Nvidia: por que os resultados da companhia podem ditar o rumo dos mercados e da IA

Valor de mercado da fabricante de chips, no holofote do rali da inteligência artificial, aumentou em mais de US$ 370 bi desde a última divulgação

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Bloomberg — A temporada de balanços das big techs se aproxima do fim com a divulgação dos resultados de uma empresa de peso: a Nvidia (NVDA). No foco do frenesi em torno da inteligência artificial, os resultados da companhia podem definir o tom dos mercados globais pelo resto do ano.

O valor de mercado da fabricante de chips aumentou em mais de US$ 370 bilhões desde a última divulgação. E a empresa foi a que mais contribuiu para o rali de 36% do índice Nasdaq 100 este ano.

Os processadores da Nvidia são chave na corrida do ouro da IA que tem impulsionado as bolsas este ano, o que torna seu balanço muito mais significativo do que uma divulgação de lucros típica.

“O que a Nvidia disser sobre o ‘guidance’ para o restante do ano fiscal de 2024″ irá guiar a percepção em torno da tese de IA que tem puxado o mercado, disse Ben Reitzes, analista da Melius Research.

Os otimistas de Wall Street esperam mais boas notícias da fabricante de semicondutores.

Analistas vinham elevando o preço-alvo para a ação à espera do balanço do segundo trimestre, que deve mostrar um salto de 65% na receita na comparação anual, para cerca de US$ 11 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Para o Citigroup (C), as expectativas de investidores institucionais são ainda maiores, em cerca de US$ 12 bilhões.

E muitos analistas, como Frank Lee, do HSBC, dizem que as ações ainda têm fôlego para mais ganhos, apesar do preço ter mais do que triplicado desde janeiro, negociadas a uma impressionante relação de 44 vezes o lucro projetado.

“Embora as expectativas do mercado tenham aumentado claramente para a Nvidia e para a cadeia de suprimentos geral de IA, esperamos que o ‘momentum bullish’ dos servidores de IA continue a superar as expectativas do mercado”, escreveu Lee em nota divulgada na segunda-feira (21), argumentando que o potencial de lucro a longo prazo ainda não é refletido no preço das ações da Nvidia.

Empresa de US$ 1 tri

A Nvidia é uma das poucas empresas que valem mais de US$ 1 trilhão e a direção do preço de sua ação após o balanço tem potencial de levar o S&P 500 junto.

A atividade do mercado de opções implica uma oscilação de 10% no preço da ação no dia seguinte ao balanço, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Inevitavelmente, outras ações expostas à IA — caso de pesos-pesados como Alphabet (GOOGL) e Microsoft (MSFT), e empresas menores como Palantir Technologies — devem sentir o maior impacto.

Mas o balanço também é importante para mercados fora dos Estados Unidos, como para a Taiwan Semiconductor Manufacturing, fornecedora da Nvidia, e para a gigante de equipamentos de chips ASML.

Com expectativas tão altas, o efeito de uma decepção seria forte.

“Se as expectativas estiverem erradas, todo o mercado acionário vai cair”, disse Adam Parker, fundador da Trivariate Research. “Não há dúvidas sobre isso.”

Uma incógnita é a oferta. Alguns especialistas em Wall Street alertam que as vendas podem ser limitadas pela capacidade da Nvidia de garantir chips suficientes fornecidos pela TSMC.

Ainda assim, a maioria não considera que seja um problema para as ações se as previsões forem boas, porque essas vendas seriam transferidas para os trimestres seguintes.

IA como divisor de águas

Para o mercado em geral, que enfrenta obstáculos como taxas de juros mais elevadas e desaquecimento econômico, um balanço positivo pode ajudar a garantir que a IA seja um divisor de águas para elevar a produtividade e os lucros em muitas indústrias.

Estrategistas do Goldman Sachs (GS) lançaram nesta semana a chamada cesta “AI trade after the trade” – ações com o maior potencial de aumento dos lucros no longo prazo devido ao impacto da inteligência artificial na produtividade do trabalho.

Os lucros para a ação mediana dessa cesta podem ser 72% maiores do que a linha de base atual após a adoção generalizada da IA, escreveram estrategistas liderados por Ryan Hammond, em nota.

Mas Michael Wilson, do Morgan Stanley (MS) – conhecido por sua visão cautelosa para a renda variável – advertiu que, com as crescentes incertezas sobre o cenário macroeconômico, mesmo resultados surpreendentes podem não ser suficientes para impulsionar os mercados desta vez.

“Não acreditamos que excelentes resultados da Nvidia” mudarão a tendência mais recente dos preços para outras estratégias de derivativos “ou para o mercado mais amplo, como aconteceu em maio”, escreveu.

--Com a colaboração de Ian King, Alexandra Semenova, Subrat Patnaik e Jan-Patrick Barnert

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