Princípio matemático de 800 anos pode marcar o fundo do índice S&P 500

Conhecido como o nível de retração de 50% de Fibonacci, ferramenta é usada por analistas gráficos para encontrar possíveis pontos de entrada, e representa uma queda que apagaria metade dos ganhos do S&P 500 desde a mínima de abril de 2025

Jacobs Solutions Inc. signage as a trader works on the floor of the New York Stock Exchange (NYSE) in New York, US, on Monday, March 23, 2026. US stocks rallied on Monday after President Donald Trump ordered the Pentagon to hold off on military strikes against Iranian energy infrastructure, spurring a retreat in oil prices. Photographer: Michael Nagle/Bloomberg
Por Joel Leon
30 de Março, 2026 | 05:03 PM

Bloomberg — O índice S&P 500 registrou quatro semanas consecutivas de quedas e está a caminho de ter o pior mês em um ano.

Para se ter uma ideia de onde a dor pode terminar, muitos operadores de ações recorrem a um tipo de análise técnica, considerada responsável por identificar os fundos de grandes quedas do mercado, incluindo duas grandes derrocadas desde 2020.

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A má notícia para os otimistas: isso indica um longo caminho de baixa antes que o índice encontre um suporte relevante.

É conhecido como o nível de retração de 50% de Fibonacci, uma ferramenta que analistas gráficos usam para encontrar possíveis pontos de entrada com base em um princípio matemático de 800 anos.


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Neste caso, ele representa uma queda que apagaria metade dos ganhos do S&P 500 desde a mínima de abril passado até o recorde mais recente em janeiro. Isso se situa em 5.980 pontos — ou cerca de 9% abaixo do fechamento da última semana.

“Quando há uma mudança clara na tendência, existem certos níveis que os investidores observam para voltar ao mercado, especialmente operadores de curto prazo”, disse Matt Maley, estrategista-chefe de mercado da Miller Tabak + Co. “E essa retração de 50% é um que as pessoas acompanham muito de perto”.

Princípio matemático de 800 anos pode marcar o fundo do S&P 500

A análise técnica é apenas uma ferramenta para mensurar as tendências do mercado de ações e possíveis pontos de inflexão, e está longe de ser uma bola de cristal mágica.

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O S&P 500 caiu brevemente abaixo de 6.500 na semana passada e é negociado abaixo de sua média móvel de 200 dias, uma linha de tendência que muitos esperavam que servisse de suporte para interromper a queda.

A falha em fazê-lo levou analistas técnicos a buscar outros níveis potenciais em que o fundo poderia estar.

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“É fácil ver, do ponto de vista técnico, que o pior ainda não passou”, disse Doug Peta, estrategista de investimentos para os EUA da BCA Research.

“Até que o Estreito de Ormuz esteja aberto e o petróleo bruto, o GNL, os produtos refinados e os derivados estejam se movimentando por ele a uma taxa normalizada, é provável que haja pressão de alta sobre a inflação e pressão de baixa sobre o crescimento global”.

Caso o S&P 500 estenda as perdas nesta semana, o índice provavelmente se moverá em direção aos 6.200 pontos, disse Maley em uma nota recente a clientes.

O próximo suporte potencial após esse nível viria em 5.980, que marca não apenas a retração de 50% de Fibonacci, mas também a mínima do indicador em meados de junho.

A sequência de Fibonacci, que recebeu o nome do matemático italiano Leonardo Pisano, conhecido como Fibonacci, mostrou-se útil durante a turbulência do mercado desencadeada pelos anúncios das tarifas do chamado Dia da Libertação do presidente americano Donald Trump, no ano passado.

O S&P 500 encontrou suporte em 4.982,77, um nível que corresponde ao ponto médio de um rali que durou três anos, a partir de 2022.

Da mesma forma, o mercado de baixa de 2022 encontrou seu nível mais baixo próximo à retração de 50% do rali entre março de 2020 e o início de janeiro de 2022.

Princípio matemático de 800 anos pode marcar o fundo do S&P 500

Para Jonathan Krinsky, analista técnico-chefe de mercado da BTIG LLC, sinais de fraqueza no mercado de ações já estavam presentes bem antes de o conflito no Oriente Médio eclodir.

Problemas com software e crédito privado já haviam cobrado seu preço. Em relação à eficácia do nível de retração de 50% para identificar um fundo do mercado, Krinsky explica que ele é apenas “uma peça do quebra-cabeça”. Maley concorda, mas observando que são necessárias outras influências no mercado para que o indicador seja eficaz.

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Uma resolução da guerra no Irã e o fim da consequente alta nos preços da energia seriam um catalisador óbvio para ajudar o mercado a se recuperar.

Ações entraram em rali na quarta-feira, enquanto operadores avaliavam a viabilidade das negociações de cessar-fogo entre os EUA e o Irã, com o índice S&P 500 fechando em alta de 0,5%.

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