Bloomberg Línea — Os gestores de recursos na América Latina estão mais otimistas com o mercado de ações brasileiro e projetam o Ibovespa acima dos 190.000 pontos até o fim de 2026, segundo uma pesquisa do Bank of America (BofA).
De acordo com o levantamento, que ouviu 30 gestores com cerca de US$ 94 bilhões sob gestão, 74% dos participantes esperam que o principal índice da bolsa brasileira encerre o ano acima de 190.000 pontos, enquanto 30% veem o Ibovespa (IBOV) superando 210.000 pontos.
Isso implica um ganho potencial de 2% a 13%, aproximadamente, em relação ao nível de fechamento do Ibovespa na sexta-feira (13), antes do feriado de carnaval.
No ano, o índice já acumula um ganho de cerca de 15%, depois de encerrar 2025 com um aumento de 34%, impulsionado por uma busca por diversificação de investidores globais em ativos fora dos Estados Unidos. O movimento tem favorecido mercados emergentes, incluindo o Brasil.
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A edição de fevereiro da pesquisa LatAm Fund Manager Survey, do Bank of America (BofA), divulgada nesta terça-feira (17), indica um maior otimismo com o Brasil por parte dos gestores que investem em ativos na região.
Para mais de 80% dos gestores pesquisados, as condições globais são a principal razão por trás do rali recente do Ibovespa, e a maioria acredita que o ambiente externo favorável deve continuar a influenciar o desempenho das ações nos próximos seis meses.
A maioria considera que a dinâmica do dólar e o desempenho mais amplo dos mercados emergentes serão os principais determinantes para a bolsa brasileira, mais do que fatores domésticos como as eleições em outubro ou a trajetória da política monetária, com expectativa de cortes de juros pelo Banco Central.
Nesse sentido, um eventual fortalecimento do dólar é visto como o maior risco externo para a América Latina, uma vez que pode reverter o cenário.
Ainda assim, a maior parte dos gestores projeta uma moeda americana relativamente fraca ao longo de 2026. A maioria estima que o dólar deve encerrar o ano ao redor de R$ 5,20, próximo do nível atual.
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No campo doméstico, o consenso entre os gestores é de que o ciclo de corte de juros deve começar em março, com uma redução de 50 pontos-base na Selic, atualmente em 15% ao ano.
Para o fim de 2026, a maioria dos gestores vê a taxa básica de juros entre 12,50% e 12,75%. Ainda que o início do ciclo de cortes seja considerado positivo, ele não aparece como o principal motor para as ações no curto prazo.
O crescimento do PIB brasileiro em 2026 é estimado entre 1% e 2% pela maior parte dos gestores.
A pesquisa também aponta uma preferência relativa pelo Brasil na comparação regional. Para 73% dos entrevistados, o país deve superar o desempenho do México nos próximos seis meses.
Maior apetite a risco
O otimismo vem acompanhado de uma melhora relevante nas expectativas para os lucros corporativos.
A maioria dos entrevistados (53%) agora acredita que as estimativas de resultados das empresas brasileiras serão revisadas para cima em 2026 – um aumento expressivo em relação aos 17% registrados no mês anterior.
O retrato da pesquisa indica um maior apetite ao risco e menor busca por ativos defensivos.
“O apetite por risco está próximo das máximas históricas, enquanto os níveis de proteção nas carteiras permanecem perto da média de longo prazo. A estratégia preferida pelos gestores é a de ações de alta qualidade, seguida por empresas ligadas a commodities”, ressaltam os analistas do BofA no relatório.
O setor financeiro é o principal destaque nas carteiras dos gestores, com a maior alocação acima da média (overweight), seguido por utilities e materiais. Já o segmento de consumo básico é o menos preferido entre os gestores.
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