HSBC diz que BC deve usar ata do Copom para tentar corrigir aposta em corte de 0,50pp

Para Daniel Lavarda, chefe de pesquisa macroeconômica do banco no Brasil, BC verá necessidade de resgatar o argumento da ‘serenidade’, que foi ignorado pelo mercado

Morgan Stanley rebaja acciones brasileñas por riesgos fiscales.
Por Raphael Almeida Dos Santos - Josue Leonel
02 de Fevereiro, 2026 | 03:05 PM

Bloomberg — O Banco Central deve usar a ata do Copom, que será divulgada nesta terça-feira (3), para ajudar a corrigir a visão do mercado de que a probabilidade maior é de corte de juros de 0,50 ponto percentual de corte na próxima reunião de política monetária, segundo Daniel Lavarda, chefe de pesquisa macroeconômica do HSBC Brasil.

“Imagino que o Copom verá uma necessidade de resgatar o argumento da ‘serenidade’, que parece que foi ignorado solenemente pelo mercado”, disse Lavarda, em entrevista.

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“No meu entendimento, a ata deve ajudar a corrigir isso, tentando trazer as reuniões de março e abril mais para os 0,25pp”, afirmou ele.

Segundo ele, o mercado fez uma leitura de que o comunicado do Copom foi dovish, ou seja, mais brando, razão pela qual a probabilidade de corte de 0,50pp em março aumentou.

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O economista projeta redução da Selic 0,25pp na próxima reunião e afirma que faz sentido um primeiro movimento mais gradual, uma vez que esse gradualismo “é o que eles tem feito como estratégia já há algum tempo”.

A precificação da curva de juros aponta 42 pontos de corte da taxa básica em março, o que indica chance maior de redução de 0,50pp da Selic, de 15% para 14,50%.

A curva também projeta taxa de 12% no final do ciclo de alívio monetário, em 2027, segundo dados compilados pela Bloomberg — o que sugere uma redução total de 3 pontos percentuais.

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O economista do HSBC disse que ficará atento se o BC fornecerá na ata mais detalhes de como está o mercado de trabalho e sobre como a autoridade monetária está avaliando os balanços de riscos.

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Lavarda acredita que o fim dos mandatos dos ex-diretores Diogo Guillen e Renato Gomes, desde o final de 2025, obscurece a ideia de como é a função de reação do Banco Central e como a autoridade está criando o consenso agora. “Nós temos uma certa incerteza em relação a isso”, disse Lavarda.

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Na sexta, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sugeriu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nomeação de Guilherme Mello, um aliado seu no ministério, para uma das diretorias vagas no Banco Central, segundo duas pessoas com conhecimento do assunto. Haddad não comentou. Mello e o gabinete de Lula não responderam a pedidos de comentários.

O economista acredita que há espaço para um nome de terceira via nas eleições presidenciais e que Flávio Bolsonaro deve seguir com sua candidatura. “Me surpreendeu como ele se consolidou como uma segunda força nas intenções de votos”, afirmou Lavarda.

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