Bloomberg — As ações globais operam em queda nesta sexta-feira (29), antes da divulgação dos dados de inflação dos EUA, o PCE de julho, que podem ajustar as expectativas sobre a velocidade com que o Fed poderá cortar os juros.
Os futuros do S&P 500 caíram 0,3% depois de o índice de referência ter atingido um novo recorde histórico.
A Dell Technologies recuou mais de 5% no pré-mercado após reportar uma desaceleração nas vendas de servidores de inteligência artificial.
Os contratos do Nasdaq 100 caíram 0,4%. As ações europeias recuaram 0,5%, com os papéis franceses novamente sob pressão em meio à crise política em curso.
Os Treasuries de longo prazo caíram, com o rendimento dos papéis de 30 anos subindo três pontos-base para 4,90%.
O recuo nos títulos europeus foi menos intenso após leituras de preços ao consumidor mais fracas do que o esperado na França e na Espanha. O dólar ficou praticamente estável, caminhando para interromper uma sequência de três semanas de perdas.
A inclinação mais dovish do presidente do Fed, Jerome Powell, em Jackson Hole reforçou as apostas para o primeiro corte de juros do ano já no próximo mês. No entanto, ainda persistem dúvidas sobre os próximos passos, já que a inflação segue acima da meta.
O relatório de sexta-feira deve mostrar que o núcleo do índice de despesas de consumo pessoal (PCE) subiu 2,9% em julho, o ritmo mais rápido em cinco meses.
Os diretores de política terão de equilibrar a pressão inflacionária com os dados da próxima semana, que devem apontar aumento do desemprego.
“Com as atenções se voltando para a fraqueza do mercado de trabalho, qualquer surpresa positiva moderada dificilmente mudará as expectativas de um corte em setembro, seguido de outro até o fim do ano”, escreveu Ipek Ozkardeskaya, analista do Swissquote Bank.
“No entanto, não há garantia de que a inflação permanecerá contida.”
No mercado de commodities, o petróleo devolveu parte dos ganhos da sessão anterior diante do arrefecimento das esperanças de fim da guerra na Ucrânia, o que reduz a chance de mais oferta russa chegar ao mercado global no curto prazo.
O Brent caminha para fechar o mês em queda, à medida que investidores pesam os riscos de um excesso de oferta iminente junto com as tensões geopolíticas.
Veja a seguir outros destaques desta manhã de sexta-feira (29 de agosto):
- Lula aumenta tom contra tarifas. O presidente brasileiro autorizou o início de um processo de retaliação às tarifas de 50% impostas por Donald Trump. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a decisão será notificada formalmente aos EUA e busca estimular negociações antes de uma possível escalada comercial.
- Dell sob impacto de IA. A empresa reportou queda de 53% nos pedidos de servidores de IA, para US$ 5,6 bilhões, bem abaixo dos US$ 12,1 bilhões do trimestre anterior. Mesmo após o resultado, a Dell elevou o guidance anual para vendas de US$ 107 bilhões e prevê entregar US$ 20 bilhões em servidores de IA até o fim do ano fiscal.
- Remy Cointreau ajusta guidance. A fabricante de conhaques prevê um impacto menor do que o esperado anteriormente das tarifas dos EUA sobre os negócios, o que levou a companhia a reduzir o impacto do lucro operacional para € 30 milhões ante € 45 milhões. A empresa manteve a previsão de crescimento de vendas.

🔘 As bolsas ontem (28/08): Dow Jones Industrials (+0,16%), S&P 500 (+0,32%), Nasdaq Composite (+0,53%), Stoxx 600 (-0,20%), Ibovespa (+1,32%)
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-- Com informações da Bloomberg News.
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