Bloomberg — O maior choque já registrado no mercado de petróleo, desencadeado pela guerra no Oriente Médio, deverá ter um impacto maior sobre produtos como combustível de aviação e diesel do que sobre o petróleo bruto, de acordo com analistas do Goldman Sachs.
“Os preços subiram muito mais para muitos produtos refinados do que para o petróleo bruto”, disseram os analistas Yulia Zhestkova Grigsby e Daan Struyven em uma nota.
As graves interrupções observadas nos suprimentos do chamado petróleo bruto médio-pesado representam o risco de menor produção de diesel, combustível de aviação e óleo combustível, disseram eles.

O conflito EUA-Israel contra o Irã provocou a interrupção quase completa das exportações de petróleo e produtos pelo Estreito de Ormuz, e houve ataques à infraestrutura de energia em toda a região. Isso forçou os produtores de petróleo bruto a reduzir a produção e interromper algumas operações de refinaria.
Leia também: Economias do Golfo enfrentam risco de maior choque desde os anos 90 com guerra no Irã
Embora os preços do fóssil tenham subido mais de 40% desde os primeiros ataques - com o Brent ultrapassando US$ 100 por barril - alguns produtos subiram muito mais.
Em algumas partes da Ásia, os custos de combustível chegaram a dobrar, com a Coreia do Sul seguindo a China e a Tailândia na limitação das exportações para proteger os mercados locais.
“Nenhum produto ou região está totalmente imune”, disseram os analistas do Goldman. A guerra estava prejudicando a capacidade dos produtores do Golfo Pérsico de exportar produtos refinados, estimulando interrupções nas refinarias e reduzindo os fluxos dos tipos de petróleo bruto que são mais adequados para a fabricação de combustíveis como o diesel, segundo eles.
“Quase 60% das exportações típicas de petróleo bruto do Golfo Pérsico são de petróleo bruto médio e pesado (normalmente usado para produzir combustível de aviação, diesel e óleo combustível), com produtores alternativos muito mais limitados fora do Oriente Médio”, disseram.
A interrupção global decorrente do conflito também afetará a nafta - um subproduto de refino usado para produzir produtos petroquímicos que é um insumo essencial para alguns fabricantes - bem como o combustível de aviação, de acordo com o Goldman.
A Ásia importa quase 50% de sua nafta do Golfo Pérsico, enquanto a Europa depende da região para 40% de seu combustível de aviação, disse o banco.
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
Bancos revisam cenário e já admitem Selic estável com guerra
©2026 Bloomberg L.P.








