Bloomberg Línea — O S&P 500 teve um início de ano negativo e caminha para encerrar o primeiro trimestre de 2026 com perdas próximas a 8%.
Embora o ambiente de investimentos esteja pressionado pela guerra no Irã e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, a compressão dos múltiplos sustenta uma visão mais otimista no médio prazo entre alguns analistas.
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A Bloomberg Línea conversou com especialistas de diferentes instituições financeiras para mapear as preferências setoriais nesse contexto.
A visão do Morgan Stanley
No posicionamento setorial, o Morgan Stanley recomenda sobreponderar finanças, indústria, saúde e consumo discricionário — ou seja, ter uma exposição acima do peso desses setores no índice, diante da expectativa de melhor desempenho relativo. Em seguida, o banco classifica tecnologia, serviços de comunicação, serviços públicos, materiais, energia e consumo básico como “neutros”, indicando exposição alinhada ao índice.
Por fim, atribui recomendação de subponderar a bens de consumo básico e imobiliário, sugerindo menor exposição em um ambiente que favorece setores mais sensíveis ao ciclo econômico.
Os escolhidos da Balanz Capital
Pablo Waldman, gerente de investimentos da Balanz Capital, afirma que o cenário atual favorece setores que combinam resiliência, geração de caixa e avaliações mais atrativas. Nesse contexto, destaca finanças e energia como alternativas para diversificação, em um mercado ainda concentrado nas grandes empresas de tecnologia.
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No setor financeiro, por meio do ETF XLF, ele ressalta a presença de grandes bancos como JPMorgan, Bank of America, Citigroup e Goldman Sachs. Segundo Waldman, essas instituições podem se beneficiar de um ambiente de juros mais elevados, em linha com um eventual retorno da inflação impulsionado pelos preços de energia, além de apresentarem múltiplos mais atrativos que o restante do mercado.
Já no setor de energia, representado pelo ETF XLE, a preferência está ligada ao cenário geopolítico no Oriente Médio.
Empresas como Exxon Mobil, Chevron e ConocoPhillips adotam estratégias focadas em disciplina de capital, geração de caixa, pagamento de dividendos e recompra de ações. Segundo o gestor, essa abordagem, aliada a custos mais baixos e balanços mais sólidos, permite sustentar a rentabilidade mesmo com preços do petróleo inferiores aos atuais.
A escolha do Grupo SBS
Juan Manuel Franco, economista-chefe do Grupo SBS, avalia que o cenário atual é marcado por elevada volatilidade em função do conflito no Oriente Médio, com impacto negativo sobre os principais índices acionários.
Ainda assim, ele destaca que, no médio prazo, há setores com fundamentos sólidos, independentemente das oscilações de curto prazo.
Nesse contexto, aponta o setor de tecnologia, especialmente empresas ligadas ao avanço da inteligência artificial e com base consolidada de clientes, como Meta, Amazon, Microsoft e Apple, além da Nvidia.
Franco também ressalta o componente energético dessa tendência: a expansão dos data centers necessários para sustentar a infraestrutura de IA deve impulsionar a demanda por insumos como urânio, cobre e terras raras, que podem ter desempenho favorável no médio prazo.
Como a XTB Latam vê a situação
Ignacio Mieres, diretor de pesquisa da XTB Latam, afirma que o cenário atual favorece uma estratégia focada em consumo e finanças.
Segundo ele, o enfraquecimento da atividade econômica e a pressão política em ano eleitoral tendem a levar à adoção de políticas voltadas à sustentação do poder de compra e do emprego, beneficiando empresas ligadas ao consumo das famílias.
Ao mesmo tempo, instituições financeiras também podem se beneficiar, especialmente em um ambiente em que as taxas de juros de longo prazo sobem acima das de curto prazo, movimento associado a maior gasto fiscal.
Mieres também vê oportunidades no setor de software, que ficou para trás em relação a semicondutores e infraestrutura de IA.
Após meses de forte interesse por chips e data centers, as avaliações dessas empresas recuaram, abrindo espaço para recuperação caso a incerteza diminua. Por outro lado, ele alerta que empresas mais expostas ao boom da IA podem ser mais vulneráveis a cortes de investimentos por parte das grandes companhias de tecnologia.
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Por fim, o comportamento do dólar também entra na análise.
Em um cenário de desvalorização ou estabilidade da moeda americana, o ouro tende a prolongar a tendência observada em 2025, favorecendo empresas de mineração de ouro e prata.
Nesse contexto, os analistas não veem uma recuperação generalizada do mercado, mas sim uma rotação seletiva em direção a setores beneficiados por estímulos fiscais, dinâmica cambial e normalização das avaliações no segmento de inteligência artificial.
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