Bloomberg — Enquanto o presidente argentino Javier Milei se reúne com investidores em Nova York em uma tentativa de atrair interesse para a história de recuperação da Argentina, o ímpeto por trás dos títulos de dívida do país praticamente estagnou.
Apesar de todas as vitórias — seu governo mantém o controle sobre a inflação, está reconstruindo as reservas do banco central e afrouxando os controles cambiais, além de ter acabado de aprovar uma aguardada reforma trabalhista — os spreads dos títulos argentinos em relação aos rendimentos dos títulos de referência do Tesouro dos Estados Unidos ainda estão cerca do dobro do que Milei deseja. Eles caíram para uma baixa de vários anos em janeiro, mas desde então se recuperaram, com o rali perdendo força mesmo antes de o conflito com o Irã começar e abalar os mercados globais.
A ascensão de Milei ao poder e sua vitória decisiva nas eleições legislativas no final do ano passado provocaram uma enorme reprecificação do risco-país.
Mas conquistas mais recentes produziram movimentos menores.
Um problema para a Argentina, dizem alguns investidores, é que os títulos de dívida soberanos ainda estão classificados profundamente no território de grau especulativo — o que praticamente exclui um grande grupo de potenciais compradores, como fundos de pensão, seguradoras e fundos de mercados emergentes que têm limites rígidos para dívidas com classificação baixa.
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“A história do spread da Argentina já não é mais sobre a falta de boas notícias, mas sim a saturação da demanda”, disse Mauro Favini, gestor sênior na Vanguard.
“O país já é um dos trades de alta convicção mais concorridos nos mercados emergentes — mas, neste momento, os spreads têm menos a ver com as manchetes e mais com quem está autorizado a comprar os títulos”.
A dívida soberana do país tem sido elevada diversas vezes desde que Milei tomou posse em 2022, mas ainda está sete níveis abaixo do grau de investimento em todas as três principais agências de classificação de risco.
A S&P Global Ratings e a Moody’s Ratings mantêm uma perspectiva estável para a dívida (a Fitch não atribui perspectiva quando a nota é CCC+ ou inferior).
Os investidores têm observado atentamente em busca de sinais de quando a Argentina retornará aos mercados. A equipe de Milei cogitava uma venda de títulos — a primeira desde que o governo anterior deixou de honrar sua dívida em 2020 — até janeiro, mas colocou freios nos planos.
Agora, a guerra no Irã praticamente paralisou o mercado para vendas de títulos de alto rendimento, tornando uma nova emissão no curto prazo mais improvável.
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“Houve pequenos passos na direção de maior flexibilidade e, potencialmente, maior solidez de crédito”, disse Joydeep Mukherji, diretor-gerente de ratings soberanos da S&P. “Há um ciclo virtuoso que pode começar, mas ainda não o vimos — pelo menos não o suficiente para gerar mudanças”.
Autoridades do governo têm demonstrado sinais de frustração porque, apesar das grandes melhoras e aprovações legislativas, os rendimentos dos títulos não estão caindo ainda mais. O ministro da Economia, Luis Caputo, acredita que os spreads deveriam estar perto de 250 a 300 pontos-base, cerca de metade do nível atual.
“Se alguém me tivesse me dito que compraríamos a quantidade de reservas que compramos, eu jamais teria previsto que o risco-país subiria”, disse Caputo em uma conferência neste mês. Ele argumentou que os níveis atuais “não refletem totalmente os avanços alcançados”.
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A frágil posição das reservas do banco central — apesar de este ter delineado um plano para reconstruí-las — continua sendo a questão mais premente para os investidores. Há também preocupações com a desaceleração do crescimento e com a política cambial do país.
“Há simplesmente muita dívida argentina no mercado, e aqueles que já a possuem estão esperando”, disse Diego Ferro, diretor do Faro Fund, em Nova York. “Neste momento, as compras são marginais”.
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