Bloomberg Línea — As oportunidades de investimento no setor bancário latino-americano continuam concentradas no Brasil, no México e no Peru, embora com riscos que variam de acordo com o mercado.
O UBS mantém recomendações de compra para instituições desses três países, ao considerar que, apesar da deterioração de alguns indicadores de qualidade dos ativos, os bancos tradicionais brasileiros, várias instituições mexicanas e a Credicorp, no Peru, apresentam um perfil atraente na região.
A análise dos especialistas Thiago Batista, Beatriz Shinye e Kaio Prato parte de uma comparação entre bancos do Brasil, México, Peru, Colômbia e Chile. A principal diferença reside na evolução da qualidade dos ativos.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
Embora o Brasil enfrente os maiores desafios de crédito da região, o UBS mantém lá várias de suas principais recomendações de compra, ao considerar que os bancos tradicionais demonstram maior capacidade de absorver essa deterioração.
“Atualmente, estamos diante de um cenário de deterioração da qualidade dos ativos no Brasil, certa estabilidade no México e no Chile e tendências positivas no Peru e na Colômbia”, resumem os analistas.
O UBS mantém recomendações de compra para a Nu (NU), o Bradesco (BBDC4), o Santander Brasil (SANB11) e o Inter (INBR32) no Brasil; Banorte (GFNORTEO) e Banco del Bajío (BBAJIOO) no México; e Credicorp (BAP) no Peru, ao considerar que cada um deles apresenta fatores específicos que compensam os riscos identificados em seus respectivos mercados.
Brasil: maior pressão, mas oportunidades seletivas
O Brasil concentra tanto os maiores desafios quanto várias das principais apostas do UBS. O relatório identifica uma deterioração na qualidade dos ativos tanto no segmento de pessoas físicas quanto no corporativo, impulsionada por um elevado nível de endividamento das famílias e por um contexto de taxas de juros altas por um período mais prolongado.
Leia também: Como as economias da América Latina resistiram ao choque da guerra no Irã
No entanto, os analistas fazem uma distinção entre os grandes bancos já estabelecidos e os novos participantes do mercado.
“A maioria dos bancos privados tradicionais conseguiu manter tendências relativamente positivas sem um aumento significativo em seu custo de risco, o que não ocorreu com a maioria dos novos participantes”, escrevem Batista, Shinye e Prato.
O UBS considera que essa diferença continuará a influenciar o desempenho nos próximos meses. “Para os próximos trimestres, vemos uma tendência mais favorável para os bancos tradicionais, enquanto as preocupações com os novos participantes devem continuar”, embora acrescentem que o programa governamental Novo Desenrola possa beneficiar a Nu devido ao perfil de sua base de clientes e à composição de sua carteira.
Leia também: FMI vê América Latina resiliente em 2026, mas com ritmos distintos entre países
No entanto, a empresa alerta que o Brasil apresenta os maiores níveis de custo de risco entre os mercados latino-americanos analisados. As perdas contábeis da carteira giram em torno de 1,0% entre os bancos brasileiros e chegam a 2,9% na Nova Zelândia durante o primeiro trimestre de 2026, acima dos níveis observados no México e nos países andinos.
O México e o Peru apresentam um panorama mais favorável
No México, o UBS identifica sinais iniciais de deterioração em alguns segmentos, especialmente cartões de crédito e empréstimos pessoais, embora considere que a situação continua sob controle.
Os analistas apontam que “os bancos mexicanos mantêm um nível relativamente bom de índice de inadimplência, embora com alguns sinais iniciais de deterioração”, enquanto os indicadores continuam claramente abaixo dos registrados no Brasil.
O custo do risco apresenta uma evolução estável e a inadimplência permanece praticamente inalterada entre os bancos abrangidos pela entidade, sendo a Gentera a principal exceção.
Leia também: As ações mais recomendadas para julho, segundo 10 bancos e corretoras
No mercado mexicano, o UBS mantém sua preferência pelo Banorte e pelo Banco del Bajío, instituições que continuam figurando entre suas recomendações de compra.
O panorama é mais favorável no Peru e na Colômbia.
O UBS afirma que “o Credicorp também vem apresentando uma tendência positiva na qualidade dos ativos; sua principal unidade de negócios no Peru (BCP) tem apresentado uma melhora na qualidade dos ativos e um custo de risco administrável”. Além disso, considera que um maior dinamismo econômico após as eleições poderia reforçar essa evolução, mesmo com uma expansão do crédito ao consumo.
O relatório resume essa visão ao afirmar que “no geral, o panorama da qualidade dos ativos desses bancos andinos é positivo”, uma avaliação que corrobora a recomendação de compra para a Credicorp na região.
Na Colômbia, a agência mantém uma classificação neutra para o Grupo Cibest (CIB) e uma recomendação de venda para o Davivienda Bank (PFDAVVND) e o Davivienda Group (PFDAVIGR).
Mesmo assim, os analistas destacam que “na Colômbia há uma clara melhora nos indicadores de qualidade dos ativos de todos os bancos; a taxa de inadimplência e o custo de risco despencaram desde 2023-24”, uma evolução que diferencia o mercado colombiano da deterioração observada no Brasil.
Além das diferenças entre os países, o UBS destaca que os níveis de cobertura permanecem sólidos para quase todas as instituições monitoradas.
A evolução da qualidade dos ativos, especialmente no Brasil, juntamente com a estabilidade observada no México e a continuidade das melhorias no Peru e na Colômbia, continuarão sendo os principais fatores para avaliar se essas recomendações mantêm sua atratividade nos próximos trimestres.