IPCA-15: inflação inicia o ano em alta e ressalta o desafio do Banco Central

Índice considerado uma prévia da inflação oficial acelerou a 4,50% em 12 meses na primeira quinzena de janeiro, ligeiramente abaixo das estimativas de economistas

Supermercado
Por Beatriz Reis
27 de Janeiro, 2026 | 01:34 PM

Bloomberg — A inflação anual do Brasil acelerou no início de janeiro, evidenciando a persistência das pressões sobre os preços enquanto os dirigentes do Banco Central se reúnem para a primeira decisão sobre juros de 2026.

Os preços ao consumidor subiram 4,50% em 12 meses na primeira quinzena de janeiro, ligeiramente abaixo da estimativa mediana de 4,52% dos analistas consultados pela Bloomberg.

PUBLICIDADE

Em relação ao mês anterior, os preços medidos pelo IPCA-15 avançaram 0,2%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (27).

Leia também: Copom: mercado espera Selic em 15% ao ano e sinal de possível corte em março

A inflação persistente, somada às expectativas de que os aumentos de preços ao consumidor permaneçam acima da meta do Banco Central, continua a pesar sobre os formuladores de política monetária, que avaliam quando começar a reduzir a taxa básica Selic, atualmente em 15%, nível próximo ao maior em duas décadas.

PUBLICIDADE

A inflação anual encerrou 2025 dentro do limite superior da faixa de tolerância da meta do Banco Central, de 3%, com margem de mais ou menos 1,5 ponto percentual.

Ainda assim, espera-se amplamente que os membros do colegiado liderado por Gabriel Galipolo mantenham os juros inalterados pela quinta vez consecutiva nesta semana, adotando cautela enquanto prosseguem os esforços para esfriar a demanda.

“O número veio abaixo das expectativas, com um aspecto qualitativo ligeiramente melhor também”, disse a economista-chefe Andrea Damico, da Buysidebrazil. “Não é um dado que provoque grandes revisões de mercado, mas consolida o processo de desinflação.”

PUBLICIDADE

A aceleração foi impulsionada em parte por alimentos e bebidas — o grupo de maior peso no índice —, que subiram 0,31% em janeiro, ante 0,13% em dezembro.

As pressões também aumentaram em saúde e cuidados pessoais, lideradas por uma alta de 1,38% nos itens de higiene pessoal, enquanto os preços dos planos de saúde avançaram 0,49%.

Economistas consultados na pesquisa Focus semanal do Banco Central, divulgada na segunda-feira (26), ainda projetam que a Selic caia para 12,25% até o fim deste ano, com mais 275 pontos-base de afrouxamento, até 9,5%, ao longo de 2029.

PUBLICIDADE

Segundo a pesquisa, os economistas veem a inflação anual permanecendo acima de 3% até 2029.

Galipolo, no entanto, tem dado poucos sinais sobre os planos do Banco Central, ressaltando que a autoridade monetária segue dependente dos dados à medida que se aproxima das decisões de política monetária.

-- Com a colaboração de Giovanna Serafim e Raphael Almeida.

Veja mais em Bloomberg.com

Leia também

Com economias robustas, América Latina fica resiliente a choques globais, segundo Itaú