Estas são as ações mais atraentes na América Latina em 2026, segundo analistas

Foco está voltado para ações dos setores de serviços financeiros, comércio eletrônico, transporte aéreo, serviços para mineração e infraestrutura energética na América Latina

First Day Of Trading For 2026 At The NYSE And NASDAQ
12 de Janeiro, 2026 | 12:11 PM

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Bloomberg Línea — A América Latina pode ganhar espaço nas carteiras de investimento até 2026, devido às avaliações atraentes, à normalização monetária gradual e às empresas que conseguiram consolidar vantagens competitivas claras, de acordo com analistas consultados pela Bloomberg Línea.

Os setores com maiores oportunidades incluem serviços financeiros, comércio eletrônico, transporte aéreo, serviços para mineração e infraestrutura energética, em um contexto de rotação global para mercados emergentes.

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As opções apresentadas a seguir não são recomendações de investimento, mas sim apostas particulares que os analistas veem no mercado, considerando que cada investidor tem suas particularidades em termos de perfil de risco e horizonte.

“A América Latina começa a recuperar protagonismo no universo dos mercados emergentes”, disse Paula Chaves, analista de mercados da corretora global HFM. “Não por uma recuperação conjuntural, mas por uma combinação mais estrutural de avaliações razoáveis, normalização monetária e empresas com vantagens competitivas claras”.

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Nessa perspectiva, ele afirma que as ações do Nubank se destacam como uma das opções nas carteiras de investimento para 2026. O consenso dos analistas consultados pela Bloomberg é favorável à compra das ações do Nubank (76,2%), enquanto 19% recomendam mantê-las e apenas 4,8% recomendam vendê-las.

“Além da volatilidade de curto prazo, o Nubank representa uma tese de crescimento de longo prazo com ampla margem de penetração”, observou Chaves.

Em “um segmento mais maduro”, ele comenta que o Mercado Livre continua sendo considerado “o ativo de maior qualidade” no universo das ações latino-americanas.

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90% dos analistas consultados pela Bloomberg optam por comprar ações da Mercado Livre e apenas 10% optam por mantê-las.

No México, a analista da corretora global HFM opta pelo Grupo Financiero Banorte. Entre os analistas consultados pela Bloomberg, 73,7% tendem a comprar a ação, enquanto 26,3% tendem a mantê-la.

No “segmento defensivo”, afirma que a América Móvil continua se destacando por seus fluxos de caixa previsíveis e sua posição dominante em infraestrutura de telecomunicações. Para os analistas consultados pela Bloomberg, há maior consenso em manter as ações da América Móvil (62,5%) do que em comprá-las (37,5%).

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No Brasil, ele afirma que a Vale oferece exposição a uma eventual recuperação do ciclo industrial global e à crescente demanda por metais ligados à transição energética. Os analistas consultados pela Bloomberg optam principalmente por comprar ações da Vale (60,7%) do que mantê-las (39,3%).

De uma perspectiva técnica, “essas empresas apresentam estruturas de preços saudáveis e tendências de longo prazo bem definidas”, considerou Chaves. “Em nível macro, além disso, elas estão naturalmente alavancadas ao ciclo das matérias-primas e a um ambiente que historicamente tem favorecido a América Latina, marcado por maior liquidez global e um dólar mais fraco”.

Apostas na região

“Destacamos que as ações que mais nos agradam na região são Latam Airlines, Ferreycorp e Grupo de Energía de Bogotá”, disse à Bloomberg Línea a diretora de Equity Research da holding financeira Credicorp Capital, Steffanía Mosquera.

Ela explica que a Latam é a principal escolha no Chile, uma vez que as ações ainda são negociadas a valores descontados em relação às médias anteriores à pandemia.

Ele acrescentou que um relatório recente da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) indica que os níveis de ocupação e as tarifas dos passageiros se manterão estáveis e em níveis elevados em 2026.

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Na sua opinião, isso apoiaria uma sólida geração de caixa para financiar planos de crescimento e eventuais retornos adicionais aos acionistas.

Por outro lado, disse que o conglomerado empresarial peruano Ferreycorp continua demonstrando sua força operacional, impulsionado pelo segmento de peças de reposição e serviços no Peru.

Juanita Pirabán, diretora de crescimento da plataforma de investimento Trii, observa uma maior preferência pelo Chile e pelo Brasil em relação aos mercados desenvolvidos, com avaliações mais exigentes.

De uma perspectiva mais ampla, ela apontou oportunidades nos setores tecnológico e financeiro, bem como em mercados emergentes por meio de ETFs especializados.

No Brasil, Jason Vieira, economista-chefe da Lev Asset Management, sugeriu para 2026 uma carteira diversificada composta por Orizon, Randon, Localiza, Mills, Motiva, Hypera, Sanepar e Centauro, propriedade do Grupo SBF, abrangendo setores como indústria, consumo, infraestrutura e serviços ambientais.

“Criei uma carteira focada em empresas de qualidade, com geração recorrente de caixa e assimetria positiva em um cenário de queda gradual das taxas e normalização do ciclo econômico”, disse Vieira.

Conviver com o ruído

Para Renato Campos, analista de mercados da GH Trading, a América Latina não representa uma aposta homogênea, mas uma combinação de oportunidades que exige uma seleção ativa.

Embora explique que investir na região implique conviver com volatilidade, ruído político e mudanças nas regras, esse mesmo contexto tende a manter as avaliações contidas e abrir espaço para retornos atraentes quando o cenário se normaliza.

Portanto, em vez de antecipar o próximo grande movimento, ele acredita que o foco deve estar na construção gradual de carteiras, priorizando empresas com acesso a capital, relatórios transparentes e modelos capazes de se sustentar além do curto prazo.

Ele considera que o atrativo de investir em ações latino-americanas vai além de um ambiente macroeconômico mais favorável ou de avaliações inferiores em relação aos Estados Unidos.

Para Campos, o segredo está em identificar quais empresas possuem modelo de negócios, escala e disciplina financeira suficientes para capitalizar uma eventual rotação para mercados emergentes quando o ciclo global voltar a favorecer o risco.

“A América Latina é uma região que, quando o contexto acompanha, costuma surpreender”, observou o analista da GH Trading.