Bloomberg — O acordo do BTG Pactual para comprar o Digimais, um banco brasileiro em dificuldades e que precisa de capital, conta com o apoio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), segundo pessoas familiarizadas com o assunto que falaram com a Bloomberg News.
De acordo com comunicado divulgado nesta quarta-feira (8), o BTG Pactual assinou documentos vinculantes para adquirir uma participação majoritária no Digimais, sujeita a um processo competitivo e a aprovações regulatórias.
O Digimais tem até R$ 9,1 bilhões em depósitos à vista e a prazo que poderiam precisar ser cobertos pelo FGC em caso de liquidação, de acordo com as demonstrações financeiras de 2025 do banco.
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O FGC planeja estender os prazos das dívidas que o Digimais tem com o fundo, caso seja necessário, disseram as pessoas, que pediram anonimato por tratarem de assuntos privados.
Não se espera aporte de novos recursos por parte do fundo garantidor, segundo essas fontes.
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Pelos termos do acordo com o BTG, o atual acionista Edir Macedo faria uma nova injeção de capital, disseram as pessoas, sem detalhar o valor.
Macedo aportou R$ 250 milhões no ano passado para que o banco cumprisse os requisitos de capital do Banco Central, de acordo com as demonstrações financeiras.
Segundo uma nova regra do FGC, a venda do Digimais será levada a leilão, e a proposta do BTG será usada como “stalking horse” — um ponto de partida para verificar se outro banco apresenta uma oferta melhor, disseram as fontes.
O FGC planeja financiar a aquisição pelo BTG porque isso ajuda o fundo a reduzir o ônus que teria em caso de liquidação do Digimais, acrescentaram.
Digimais, BTG, FGC e Edir Macedo não comentaram.
O Valor Econômico informou anteriormente que o BTG assinou um acordo para comprar o Digimais, com injeção de capital de Macedo, sem especificar a origem da informação nem se o FGC financiaria a operação.
O Digimais enfrenta perdas crescentes e disputas judiciais com clientes, e o Banco Central e o FGC tentam encontrar uma solução para o banco há anos. O Nubank chegou a avaliar a compra, segundo informou a Bloomberg News em dezembro.
Mauricio Quadrado, ex-sócio do Banco Master, que foi liquidado no ano passado, quase comprou o Digimais, segundo a imprensa local.
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