldo restante em 24 parcelas mensais iguais, corrigidas pela variação positiva do CDI. A transferência dos ativos ocorrerá de forma gradual, à medida que as condições precedentes forem cumpridas, e o valor está sujeito a ajustes contratuais.

Ações da Americanas (AMER3)

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A venda integral do HNT vinha sendo conduzida em paralelo, em processo de market sounding com cinco interessados, a chilena Cencosud, o carioca Zona Sul, o próprio Oba, a gestora americana Advent e a Plurix, ligada ao Pátria.

Em 20 de novembro de 2025, a Americanas negou compromisso de exclusividade com qualquer dos candidatos, após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo atribuir negociação avançada à rede chilena.

Em entrevista à Bloomberg Línea em abril, o CEO Fernando Soares afirmou que a companhia não tinha pressa para fechar a venda integral: “Não temos preço absoluto para vender. Temos tempo. Se vier uma proposta boa, vamos considerar, mas se vier abaixo do esperado, vamos preferir continuar a conversa”, disse na ocasião.

O acordo desta quarta-feira sinaliza que o desinvestimento pode avançar de forma fatiada, e não em transação única. No comunicado, a Americanas afirma que o contrato foi celebrado “no curso normal dos negócios” e em condições alinhadas à continuidade das atividades.

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A varejista segue avaliando “oportunidades estratégicas” para o portfólio, sem detalhar prazos para a conclusão da venda do restante do HNT.

Para o Grupo Fartura, controlado pelos fundadores Carlos Roberto Alves e Raimundo Desidério Caetano, o negócio adensa a presença em São Paulo, onde a rede opera mais de 20 lojas.

Comandada pelo CEO Alex Brito, a companhia encerrou 2025 com mais de 70 unidades em São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

A empresa tentou abrir capital em 2020, mas a oferta foi arquivada. Em 2025, a gestora Crescera Capital, detentora de cerca de 30% do grupo, notificou o Cade da intenção de vender sua participação de volta aos fundadores.

Prejuízo recua, margem avança, dívida pesa

A transação é anunciada no dia em que a Americanas, a caminho da saída da recuperação judicial prevista para até julho, reportou prejuízo líquido de R$ 329 milhões no primeiro trimestre, queda de 34% na comparação anual.

A companhia atribui parte do recuo do prejuízo ao calendário da Páscoa, que neste ano antecipou vendas e margem para março e inflou a base do primeiro trimestre. Em 2025, o evento caiu em abril, fora da janela comparada.

O resultado também consolida corte de despesas administrativas e desinvestimento em ativos não-core.

A margem bruta da operação central (varejo físico e entregas a partir de loja) subiu 1,4 ponto na comparação anual, sinalizando ganho de rentabilidade no negócio que a Americanas vem priorizando.

Já a margem consolidada, pressionada pelo desempenho das demais subsidiárias em desinvestimento, entre elas Puket e Imaginarium, recuou 0,8 ponto.

As vendas em mesmas lojas cresceram 3,4 pontos acima da inflação no acumulado de quatro meses, com 83% das unidades superavitárias e o canal digital deixando de consumir caixa. A dívida líquida ajustada, somados os passivos da recuperação judicial, atinge R$ 756 milhões.

Nesta quinta-feira (14), o CEO e o CFO Sebastien Durchon participam de uma teleconferência com investidores sobre o resultado financeiro do primeiro trimestre.

-Texto atualizado às 22h25 para incluir dados do balanço trimestral

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