Bloomberg — Um forte estresse dos mercados na sexta-feira (13), com altas de mais de 40 pontos-base nos juros futuros em meio às preocupações com a guerra no Irã, gerou um desequilíbrio no mercado de juros que, segundos analistas, foi aliviada nesta segunda-feira (16) por uma série de atuações do Tesouro Nacional.
O Tesouro cancelou os leilões regulares de papéis atrelados à inflação e prefixados nesta semana e, ao mesmo tempo, realizou operações de compra e venda de títulos fora do cronograma.
Após informar que comprou 14,8 milhões de LTN e 2,45 milhões de NTN-F, títulos prefixados, em uma primeira leva de leilões, o Tesouro disse que também arrematou outros 3,55 milhões de NTN-B, papéis ligados à inflação. Além disso, vendeu 150.000 de NTN-B.
O movimento da instituição se deu depois que os juros futuros tiveram sessão de forte estresse na sexta-feira, disparando mais de 40 pontos-base em um contexto de avanço dos preços do petróleo com o conflito no Oriente Médio — o que levou os operadores a reduzirem de forma generalizada as apostas em corte de juros pelo Banco Central nesta quarta. Naquele dia, os agentes de mercado relataram uma série de ‘stop-loss’ — mecanismos que busca limitar as perdas de participantes de mercado — de posições na curva.
Após os leilões, as taxas das LTN com vencimento para 2028 afundam 35 pontos e as NTN-F que vencem em 2031 despencam cerca de 40 pontos. Já os juros reais das NTN-B para 2028 cedem 20 pontos.
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A última vez em que o Tesouro havia feito uma operação de recompra de títulos foi em dezembro de 2024, informou o órgão. Naquele mês, os juros futuros e o dólar dispararam diante de fortes receios relacionados à dinâmica fiscal envolvendo o anúncio do projeto de isenção do Imposto de Renda.
“O Tesouro já atuou dessa forma em outros momentos de estresse”, disse Guilherme Rodrigues, gestor de renda fixa na Kinea Investimentos. O cancelamento de ofertas e a realização de operações de recompra “ajudam o mercado a encontrar um preço justo em um movimento de forte aversão a risco”, disse Rodrigues.
Para Vinicius Alves, estrategista da Tullett Prebon, a atuação do Tesouro Nacional se relaciona à volatilidade do mercado. Segundo ele, os ‘stop-loss’ na sexta “indicaram a necessidade de prover maior liquidez no mercado”.
“Sem dúvidas” a atuação do Tesouro é o principal motivo para a queda dos juros futuros locais, disse Alves, adicionando que o ambiente externo também está mais benigno nesta sessão com a queda dos juros ao redor do mundo com alívio visto também nos preços do barril do petróleo.
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Os ‘stop-loss’ acionados na sessão passada criaram “uma situação de desequilíbrio no mercado, excesso de oferta sem compradores”, disse Luis Felipe Vital, chefe de estratégia macro e dívida pública da Warren Investimentos. Com a operação de recompra, o mercado se reequilibra, “com o Tesouro absorvendo o excesso de vendas”.
“A situação do mercado não foi criada pelo Tesouro, mas ele conseguiu ajudar a desatar esse nó”, completou Vital.
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