BofA eleva projeção para o Ibovespa e mantém recomendação de compra para Brasil

Banco de Wall Street revisou estimativa de 180.00 para 210.000 pontos para o índice brasileiro ao fim de 2026 após fluxo para a região resistir à volatilidade geopolítica

Por

Bloomberg Línea — O Bank of America (BofA) revisou para cima sua projeção para o Ibovespa (IBOV) ao fim de 2026, elevando a estimativa de 180.000 para 210.000 pontos — um potencial de alta adicional de cerca de 8,8% frente aos 192.889 pontos de fechamento desta quarta-feira (22).

A nova projeção considera que os mercados latino-americanos têm sido capazes de atrair fluxo de capital mesmo em meio ao cenário de turbulência com a guerra no Oriente Médio. A expectativa é que o movimento continue e ganhe ainda mais força conforme o conflito perca força.

“Acreditamos que um eventual cenário de desescalada [na tensão internacional] poderia contribuir para a persistência dos fluxos de capital para mercados emergentes, impulsionado pela redução das pressões inflacionárias e pela renovação do espaço disponível para os bancos centrais reduzirem as taxas de juros”, escreveram os estrategistas David Beker, Paula Andrea Soto, Carlos Peyrelongue, Mateus Conceição e Anna Clara Malheiros.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Em conversas com investidores, os estrategistas identificaram que a fraqueza do dólar é tida como condição essencial para a continuidade do chamado “trade de emergentes”.

O banco segue com posição overweight (equivalente à compra) em Brasil e Argentina, neutra no México e mantém exposição ao Peru dentro do bloco andino.

Brasil como principal aposta

O Brasil é a principal aposta do BofA entre os emergentes. A expectativa é que o cenário internacional mais tranquilo abra caminho para a queda da taxa básica de juros. A expectativa do banco é de Selic a 13,25% no final de 2026, recuando para 12,50% em 2027.

Na visão dos estrategistas, a trajetória abriria espaço gradual para alívio das condições financeiras das companhias brasileiras. A projeção de crescimento de lucros por ação para as empresas domésticas é de 27% para 2026 e 20% para 2027.

Leia também: Citi vê oportunidades para a América Latina em meio ao choque do Oriente Médio

O relatório reforça, no entanto, que há risco real de revisão para baixo desses números caso os juros permaneçam elevados por mais tempo do que o esperado.

Os estrategistas também alertam que as bolsas brasileiras não estão mais baratas sob uma perspectiva de valuation, e que o múltiplo-alvo adotado no modelo é ligeiramente abaixo dos patamares atuais para precificar o risco eleitoral dos próximos meses.

Vale lembrar ainda que existe alta concentração da performance do índice. Embora o Ibovespa acumule alta de 21% no ano até agora, a performance mediana das ações que o compõem fica próxima a 13%.

Somente as empresas do setor de petróleo responderam por quase um terço da contribuição em pontos do índice no acumulado do ano — o que, na avaliação do banco, requer atenção à liderança setorial nos próximos meses.

Estratégia de investimento

No Brasil, o BofA prefere não focar apenas na pontuação do índice, mas sim na rotação setorial. Para um cenário de desescalada, com eventual queda da inflação e melhora das perspectivas eleitorais, os estrategistas enxergam potencial expressivo de valorização para nomes sensíveis à taxa de juros.

Já em um ambiente de risco geopolítico persistente, commodities e utilities — mais associadas a uma estratégia de estagflação — tendem a continuar na liderança.

“Nossa visão é de um meio-termo, que, em nossa opinião, poderia favorecer empresas do setor financeiro, que têm exposição ao mercado doméstico com menor risco de perda de lucros; e empresas alavancadas com geração de caixa resiliente, para manter o potencial de crescimento caso as condições financeiras melhorem mais rapidamente do que o esperado”, escreveram os estrategistas.

No lado negativo, o banco tem posição underweight (equivalente à venda) em varejistas, shoppings e telecomunicações, e adota posição neutra em Petrobras e Vale, que têm peso relevante no Ibovespa.

No México, o banco mantém posição neutra, equilibrando o potencial de valorização ligado a eventuais avanços nas negociações do Acordo Estados Unidos-México-Canadá com o cenário de desaceleração da atividade e incertezas relacionadas a reformas constitucionais.

Em um cenário de desescalada global, o banco vê espaço de valorização para o setor imobiliário mexicano, com preferência pelos produtos de Vesta e Funo.

Leia também

Itaú Optimus aposta em queda dos juros e dólar em plena guerra

Nove em cada dez consumidores na América Latina usam pagamento digital, diz Mastercard