Brasil tem um dos maiores índices de inadimplência bancária em LatAm; Argentina lidera

A carteira de crédito vencido do setor bancário latino-americano continuou aumentando e atingiu US$ 104,6 bilhões em março de 2026, 44% acima do valor registrado um ano atrás

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Bloomberg Línea — A Argentina, o Brasil e a Colômbia registraram os níveis mais altos de inadimplência bancária da América Latina até o primeiro trimestre de 2026, de acordo com um relatório da Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban).

O Relatório Econômico Bancário Trimestral aponta que a Argentina registrou o maior índice de inadimplência bancária da América Latina, com um indicador de 7,3% em março de 2026.

Segundo Joaquin Wendnagel, analista de pesquisa da Aurum Valores, o aumento da inadimplência na Argentina parece ser resultado de uma combinação entre uma expansão muito rápida do crédito, a incorporação de novos segmentos de maior risco e uma evolução da renda que não conseguiu acompanhar o aumento do endividamento.

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Segundo Wendnagel, “a desaceleração subsequente do crédito agravou estatisticamente o fenômeno, uma vez que o denominador do índice deixou de crescer enquanto os saldos em atraso continuavam aumentando”.

A inadimplência no crédito privado apresentou uma forte deterioração desde o final de 2024, paralelamente à rápida expansão do sistema de crédito. No caso das famílias, a inadimplência bancária passou de apenas 2,5% em outubro de 2024 para 12,8% em maio de 2026, enquanto nas empresas passou de 0,7% para 3,5%.

De acordo com a Aurum Valores, em junho surgiu o primeiro sinal de estabilização: após 19 meses consecutivos de alta, a inadimplência das famílias diminuiu ligeiramente para 12,7%, a das empresas permaneceu em 3,5% e a inadimplência total recuou de 7,7% para 7,6%.

“O caso argentino, como sempre, é o mais complexo, já que uma das principais iniciativas do atual governo tem sido a expansão do crédito às famílias, mas isso vem acompanhado de um cenário de desaceleração econômica, ajuste fiscal, aumento das tarifas e taxas de juros ainda elevadas, o que prejudicou a capacidade de pagamento das famílias”, afirmou ao nosso veículo o analista financeiro Gregorio Gandini.

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Em seguida vieram o Brasil, com 4,3%, e a Colômbia, com 3,7%, segundo o relatório da Felaban.

Por um lado, o Brasil mantém uma taxa de juros elevada, embora o Banco Central já tenha iniciado um ciclo de cortes e reduzido a Selic para 14% após a inflação ter se moderado.

No entanto, o custo do crédito continua alto e, somado às pressões inflacionárias ainda existentes, mantém o risco de um aumento da inadimplência.

Na Colômbia, afirmou Gandini, o cenário de altas taxas de juros também está pressionando as famílias de menor renda, que, além disso, enfrentam uma inflação persistente.

“A isso se soma o alto nível de informalidade no mercado de trabalho, que chegou a 54,5% entre abril e junho, segundo o Dane (Departamento Administrativo Nacional de Estatística). Essa situação gera rendas mais voláteis e, portanto, uma maior sensibilidade das famílias aos aumentos de preços”, observou ele.

Por outro lado, segundo Felaban, a República Dominicana (1,1%), El Salvador (1,4%) e o Uruguai (1,7%) apresentaram os menores índices da região.

A carteira de crédito inadimplente do setor bancário latino-americano continuou aumentando e atingiu US$ 104.621 milhões em março de 2026, 44% acima do valor registrado um ano antes.

Apesar disso, segundo a Felaban, o indicador agregado de inadimplência aumentou 2,78% em março de 2026, em comparação com os 2 ,51% registrados um ano antes.

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Países da América Latina com maior índice de inadimplência bancária:

PaísDezembro de 2019Dezembro de 2023Março de 2026
Uruguai3,21,81,7
República Dominicana1,50,71,1
Peru3,04,33,0
Paraguai2,42,92,3
Panamá2,02,62,4
Nicaráguan.d.n.d.n.d.
México2,22,12,2
Honduras2,42,12,1
Guatemala2,21,72,3
El Salvador1,81,81,4
Equador2,73,23,1
Costa Rica2,62,02,2
Colômbia4,34,93,7
Chile2,12,12,4
Brasil2,93,24,3
Bolívia1,82,92,8
Argentina5,43,77,3

Por outro lado, os gastos com provisões para risco de crédito do sistema bancário regional totalizaram US$ 165.550 milhões em março de 2026, com a variação em relação ao ano anterior diminuindo para 27%.

“No entanto, em termos relativos, esse indicador de cobertura (despesas com provisões ÷ saldo da carteira vencida) diminuiu de 170% (março de 2025) para 164% (março de 2026)”, destaca o documento.

O relatório mostra que o indicador de solvência do setor bancário regional (capital regulatório ÷ ativos ponderados pelo nível de risco) ficou em média em 16,9% no primeiro trimestre de 2026, ligeiramente superior aos 16,8% de dezembro de 2025 e inferior aos 17,2% registrados um ano atrás.

Lucro líquido do setor bancário

No primeiro trimestre de 2026, o setor bancário regional registrou lucro líquido de cerca de US$ 22 bilhões, 13% a mais do que no ano anterior, embora 16% a menos do que no trimestre anterior.

A Bolívia e o Panamá lideraram o crescimento anual, com aumentos de 107% e 103%, respectivamente.

Por outro lado, a Argentina, o Brasil, o Chile, a Costa Rica e o México registraram quedas, mas nenhum país da região relatou perdas.

A rentabilidade sobre os ativos (ROA) do setor bancário latino-americano “consolidou sua tendência de alta”, segundo a Felaban.

Essa taxa ficou em 1,7% ao final do primeiro trimestre de 2026, acima do registrado no trimestre anterior (1,55%) e do registrado há um ano (1,54%).

Da mesma forma, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) do setor bancário latino-americano apresentou uma recuperação no primeiro trimestre de 2026, atingindo uma média de 17,1%, superior aos 14,2% do trimestre anterior e aos 14,7% registrados há um ano.

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