Fundos de ações contam com juros mais baixos para tentar estancar saída recorde

Os fundos de gestão ativa de ações registraram uma saída anual de R$ 54,5 bilhões em 2025, o que se compara aos R$ 16,2 bilhões retirados em 2024, período em que o Ibovespa caiu 10%

Brazilian Real Outperforms As Tariffs Fail To Inflict Much Pain
Por Leda Alvim - Barbara Nascimento
08 de Janeiro, 2026 | 05:34 PM

©2026 Bloomberg L.P. — Os fundos brasileiros contam que o corte de juros pode ajudar a estancar a saída recorde em ações em 2025, quando os gestores perderam bilhões mesmo enquanto o fluxo estrangeiro levava o Ibovespa aos níveis mais altos da história.

“Se a gente tem qualquer sinalização de flexibilização de juros olhando para frente, 2026 pode sim ser um ano excelente para os ativos de risco como um todo”, o que levaria os principais investidores locais a começar a recompor exposição em ações, disse Clara Sodré, analista de fundos da XP em São Paulo.

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Os fundos de gestão ativa de ações registraram uma saída anual de R$ 54,5 bilhões em 2025, a maior já registrada, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Isso se compara aos R$ 16,2 bilhões retirados em 2024, período em que o Ibovespa caiu 10%.

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A classe de ativos teve saídas de quase 54,5 bilhões de reais no ano passado.

A maior parte das saídas foi registrada no primeiro semestre, totalizando R$ 41,2 bilhões. E, embora os resgates tenham desacelerado nos últimos meses do ano, eles continuaram sem interrupção, com alguns grandes investidores — incluindo alguns dos maiores fundos de pensão do país — mantendo suas alocações em ações em um nível historicamente baixo.

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As saídas contrastam com a alta de 34% do Ibovespa no ano passado, impulsionada por investidores globais que realocaram recursos para fora dos Estados Unidos e para países em desenvolvimento como o Brasil.

As expectativas de um dólar mais fraco e de cortes de juros pelo Federal Reserve também levaram investidores a aumentar a exposição aos mercados emergentes em geral, com o índice MSCI Emerging Markets subindo 31% no ano passado e alcançando um novo recorde em janeiro.

No total, estrangeiros compraram R$ 25,4 bilhões em ações locais no ano passado, uma reversão em relação a 2024, quando as saídas totalizaram R$ 32,1 bilhões, segundo dados da B3.

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Sem FOMO… por enquanto

Para os investidores locais, taxas de juros próximas ao maior nível em duas décadas, de 15%, incentivam a preferência por renda fixa, enquanto uma série de produtos de investimento isentos de impostos competem com as ações e mantêm os investimentos locais afastados do mercado acionário, disse Rafael Oliveira, gestor de ações da Kinea Investimentos, um dos maiores fundos do país.

Em 2025, os fundos de renda fixa registraram entradas de R$ 84,3 bilhões sozinhos, ocupando o primeiro lugar entre todas as classes de ativos, segundo a Anbima.

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“Esse dinheiro não está indo para ativos de risco no Brasil”, disse Oliveira. “Mesmo a bolsa andando cerca de 2,5 vezes o retorno do CDI, o local ainda não sente o FOMO porque se sente confortável com o retorno que alcançou dado o nível de risco”, acrescentou, referindo-se à sigla em inglês fear of missing out.

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Juros mais baixos contariam a favor das ações, potencialmente atraindo mais investidores locais para fundos de ações. E, com o investimento estrangeiro constante continuando a sustentar os retornos, isso cria um incentivo adicional para que os investidores locais voltem ao mercado, disse Oliveira.

Os investidores que permaneceram no mercado ao longo do ano passado foram recompensados por isso.

“Quem ficou é o investidor que tem um percentual adequado em bolsa, aguenta a volatilidade e já viveu outros ciclos”, disse Florian Bartunek, CIO e cofundador da gestora de fundos de ações Constellation Asset Management. “Nosso discurso é: aguenta a volatilidade que vale a pena.”

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