Tesouro volta ao mercado global após onda de US$ 11 bi de emissões ao longo de 2025

O Brasil está retornando aos mercados internacionais de dívida após seu ano de emissões mais movimentado em mais de duas décadas.

As conversas iniciais de preço apontam para rendimentos em torno de 6,7% e 7,6%, respectivamente, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto ouvida pela Bloomberg News
Por Vinícius Andrade - Giovanna Bellotti Azevedo
09 de Fevereiro, 2026 | 01:59 PM

Bloomberg — O Brasil está retornando aos mercados internacionais de dívida após seu ano de maior emissão em mais de duas décadas.

A maior economia da América Latina está oferecendo títulos em dólar com vencimento em 2036 e reabrindo notas existentes com vencimento em 2056, de acordo com um prospecto preliminar protocolado nesta segunda-feira (9). As conversas iniciais de preço apontam para rendimentos em torno de 6,7% e 7,6%, respectivamente, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto ouvida pela Bloomberg News, que pediu para não ser identificada.

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A venda ocorre após a onda de US$ 11 bilhões de emissões realizada pelo Brasil ao longo de 2025, que marcou o maior volume anual de captações externas do país desde pelo menos 2000, segundo dados do Tesouro. HSBC, JPMorgan, Santander e SMBC Nikko estão coordenando a oferta, que deve ser precificada nesta segunda-feira.

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A operação também acontece em meio a uma enxurrada de emissões por governos de mercados emergentes que buscam se beneficiar do movimento de investidores para diversificar seus investimentos para fora dos mercados dos EUA.

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As vendas de dívida em moeda forte por soberanos emergentes somaram US$ 79 bilhões neste ano até sexta-feira, um salto de 29% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Real se valoriza com a busca dos investidores por rendimento.

A busca por rendimento nos países em desenvolvimento ajudou a impulsionar a valorização dos ativos brasileiros neste ano — o real acumula alta de mais de 5%, uma das melhores performances entre moedas de países em desenvolvimento, enquanto o índice de ações brasileiro avançou quase 14%, superando tanto o S&P 500 quanto o índice de referência de ações de mercados emergentes.

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O rali acontece antes de um período que promete ser instável para o país, às vésperas das eleições presidenciais marcadas para outubro, enquanto os investidores avaliam quem poderá se tornar o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No final do ano passado, o ex-presidente Jair Bolsonaro escolheu seu filho Flávio Bolsonaro para a disputa.

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