Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) fechou esta terça-feira (3) em forte queda, diante da maior preocupação global com as consequências do conflito no Oriente Médio em meio aos ataques entre Estados Unidos e Irã, que chegaram ao quarto dia.
Nem mesmo a alta do petróleo foi capaz de impulsionar as ações de petroleiras e sustentar o índice em meio ao clima de aversão ao risco. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) recuaram 0,44%, enquanto o petróleo Brent avançou 5% no mercado internacional.
Ao final do dia, o Ibovespa caiu 3,28%, aos 183.105 pontos.
Já o dólar teve um dia de alta global, com investidores buscando proteção diante do cenário global volátil. A moeda americana subiu 1,91% contra o real, cotada a R$ 5,27.
O ouro, por sua vez, recuou 3,77% depois de quatro dias de rali.
“Em momentos como este, independentemente da qualidade dos fundamentos macroeconômicos, o investidor busca liquidez [no dólar], algo que nem mesmo o ouro físico entrega plenamente”, afirmou Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, em nota.
Nos Estados Unidos, o sell off generalizado nos ativos foi atenuado depois que o governo afirmou que iria assegurar as rotas de navegação pelo Estreito de Ormuz – região chave na costa do Irã por onde é transportado cerca de um quinto do petróleo mundial.
O presidente Donald Trump afirmou que os EUA vão escoltar e garantir a segurança de petroleiros e outras embarcações através estreito, em uma medida destinada para evitar uma potencial crise energética.
O S&P500 reduziu as baixas no dia de 2,5% para 0,94% após o anúncio.
“Por ora, os mercados estão reagindo de manchete em manchete”, disse Fawad Razaqzada, da Forex.com, à Bloomberg News. “Muito vai depender de as tensões se estabilizarem — ou de isso se mostrar o início de uma interrupção mais prolongada do abastecimento global.”
A guerra no Oriente Médio repercutiu por toda a região. Israel bombardeou Teerã em uma nova onda de ataques. A República Islâmica lançou mísseis contra Catar, Bahrein e Omã. O governo em Doha afirmou que os alvos não se limitaram a locais com interesse militar. Catar e Iraque interromperam a produção em grandes instalações de energia.
O conflito já afeta os embarques e os custos dos combustíveis vêm subindo. Uma alta sustentada dos preços do diesel — usado em transporte de cargas, geração de energia e aquecimento — pode elevar o custo do transporte, um componente-chave da inflação. Os preços da gasolina também dispararam, intensificando esses riscos.
“A volatilidade de hoje e as amplas oscilações intradiárias mostram que os investidores estão tendo dificuldade para precificar os riscos de mercado decorrentes do conflito no Irã”, disse Will Compernolle, da FHN Financial.
-- Com a Bloomberg News.
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