Ibovespa fecha em queda e dólar vai a R$ 5,06 depois de dados mais aquecidos nos EUA

Índice de atividade industrial dos EUA subiu pela primeira vez desde setembro de 2022, indicando expansão, o que reforçou a visão de que o Fed pode levar mais tempo para iniciar corte de juros

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01 de Abril, 2024 | 05:36 PM

Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) iniciou o mês de abril com perdas, em linha com os mercados internacionais, depois que dados de atividade industrial dos Estados Unidos mostraram que a economia americana continua aquecida. Os indicadores contribuíram para a visão de que o Federal Reserve (Fed) deve levar ainda mais tempo para iniciar um ciclo de corte de juros, o que derrubou as ações.

O principal índice da bolsa brasileira fechou com baixa de 0,87%, aos 126.990 pontos, repercutindo o recuo em Nova York. A perspectiva de uma política monetária restritiva por mais tempo fortaleceu o dólar (USDBRL) frente a outras moedas. A divisa americana subia 0,84%, aos R$ 5,06, ao final do pregão.

A atividade fabril nos Estados Unidos subiu em março pela primeira vez desde setembro de 2022, com um forte aumento na produção e uma demanda mais forte, enquanto os custos de insumos subiram.

O índice de manufatura do Institute for Supply Management (ISM) subiu 2,5 pontos para 50,3 no mês passado, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (1º). Embora esteja pouco acima do nível de 50 (que separa expansão e contração), isso interrompeu 16 meses consecutivos de atividade em declínio.

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O índice de março superou todas as estimativas em uma pesquisa da Bloomberg com economistas.

“Os investidores estão antecipando a possibilidade de mais uma virada de postura hawkish do Fed,” disse José Torres da Interactive Brokers, à Bloomberg News. “O primeiro corte de juros do Fed pode ocorrer no segundo semestre.”

Investidores também repercutiram nesta segunda os dados de inflação nos Estados Unidos, divulgados na sexta (29), quando os mercados estavam fechados para o feriado da Páscoa.

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O Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês), a métrica preferida do banco central americano para medir a chamada inflação subjacente, “esfriou” no mês passado. O índice avançou 0,3%, depois de alta de 0,4% em janeiro.

Já o núcleo do PCE, que exclui os componentes mais voláteis de preços de alimentos e energia, subiu 0,3% em fevereiro em relação ao mês anterior, em linha com o esperado.

Em discurso na sexta-feira após a divulgação do PCE, o presidente do Fed Jerome Powell repetiu que o BC dos EUA está paciente sobre a política monetária. “Não precisamos ter pressa para cortar [as taxas de juros]”, disse ele em um evento no Fed.

As tensões geopolíticas também afetaram os mercados depois que um ataque israelense na Síria ameaçou ampliar o conflito no Oriente Médio, com reflexos para a cotação do petróleo, que subiu. O ouro permanecia próximo das máximas históricas, enquanto o bitcoin caiu abaixo de US$ 70.000.

A mídia estatal do Irã afirmou que um ataque aéreo israelense no complexo da embaixada do Irã na Síria matou várias pessoas, incluindo um comandante militar de alto escalão do país, adversário de longa data de Israel.

No Brasil, as ações do Itaú Unibanco (ITUB4), da B3 (B3SA3) e da Equatorial (EQTL3) caíram e ficaram entre as maiores contribuições negativas para o índice. Já os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) e da Vale (VALE3) subiram, ajudando a amenizar as perdas.

Entre os destaques do dia, a Hapvida (HAPV3) subiu após a empresa divulgar balanço na quinta-feira após o fechamento do mercado, que surpreendeu positivamente os investidores. A companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 330,5 milhões no quarto trimestre, uma alta de 104,8%. IRB (IRBR3), Minerva (BEEF3), SLC Agrícola (SLCE3) e Cemig (CMIG4) também avançaram.

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Na outra ponta, CVC (CVCB3), LWSA (LWSA3), Raízen (RAIZ4), Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) e Petz (PETZ3) recuaram e ficaram entre as maiores perdas no dia.

- Com informações da Bloomberg News.