Petróleo recua e ouro sobe com maior aversão ao risco após ataque dos EUA à Venezuela

Busca por ativos considerados mais seguros impulsiona os metais preciosos, enquanto petróleo recua em meio a incertezas sobre os desdobramentos na Venezuela

NO RADAR DOS MERCADOS
05 de Janeiro, 2026 | 06:57 AM

Bloomberg — O ouro e o dólar operam em forte alta e nesta manhã de segunda-feira (5) com os investidores em busca de ativos considerados mais seguros após a tensão geopolítica com a captura de Maduro pelos EUA.

Bancos como o Goldman Sachs projetam mais ganhos para o ouro diante da maior incerteza global.

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O ouro à vista avançou mais de 2% à medida que a intervenção na Venezuela elevou os riscos geopolíticos, enquanto a prata saltou 4%.

O dólar se fortaleceu frente a todas as principais moedas. A aposta em inteligência artificial impulsionou ações na Ásia e na Europa. Os futuros do Nasdaq 100 subiram 0,7%, e os do S&P 500, 0,3%.

Enquanto isso, os preços do petróleo oscilaram, sinalizando que o mercado global de petróleo está absorvendo os desdobramentos em Caracas sem grandes sobressaltos. Os Treasuries dos EUA avançaram ao longo de toda a curva.

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O dólar e o ouro estão oferecendo um refúgio para investidores que buscam proteção diante das dúvidas sobre o que os eventos do fim de semana significam para a ordem global. Ao mesmo tempo, as ações mostram pouca preocupação de que as tensões vão interromper o rali que levou os mercados globais ao maior ganho anual em oito anos.

“O impacto econômico do que aconteceu na Venezuela é pequeno demais para pesar sobre os mercados de ações”, disse Christopher Dembik, consultor sênior de investimentos da Pictet Asset Management. “Isso também vale para o petróleo: no cenário mais otimista, levará dois ou três anos para ter um impacto significativo.”

Ouro e prata ampliam maiores ganhos anuais desde 1979 | Eventos na Venezuela adicionaram novo impulsoO bom humor nas ações foi mais evidente na Ásia, onde um índice regional subiu 1,6% e atingiu um recorde. Fabricantes de chips como Samsung Electronics e Taiwan Semiconductor estiveram entre os maiores ganhadores. As ações de tecnologia também lideraram os ganhos na Europa.

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“A IA continua sendo, de longe, o fator mais dominante nos mercados neste momento”, disse Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos da Saxo Markets, à Bloomberg Television. “O otimismo com tecnologia segue superando qualquer outra narrativa nos mercados.”

O Brent, por sua vez, caiu em direção a US$ 60 o barril, atingindo o menor nível em duas semanas.

Ainda há incerteza sobre os próximos passos. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, pediu que os EUA trabalhem com seu país, adotando um tom mais conciliador em relação ao governo Trump após a indignação inicial com a captura de Maduro.

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Enquanto isso, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA precisam de “acesso total” e que empresas americanas de energia vão investir bilhões de dólares para reconstruir a deteriorada infraestrutura energética da Venezuela.

O que dizem os estrategistas da Bloomberg…

Investidores globais recebem um alerta precoce de que os riscos geopolíticos continuarão firmemente no radar. Isso sustentará a demanda por metais preciosos, mas também tende a deixar a curva dos Treasuries mais inclinada, à medida que o mercado precifica gastos ainda maiores com defesa nos EUA sob o governo Trump. Além disso, não há sinais de busca por proteção em títulos, já que as ações continuam subindo, impulsionadas por temas de IA.— Mark Cranfield, estrategista da MLIV.

Nos mercados de renda fixa, a questão é se os eventos na Venezuela aumentam a atratividade da dívida dos EUA ao elevar a percepção de risco ou reduzem a demanda ao ampliar preocupações com inflação ou política fiscal americana.

“Do ponto de vista de mercado, é melhor não exagerar nas operações”, escreveu Marko Papic, estrategista-chefe da BCA Research, em nota no fim de semana. “O uso significativo de tropas terrestres é altamente improvável. Assim, os gastos fiscais não devem ser afetados e os rendimentos dos títulos não devem subir.”

O rendimento do Treasury de 10 anos caiu três pontos-base, para 4,17%.

Veja a seguir outros destaques desta manhã de segunda-feira (5 de janeiro):

- Venezuela no radar de investidores.Para o gestor Ben Cleary, da Tribeca Investment Partners, o país representa uma rara oportunidade após o ataque que sofreu dos EUA. Cleary disse que considera alocar até 10% do capital em ativos locais, ampliando apostas em recursos naturais e crédito privado.

- Boom de renováveis pressiona energia.A rápida expansão das energias renováveis na Europa em 2025 levou a um aumento recorde de “preços negativos” de eletricidade. Segundo a BloombergNEF, esse cenário deve persistir em 2026, pressionando receitas das renováveis e ampliando a volatilidade do mercado.

- Hon Hai cresce além da expectativa. As vendas trimestrais da principal parceira de montagem de servidores da Nvidia avançaram 22%, acima das expectativas, ante o impulso da corrida global para a construção de data centers. Apesar do desempenho, investidores seguem cautelosos diante da possibilidade de uma bolha de IA.

Ações globais 05/01/25
🔘 As bolsas na sexta-feira (02/01): Dow Jones Industrials (+0,66%), S&P 500 (+0,19%), Nasdaq Composite (-0,03%), Stoxx 600 (+0,67), Ibovespa (-0,36%)

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-- Com informações da Bloomberg News.

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