Brasil vira peça-chave em virada estratégica de dupla de ex-Schroders na Neuberger

Vera German e Juan Torres planejam um portfólio construído com base menos em megacaps e mais em ações em emergentes ‘negligenciados’ em busca de oportunidades no quintil mais barato do mercado

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Por Carolina Wilson - Zijia Song
18 de Fevereiro, 2026 | 03:00 PM

Bloomberg — Dois ex-coordenadores de um fundo de ações de mercados emergentes da Schroders se juntaram à Neuberger Berman e anunciaram o que, segundo eles, será uma “virada de 180 graus” na estratégia de investimento da gestora.

A dupla - Vera German e Juan Torres - planeja um portfólio construído com base em escolhas de ações com grandes descontos em mercados negligenciados, desde a Indonésia até o Brasil e partes da China. Sua abordagem significa abrir mão de negócios concorridos, como Índia e ações de tecnologia de megacaps.

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“Nossa filosofia e processo de investimento são de natureza muito contrária, o que significa que tendemos a entrar em regiões geográficas onde geralmente há ruído”, disse Torres. “Nosso processo está ancorado na busca de oportunidades no quintil mais barato do mercado.”

A estratégia tem sido surpreendentemente bem-sucedida, uma vez que a dupla diz que “nunca, jamais” teve uma ação indiana ou deteve a Taiwan Semiconductor Manufacturing em suas carreiras de investimento.

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O fundo de valor de mercados emergentes que eles anteriormente administravam em conjunto na Schroders superou pelo menos 97% de seus pares nos últimos anos, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

No ano passado, o fundo apresentou um retorno de 47,7%, em comparação com uma média de 23% dos fundos de sua categoria, segundo os dados.

A estratégia marcou um forte contraste com o consenso do mercado.

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A Índia testemunhou uma corrida de cinco anos pelo mercado em alta e o otimismo em relação a uma recuperação impulsionada pela inteligência artificial impulsionou as ações de mercados emergentes a atingir recordes no início de 2026.

Os ativos totais do fundo de valor de mercados emergentes da Schroders caíram drasticamente de um pico de US$ 349 milhões no início de outubro, desde que German e Torres deixaram a gestora de recursos. A empresa decidiu fechar o fundo “para concentrar nossos recursos em nossas áreas de foco”, de acordo com um porta-voz da Schroders.

Escolhas de ações

Agora, a dupla está levando a abordagem para a Neuberger Berman, que administra cerca de US$ 24 bilhões em ativos emergentes em ações e dívidas.

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Em vez de possuir alguns dos nomes mais populares, como TSMC, Tencent, SK Hynix ou Samsung - que estavam entre as principais participações do Emerging Markets Equity Fund - German e Torres buscarão oportunidades em áreas que caíram em desuso.

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No Sudeste Asiático, a dupla gosta de ações da Indonésia e da Tailândia que se tornaram mais baratas depois da turbulência política e macroeconômica.

Eles viram uma chance de comprar depois que os avisos da MSCI Inc. em janeiro sobre um possível rebaixamento do mercado indonésio fizeram com que as ações despencassem.

“Não estamos realmente em uma situação de desastre. O que importa é se estamos ou não sendo compensados para assumir o risco”, disse Torres, que afirmou ter aumentado as participações na Indonésia durante a derrota.

German também destaca as ações chinesas vinculadas à economia doméstica, que não aproveitaram a alta da IA impulsionada pelo DeepSeek e agora parecem baratas, dada a possibilidade de melhorias macroeconômicas no país.

A dupla também encontra muitas opções no Brasil, onde as altas taxas de juros fizeram com que os investidores deixassem as ações e passassem a buscar rendimentos no mercado de títulos.

Apesar da volatilidade em torno das eleições, German disse que é improvável que o quadro estrutural de longo prazo mude drasticamente.

“O Brasil é um lugar lindo, especialmente em um ano eleitoral, porque as pessoas reagem muito a cada anúncio”, disse German.

“É um mercado de ações parcialmente abandonado onde, seletivamente, encontramos ideias interessantes.”

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