Bloomberg Línea — O banco espanhol Santander anunciou na terça-feira (3) um deal de peso para reforçar a sua presença no mercado dos Estados Unidos.
Em meio a especulações de mercado sobre um hipotético fechamento de capital da subsidiária no Brasil, o Santander comprou o banco americano Webster Financial por US$ 12,2 bilhões – operação que posicionará o Santander entre os dez maiores bancos dos Estados Unidos.
O CEO do Santander Brasil (SANB11), Mario Leão, disse que a ambição renovada do grupo nos EUA não tira protagonismo do Brasil para a estratégia global.
“O Brasil não perde em nada sua relevância – diria que aumenta. [A operação no país] é uma das maiores geradoras de capital do grupo, então, de certa forma, também está financiando essa capacidade do grupo de crescer nos EUA", afirmou Leão a jornalistas nesta quarta-feira (4), em entrevista coletiva para comentar os resultados trimestrais do banco.
Atualmente o Brasil mantém o status de maior operação do grupo em grande parte das métricas financeiras. Uma das exceções é o lucro, que tem sido maior na matriz espanhola, acompanhando a força do euro versus o real.
Leia mais: C6 já antevê devolver capital a acionistas e ‘conversa chata’ daqui para frente
“A Espanha hoje gera resultado maior em lucro, o que é mais mérito deles que demérito nosso”, afirmou Leão, que destacou que não há competição interna por resultados.
“Estamos trabalhando para entregar a melhor versão do Santander Brasil, e se ela puder ser a maior do grupo, tanto melhor. Até acho que pode acontecer em alguns anos, mas sem ser contra Espanha ou Estados Unidos, trabalhamos pela soma de tudo isso.”
Questionado sobre a possibilidade de uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) que poderia tirar a subsidiária da bolsa brasileira, Leão afirmou que se trata de especulação.
“Essa não é uma pauta da nossa gestão. Nossa responsabilidade é crescer e gerar capital para o grupo. O Santander Brasil precisa continuar a crescer para que o grupo cresça.”
Leia também: Santander Brasil tem lucro em linha com projeção no 4º tri e rentabilidade de 17,6%
‘De-risking’ em 2026
A retomada do peso global do Santander acompanha a estratégia de “de-risking" do banco, que vem buscando diminuir a exposição a risco da operação desde o fim de 2021.
Leão estimou que a organização esteja na fase final desse processo, que envolveu um reforço em segmentos estratégicos como o de alta renda e o de pequenas e médias empresas, e a redução da exposição a outros mais arriscados, como a baixa renda.
O Santander não abre dados sobre a proporção entre esses segmentos na carteira de crédito.
Leão disse apenas que o Santander deve encerrar este ano com um mix mais saudável de crédito e próximo do patamar ideal buscado pelo banco.
“Não eliminamos portfólio [de crédito]. Fazemos gestão para – na margem – gerar portfólios mais saudáveis enquanto gerenciamos o estoque e reduzimos o portfólio que não é bom historicamente. É algo que deixa o agregado mais saudável, mas leva tempo".
Uma das principais métricas perseguidas pelo Santander é a retomada do patamar de 20% do ROE (Return on Equity), principal indicador de rentabilidade dos bancos.
O indicador ficou em 17,6% no quarto trimestre de 2025 – e Leão já adiantou que não a meta não será alcançada em 2026, embora se mostre otimista com a evolução do indicador.
“Estamos enxergando no horizonte da operação o momento em que tocamos esse patamar de 20% de forma cada vez mais concreta. E já estamos nos preparando para mirar em um ROE de 22% a 23% – um objetivo mais perto do final", afirmou.
O Santander foi o primeiro dos grandes bancos que operam no Brasil a apresentar seu balanço de 2025 e registrou lucro líquido gerencial de R$ 4,086 bilhões no quarto trimestre de 2025 – dentro da expectativa de R$ 4,09 bilhões estimada pelo consenso de analistas consultados pela Bloomberg.
Após a divulgação dos resultados, as units do banco recuam perto de 2,50% por volta das 14h30. No ano, os papéis ainda acumulam alta de 4,00%.
Leia mais
Santander Brasil tem lucro de € 579 milhões no quarto trimestre, diz matriz espanhola
De uso de IA a jornada híbrida: como o Itaú se adapta a novos modelos, segundo diretor









