Guerra, balanços, Fed e indicadores: os eventos que movem os mercados na semana

Investidores monitoram escalada do conflito no Oriente Médio, incerteza com a economia chinesa, balanços, dados econômicos e discursos de membros do Fed

Estes são os eventos que orientam os investidores e movem os mercados hoje
16 de Outubro, 2023 | 06:55 AM

Barcelona, Espanha — Vários elementos estarão no radar esta semana. Os investidores acompanham os esforços dos Estados Unidos e de seus aliados para evitar uma nova escalada do conflito entre Israel e Hamas. Também estarão atentos à safra de balanços do terceiro trimestre, muitos acompanhados de previsões para o ano que vem. Para completar, vários indicadores macroeconômicos ajudarão a compor o cenário.

⚠️ Atentos ao conflito. A continuidade da busca por ativos “refúgio” seguros vai depender, sobretudo, do envolvimento ou não do Irã e da Síria no ataque a Israel. Nesta manhã de segunda-feira, os mercados financeiros tentavam se estabilizar frente à corrida por segurança da semana passada. A tentativa das autoridades dos EUA de conter o conflito com algumas nações do Oriente Médio - incluindo conversas de bastidores com o Irã - abria espaço para uma queda do petróleo.

🇨🇳 Ventos contrários. Os EUA vão endurecer as restrições ao acesso da China à tecnologia avançada de chips, segundo fontes da Bloomberg, para impedir que seu rival geopolítico obtenha tecnologias de ponta que poderiam lhe dar uma vantagem militar. Além disso, o Banco Popular da China injetou 289 bilhões de yuans (US$ 39,6 bilhões) por meio de uma linha de crédito de médio prazo e manteve a taxa de juros em 2,5%. Tudo isso em meio a preocupações ainda acesas com o setor imobiliário.

🛒 Negócio fechado. O varejista francês Casino Guichard-Perrachon, que no Brasil controla o Grupo Pão de Açúcar, receberá do Grupo Calleja US$ 556 milhões pela venda de fatia na rede colombiana Almacenes Éxito, que pertence ao GPA. Serão US$ 400 milhões por sua participação acionária direta e US$ 156 milhões embolsados pelo GPA.

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📳 Mais um passo. A empresa de capital de risco KKR. apresentou uma oferta vinculante para a rede telefônica da Telecom Italia, que no Brasil é dona da TIM, no que poderia ser um acordo inovador para o ex-monopolista, que busca reduzir sua dívida bruta de mais de € 30 bilhões (US$ 32 bilhões). A Telecom Italia disse ter recebido a oferta da KKR para sua unidade de rede fixa e que a oferta será considerada por seu conselho “sem demora” após análise. A empresa não divulgou mais detalhes ou um preço em sua declaração.

🔎 Em busca de pistas. Além da agenda semanal carregada de indicadores macroeconômicos, os traders terão olhos e ouvidos voltados com máxima atenção a autoridades do Federal Reserve (Fed). Se amplificou um discurso mais brando sobre a necessidade de aplicar novos aumentos de juros para segurar a inflação. O presidente do Fed de Filadélfia, Patrick Harker, disse que a desinflação está em andamento e reiterou que é a favor de manter as taxas de juros onde estão, a não ser que haja uma mudança acentuada nos dados.

📈 O vaivém dos ativos. Os contratos futuros de índices dos EUA passaram de menos a mais nesta manhã, com oscilações muito moderadas. Na Europa, prevalecia a queda no começo da manhã, tendência que pouco a pouco ia desvanecendo. Na Ásia, foi negativo o fechamento do mercado acionário. Em outros mercados, o prêmio de risco do título de 10 anos dos EUA, em alta, era de 4,68%. O ouro baixava, assim como os contratos de petróleo bruto WTI, apagando uma pequena parte da forte alta acumulada na semana passada. No mercado cambial, o euro e a libra esterlina se apreciavam frente ao dólar, enquanto o iene se desvalorizava.

(Com informações de Bloomberg News)

Os mercados esta manhã

🟢 As bolsas na sexta-feira (13/10): Dow Jones Industrials (+0,12%), S&P 500 (-0,50%), Nasdaq Composite (-1,23%), Stoxx 600 (-0,98%), Ibovespa (-1,11%)

O conflito entre Israel e o Hamas pesou sobre o ânimo dos investidores, que temem que uma escalada culmine em um confronto direto com o Irã, um fornecedor de armas e dinheiro para o grupo classificado como terrorista pela Europa e pelos EUA. O preço do barril de petróleo tipo Brent subiu 5,7%, para US$90, o que poderia afetar a inflação mundial e manter elevados os juros das principais economias mundiais.

Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados e se inscreva no After Hours, a newsletter vespertina da Bloomberg Línea com o resumo do fechamento dos mercados.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

Feriado: Argentina

EUA: Índice Empire State de Atividade Industrial/Out)

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Europa: Zona do Euro (Balança Comercial/Ago); Alemanha (Índice de Preços por Atacado/Set); Itália (IPC/Set)

Ásia: China (Investimento Estrangeiro Direto)

América Latina: Brasil (Boletim Focus BCB)

Bancos centrais: Pronunciamentos de Sam Woods (BoE) e Patrick Harker (Fed). Atas da Reunião de Política Monetária do Banco Central da Austrália

Balanços: Rio Tinto, Charles Schwab

🗓️ Os eventos de destaque na semana →

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Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 13 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e fez um mestrado em Digital Business na ESADE.