Ibovespa fecha em queda após balanços e IPCA de abril; dólar sobe a R$ 5,16

Investidores reagiram de forma negativa à divulgação de balanços de Magazine Luiza, Localiza e Suzano, o que contribuiu para as perdas

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10 de Maio, 2024 | 06:19 PM

Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) fechou em queda de 0,46%, aos 127.600 pontos, nesta sexta-feira (10), com os investidores reagindo a resultados de balanços de empresas e a indicadores de inflação. Com isso, o índice da bolsa brasileira encerrou a semana com perda acumulada de 0,71%, depois de uma sequência positiva de duas semanas. O dólar (USDBRL) subia 0,34% e era negociado a R$ 5,16 no fechamento.

As perdas foram influenciadas pela Petrobras (PETR3; PETR4), B3 (B3SA3) e pela Vale (VALE3). A mineradora brasileira recuou depois da queda do preço do minério de ferro no mercado internacional.

A Suzano (SUZB3) e a Localiza (RENT3) também caíram depois da divulgação de balanços. A Suzano registrou queda de 95% no lucro líquido do primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2023, para R$ 220 milhões. Enquanto isso, a Localiza teve perdas apesar do crescimento anual de 40,6% do lucro líquido, para R$ 733,5 milhões.

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O Magazine Luiza (MGLU3) também fechou em baixa e liderou entre as maiores perdas do dia depois da divulgação do balanço. A empresa apresentou um lucro líquido ajustado de R$ 30 milhões no primeiro trimestre.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o CFO Roberto Bellissimo Rodrigues disse que a varejista está entrando em uma nova fase em razão da tendência da queda dos juros, o que tende a impulsionar as vendas de bens duráveis, que têm margem de lucro maior. “Estamos animados com o crescimento das vendas com margens saudáveis e sustentáveis”, afirmou.

Além da varejista, Petz (PETZ3), Cogna (COGN3) e MRV (MRVE3) também fecharam entre as maiores perdas.

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Na outra ponta, Alpargatas (ALPA4), Allos (ALOS3), Rumo (RAIL3), Banco do Brasil (BBAS3) e Minerva (BEEF3) lideraram as altas. Entre os bancos, Itaú Unibanco. (ITUB4) subiu, enquanto Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11) tiveram perdas.

Divulgado pela manhã, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou para 0,38% em abril, impulsionado pelos preços de medicamentos, após avançar 0,16% em março. Na comparação anual, a inflação teve alta de 3,69%.

Economistas ouvidos pela Bloomberg News previam avanço de 0,35% para o indicador na comparação mensal e de 3,66% na anual, ante alta de 3,93% no último levantamento.

Segundo Claudia Moreno, economista do C6 Bank, a inflação de serviços subjacentes, medida que exclui os itens mais voláteis e é bastante acompanhada pelo Banco Central, continua sendo “o principal motivo de preocupação”.

“Mesmo desacelerando de 0,45% em março para 0,33% em abril, esse segmento permanece resiliente, seguindo em patamar elevado. O indicador acumula alta de 4,7% em 12 meses”, afirmou. “Na nossa visão, a persistência da inflação de serviços somada à perspectiva de juros elevados por mais tempo nos EUA deve levar o Copom a promover apenas mais um corte de 0,25 ponto na reunião de junho, encerrando o ciclo de redução de juros. Projetamos Selic em 10,25% ao final de 2024.”

Nos Estados Unidos, investidores voltaram as atenções para dados que apontaram para uma desaceleração da economia em meio à inflação persistente, representando um desafio para a perspectiva de cortes nas taxas de juros do Federal Reserve.

Um relatório mostrou que o sentimento do consumidor nos EUA caiu para o nível mais baixo em seis meses, enquanto as expectativas de inflação de curto prazo aumentaram.

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A presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, observou que ainda é muito cedo para pensar em reduzir as taxas de juros, enquanto a governadora Michelle Bowman disse que não espera que seja apropriado para o Fed cortar as taxas de juros em 2024, apontando para a inflação persistente nos primeiros meses do ano.

Enquanto isso, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, disse que não acredita que a inflação esteja acima da meta do banco central, apesar dos dados recentes mostrando pressões de preços no início do ano.

- Com informações da Bloomberg News.