Bloomberg — Os acionistas da Vale elegeram Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira como presidente do conselho de administração nesta quarta-feira (22), encerrando semanas de turbulência após um dos maiores investidores da mineradora brasileira solicitar a reformulação da liderança da empresa.
Oliveira, um especialista em finanças corporativas de 74 anos, conhecido como Ollie, garantiu quase 2 bilhões de votos, derrotando o vice-presidente do conselho Marcelo Gasparino, com 1,1 bilhão, para completar o mandato que vai até abril de 2027. Os acionistas também escolheram a ex-executiva da BP, Ieda Gomes Yell, apoiada pelo colegiado da Vale, para preencher um assento vago. As ações da Vale ampliaram os ganhos após o anúncio do resultado.
A votação ocorreu após a renúncia de Daniel Stieler em julho, semanas depois do fundo de pensão Previ, um dos maiores acionistas da Vale e investidor considerado próximo ao governo federal, pedir uma assembleia para destituí-lo antes do término de seu mandato. A maioria do conselho se opôs à proposta, mas Stieler acabou renunciando antes que os acionistas pudessem votar sua remoção.
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A disputa expôs divisões entre os maiores investidores da Vale e reacendeu preocupações sobre a influência do governo na maior mineradora do Brasil. A Previ apoiou Ollie, conselheiro independente, enquanto Gasparino alertou que substituir Stieler fora do ciclo normal embutia um risco de interferência política. As empresas de consultoria de voto ISS e Glass Lewis divergiram em relação à eleição.
É improvável que a votação alivie as tensões no conselho da Vale até sua renovação no próximo ano. A campanha foi marcada por vazamento de mensagens do conselho e controvérsias.
A Vale descartou investir no negócio de minério de ferro do bilionário Joesley Batista depois que o jornal O Globo noticiou que Ollie havia sugerido explorar uma joint venture. Em outro caso, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está investigando as circunstâncias da renúncia do ex-presidente Daniel Stieler, após o Valor Econômico noticiar que o pedido envolvia um acordo de compensação financeira.
Ao apoiar Ollie, a Previ argumentou que um presidente independente promoveria um processo “mais transparente e imparcial” para a formação de uma lista de potenciais conselheiros em 2027. Mas investidores privados questionaram a CVM se o fundo de pensão violou as regras de governança ao indicar e votar em um candidato à presidência do conselho – o que a Vale contesta.
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Na Vale, os candidatos ao conselho são identificados, selecionados e recomendados por um comitê liderado pelo presidente do conselho. Investidores elegíveis também podem apresentar seus próprios candidatos, sendo a votção decidida em última instância pelos acionistas em assembleia anual.
Apesar da campanha acirrada, analistas do BTG Pactual afirmaram que o resultado provavelmente não alterará a estratégia operacional ou a alocação de capital da Vale, citando o risco limitado de interferência direta do governo.
Ollie tem mais de quatro décadas de experiência em finanças corporativas e estratégia, principalmente no setor de mineração, incluindo cargos de liderança na Anglo American Plc e na De Beers Consolidated Mines Ltda. Ele também integra o conselho de administração da unidade de metais básicos da Vale. Seus pares descrevem o executivo luso-britânico como sério, discreto e com foco técnico.
A disputa na Vale ocorreu após uma controversa sucessão do cargo de CEO em 2024, que também gerou alegações de influência política e um escrutínio renovado da governança na maior produtora mundial de minério de ferro.
Embora a Vale tenha sido privatizada em 1997, os investidores continuam sensíveis a sinais de influência governamental. Brasília mantém golden shares, ações especiais com direitos de veto limitados, mas o Estado pode exercer influência indireta por meio de licenças e concessões ferroviárias importantes.
--Com a colaboração de Leda Alvim.
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