Dólar cai 1% e Ibovespa bate recorde após Suprema Corte derrubar tarifaço de Trump

Presidente americano anunciou nova tarifa global de 10% sobre importações após derrota na Justiça; principal índice da B3 avançou 1,06%, aos 190.534 pontos

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Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) atingiu um novo recorde nesta sexta-feira (20), subindo em linha com o otimismo global nos mercados após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar a maior parte das tarifas que o presidente Donald Trump havia implementado no ano passado.

O principal índice da B3 avançou 1,06%, aos 190.534,42 pontos – um novo patamar recorde de fechamento. O ambiente favorável ao risco impulsionou as bolsas globais e derrubou o dólar, que caiu 0,98% contra o real, cotado a R$ 5,18.

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu por 6 votos a 3 que Trump excedeu sua autoridade ao invocar uma lei federal de poderes emergenciais para impor suas tarifas “recíprocas” em todo o mundo, bem como impostos direcionados sobre importações que, segundo o governo, visam combater o tráfico de fentanil.

A medida trouxe alívio para empresas que foram afetadas pelas taxas, além de reduzir as pressões sobre a inflação americana.

Após a decisão, Trump afirmou que assinará uma nova ordem impondo uma tarifa global de 10% sobre as importações.

O presidente afirmou que buscará aplicar a tarifa básica com base na Seção 122 da Trade Act de 1974, que concede ao presidente autoridade unilateral para impor tarifas.

Mas o dispositivo legal, ainda não testado — que permite ao presidente impor tarifas básicas de até 15% — estabelece um limite de 150 dias para a permanência dessas alíquotas em vigor.

A decisão de Trump não foi suficiente para reverter o bom humor dos mercados. Nos Estados Unidos, os três principais índices de ações tiveram ganhos.

  • Dow Jones: +0,47%
  • S&P500: +0,69%
  • Nasdaq: +0,90%

Segundo Michael O’Rourke, da JonesTrading, os investidores não vão ajustar suas perspectivas até que informações concretas sejam fornecidas.

“O mercado está incerto sobre como reagir, dada a falta de clareza sobre os detalhes exatos da futura ordem executiva”, disse Gennadiy Goldberg, da TD Securities, à Bloomberg News.

Neil Dutta, da Renaissance Macro Research, afirma que a questão é mais política do que econômica, pelo menos por enquanto.

“Se Trump retomar as negociações comerciais, teremos mais incerteza. Se ele decidir ceder, estará politicamente em maus lençóis”, disse à Bloomberg News.

-- Com a Bloomberg News.

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