Bloomberg — A taxa Selic deve ficar acima de 14% pelos próximos anos, quase sem espaço para novos cortes.
Este é o cenário refletido atualmente na precificação dos contratos de juros futuros, numa indicação de que os investidores desistiram de apostar em alívio monetário diante da alta das expectativas de inflação, gerada pela disparada do petróleo com a guerra no Irã, e da resiliência da economia doméstica.
No exterior, o temor com a alta dos preços levou o mercado a prever elevação de juros pelo Federal Reserve neste ano, o que também gera impacto sobre as taxas no Brasil.
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Nos últimos dias, os operadores praticamente apagaram as apostas em uma redução da Selic de 0,25 ponto percentual, até então prevista para a reunião do Copom na semana que vem, conforme as expectativas de inflação na pesquisa Focus para prazos mais longos subiram e a atividade se manteve firme. Passou a prevalecer a expectativa de que o juro básico ficará nos atuais 14,50%.
A mudança leva, inclusive, a uma precificação de alta da Selic à frente, aproximando-se de 15% ao final do próximo ano.
Se no curto prazo as apostas dos operadores se relacionam mais à trajetória da política monetária, no médio e no longo prazo a curva de juros também embute outros riscos, como fiscais e políticos.
Nesse contexto, a precificação do mercado é de que a taxa básica se manterá na casa dos 14% até 2032, já que os juros futuros de todos os vencimentos rondam o mesmo patamar, dando a curva o formato “achatado”, ou seja, com pouco diferencial de nível entre taxas de contratos de prazos variados.
O movimento indica que, somada à tensão externa, existe uma zeragem de posições no mercado, disse Andrea Damico, economista-chefe da Buysidebrazil.
“Ninguém mais quer apostar na queda de juros dada a incerteza enorme do cenário tanto externo, com a guerra, quanto interno, com eleições”, afirma.
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Os efeitos secundários do avanço do petróleo já se espalham pela indústria, segundo economistas. Ao mesmo tempo, os estímulos do governo mantêm a atividade econômica aquecida, como mostram os indicadores mais recentes.
Revisão de cenário
E não são apenas os investidores que passaram a enxergar juros mais altos. Grandes bancos revisaram recentemente suas projeções para incorporar um ambiente de política monetária mais apertada, embora não tão agudo quanto o exibido nos contratos futuros.
O BTG Pactual revisou a projeção de Selic de 13% para 14,25% neste ano, o Itaú alterou de 13,25% para 13,75% e a XP, de 13,75% para 14%. Nesta segunda-feira (8), a pesquisa Focus também trouxe elevação da estimativa de 13,25% para 13,50% ao final de 2026.
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A comunicação do Banco Central aponta para a continuação do processo de calibragem, motivo que leva o BTG a prever mais um corte de 0,25pp. “Nossa avaliação é que a decisão mais adequada seria pausar já em junho”, diz o relatório do banco.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, está na China e qualquer eventual fala de algum integrante do Copom será acompanhada de perto nos próximos dias, antes do período de silêncio de uma semana para a reunião da próxima quarta-feira (17).
“Acho que o Banco Central está em momento chave. Acho que seria uma estratégia melhor até pausar nesse momento, para avaliar seus próximos passos”, afirma Fernanda Guardado, chefe de economia para América Latina do BNP Paribas.
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