Mercados

Da inflação ao produtor dos EUA à ata do Fed: os eventos que movem os mercados

Os investidores reúnem as peças para tirar conclusões sobre os próximos passos do Fed em matéria de política monetária; também estão atentos à possibilidade de novos estímulos na China

Estes são os eventos que orientam os investidores e movem os mercados hoje
11 de Outubro, 2023 | 06:13 AM

Barcelona, Espanha — Os mercados se debruçam hoje sobre o Índice de Preços ao Produtor dos Estados Unidos (PPI, na sigla em inglês) e a minuta da reunião do Comitê de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed). Em uma semana que começou carregada de declarações de membros do banco central norte-americano, os investidores juntam todas as peças que lhes permitam tirar conclusões sobre a evolução da política de juros do Fed. Subir ou pausar o aperto monetário? Eis a questão.

🕊️ Novas vozes “dovish”. Na antessala da divulgação da ata do Fed, a dirigente da instituição em São Francisco, Mary Daly, disse que as condições financeiras mais restritivas, acentuadas pela alta recente dos prêmios dos títulos do Tesouro, podem significar que o banco central “não precisa fazer tanto”. O comentário é o último a indicar um cenário mais “brando” para a política monetária dos EUA, aumentando entre os investidores a esperança de que os aumentos dos juros possam estar perto do fim. Ao menos por enquanto.

♟️ Outras peças no tabuleiro. Mas há outras variáveis no jogo de forças entre juros e inflação. Na tentativa de turbinar o crescimento de sua economia, a China estaria considerando aumentar seu déficit orçamentário para 2023, segundo fontes da Bloomberg. O país estuda emitir pelo menos 1 trilhão de yuans (US$ 137 bilhões) de dívida soberana adicional para gastos com infraestrutura. Isso marcaria uma mudança de estratégia de Pequim, já que o governo tem evitado, até agora, um estímulo fiscal mais amplo.

⤵️ Luxo em baixa. As ações da LVMH, a maior fabricante mundial de artigos de luxo, chegaram a cair mais de 8% esta manhã, arrastadas pela desaceleração de suas vendas no terceiro trimestre, um sinal de que o boom do luxo pós-pandemia está perdendo força. Seus pares Richemont, Christian Dior e Burberry Group perdiam em torno de 4% cada.

PUBLICIDADE

A receita orgânica da unidade crucial de moda e artigos de couro do grupo francês, que inclui as marcas Louis Vuitton e Christian Dior, aumentou 9%, informou a empresa na terça-feira, abaixo das expectativas dos analistas e metade do ritmo dos primeiros seis meses. As vendas da unidade de vinhos e destilados caíram 14%, muito abaixo das estimativas.

🪖 No front. Israel intensificou os ataques aéreos contra alvos do Hamas em Gaza e pelo menos dois mísseis foram disparados contra Israel a partir do Líbano. Mais de 1.200 israelenses e cerca de 900 palestinos foram mortos desde que os militantes do Hamas, baseados em Gaza, atacaram Israel no fim de semana. Gaza está ficando sem suprimentos de diesel depois que Israel isolou a área, com as autoridades prevendo um desligamento total da única usina de energia do território dentro de algumas horas.

⛩️ Oferta de ações. O SoftBank vai precificar ¥120 bilhões (US$800 milhões) em ações de classe do tipo bônus a um dividendo anual de 2,5%, o limite inferior da faixa indicativa, depois de obter uma forte demanda de investidores individuais e institucionais, de acordo a Bloomberg. É a primeira oferta pública de tais ações no Japão.

PUBLICIDADE

📈 O vaivém dos ativos. Os contratos futuros de índices dos EUA subiam, em direção contrária das bolsas da Europa. No fechamento do mercado acionário na Ásia, predominou a alta. Em outros mercados, o prêmio de risco do título de 10 anos dos EUA, em baixa, era de 4,552%. O ouro subia, assim como os contratos de petróleo bruto WTI. No mercado cambial, euro, libra esterlina e iene se desvalorizavam frente ao dólar.

(Com informações de Bloomberg News)

LEIA +
Membros do Fed consideram nova pausa no aperto após disparada de títulos do Tesouro
Os mercados esta manhãdfd

🟢 As bolsas ontem (10/10): Dow Jones Industrials (+0,40%), S&P 500 (+0,52%), Nasdaq Composite (+0,58%), Stoxx 600 (+1,96%), Ibovespa (+1,37%)

Mais do que ao conflito entre Israel e o grupo palestino Hamas, o mercado internacional reagiu às perspectivas de um Fed mais brando em sua política monetária. Membros do banco central norte-americano indicaram que os juros podem ser mantidos, sem necessidade de nova alta. Para Raphael Bostic, chefe do Fed de Atlanta, a taxa do país já alcançou níveis restritivos.

Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados e se inscreva no After Hours, a newsletter vespertina da Bloomberg Línea com o resumo do fechamento dos mercados.
LEIA +
Beny Parnes, da SPX, alerta para ‘caminhão’ no retrovisor do Banco Central

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: PPI/Set; Pedidos de Hipotecas MBA; Juros e Índice de Compras MBA; Estoques de Petróleo Bruto Semanal/API; Perspectiva Energética de Curto Prazo/ EIA)

Europa: Alemanha (IPC/Ago); Itália (Produção Industrial/Ago)

Ásia: Japão (Encomendas de Ferramenta Mecânica; Empréstimo Bancário/Set; Núcleo de Encomendas de Maquinaria/Ago); China (Novos Empréstimos; Financiamento social total)

América Latina: Brasil (IPCA/Set; Confiança do Consumidor/Out; Fluxo Cambial Estrangeiro)

PUBLICIDADE

Bancos centrais: Atas da Reunião do FOMC. Pronunciamentos de Christopher Waller, Raphael Bostic e Michelle Bowman (Fed); Sabine Mauderer (Bundesbank); François Villeroy, Klaas Knot e Pablo Hernández de Cos (BCE)

🗓️ Os eventos de destaque na semana →

Leia também:

Dado de emprego é má notícia para o Fed, diz El-Erian. ‘Alguma coisa vai quebrar’

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 13 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e fez um mestrado em Digital Business na ESADE.