Bloomberg — O real e o peso chileno devem se valorizar no primeiro semestre do ano, antes do período eleitoral intenso que tende a provocar volatilidade na América Latina, de acordo com o principal analista de câmbio da região.
O real continuará a se beneficiar dos elevados diferenciais de taxas de juros, de um banco central hawkish e de fluxos de entrada para carteiras de mercados emergentes no primeiro semestre do ano, disse em entrevista Erwin He, estrategista macro de mercados emergentes do Standard Chartered.
As moedas latino-americanas tiveram um forte desempenho em 2025, com o peso colombiano valorizando quase 17% e o real brasileiro avançando 13%. O peso chileno, com alta de 11%, ficou atrás dos demais.
A valorização se estendeu até o início deste ano — quatro das cinco moedas com melhor desempenho nos mercados emergentes são da América Latina.
No entanto, daqui para frente, as altas generalizadas devem ser mais limitadas, já que o banco espera que o dólar se fortaleça em comparação com os principais concorrentes, em meio a um crescimento resiliente dos EUA.
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“Não esperamos a valorização generalizada das moedas que vimos no ano passado”, disse He, cujas previsões para as moedas latino-americanas foram classificadas como as mais precisas durante três trimestres de 2025. “Trata-se muito mais de escolher vencedores.”
Ele prevê que o dólar cairá para R$ 5,20 até o final do segundo trimestre, ante cerca de R$ 5,39 na quinta-feira (15), antes de se valorizar no final do ano para R$ 5,60, à medida que as tensões políticas aumentarem em meio às eleições presidenciais de outubro.

No Chile, ele argumenta que as avaliações permanecem baixas e que o posicionamento em relação ao peso é cauteloso, deixando espaço para novos ganhos à medida que os investidores locais ajustam gradualmente sua exposição. O estrategista recentemente elevou sua recomendação de curto prazo para a moeda.
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“A seleção de ativos e o timing de mercado – especialmente em torno de eventos binários, como as próximas eleições no Brasil e na Colômbia – devem proporcionar oportunidades interessantes para ampliar os retornos”, escreveu ele em uma nota de 7 de janeiro junto com Gordian Kemen, chefe de estratégia soberana para mercados emergentes do banco. “No geral, continuamos com uma visão construtiva por enquanto.”
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