Ações globais caem com sinais de superaquecimento dos mercados; ouro e petróleo recuam

Investidores entram em modo cautela após rali recorde, com recuo de ações e commodities

NO RADAR DOS MERCADOS
07 de Janeiro, 2026 | 06:51 AM

Bloomberg — As ações globais operam em queda nesta quarta-feira (7), depois que o rali global recorde perdeu fôlego, após uma forte disparada deixar os mercados com sinais de superaquecimento.

Os futuros do S&P 500 ficaram praticamente estáveis após o índice atingir um novo recorde na terça-feira. As ações europeias operaram de lado, enquanto um índice de ações asiáticas caminha para sua primeira queda diária de 2026.

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Os metais preciosos também recuaram: a prata caiu abaixo de US$ 80 por onça e o ouro interrompeu uma sequência de três dias de alta.

O cobre recuou de um recorde histórico, enquanto o níquel ficou praticamente estável, acompanhando a correção mais ampla dos metais industriais. O petróleo caiu depois que o presidente Donald Trump afirmou que a Venezuela entregará até 50 milhões de barris de petróleo aos EUA.

Os mercados acionários estão fazendo uma pausa após um início forte de 2026, marcado pela ampliação do rali impulsionado por inteligência artificial entre regiões e setores. Os ganhos levaram o índice de força relativa (RSI) de 14 dias — um indicador de momentum — das ações europeias e asiáticas para acima de 70, sinalizando condição de sobrecompra.

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Mercados acionários da Ásia, Europa e emergentes

Dados econômicos dos EUA sobre mercado de trabalho e atividade empresarial, previstos para esta semana, devem testar se o otimismo se sustenta, após investidores em grande parte ignorarem riscos geopolíticos, incluindo os ligados à Venezuela.

“Teremos um caminho mais turbulento do que os mercados estão precificando”, disse Naomi Fink, estrategista-chefe global da Amova Asset Management, em entrevista à Bloomberg TV.

“As tensões geopolíticas estão disseminadas no mundo agora. O mercado meio que as deixa de lado.”

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Em outros segmentos, um índice do dólar da Bloomberg manteve os ganhos da sessão anterior. Os Treasuries avançaram levemente, com o rendimento do título de 10 anos caindo dois pontos-base, para 4,16%. O Brent recuou 0,8%, para pouco acima de US$ 60 o barril.

O que dizem os estrategistas da Bloomberg… Haverá um sinal claro de momentum para os pessimistas do petróleo se os futuros caírem abaixo de US$ 55 no curto prazo. Seja por uma recuperação com compras por valor relativo ou por uma queda para uma faixa de negociação mais baixa, o petróleo voltou ao topo dos gráficos de risco para gestores macro.

— Mark Cranfield, estrategista da MLIV. Para a análise completa, clique aqui.

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Enquanto isso, Pequim impôs controles a exportações para o Japão com potencial uso militar, no mais recente episódio de tensões diplomáticas entre os dois países asiáticos relacionadas a Taiwan. O Nikkei 225 caiu 1,1%.

Veja a seguir outros destaques desta manhã de quarta-feira (7 de janeiro):

- Siemens reforça aposta em automação.O CEO da empresa, Roland Busch, disse em entrevista àBloomberg Televisionver espaço para novas aquisições em IA, ciências da vida e softwares industriais. A empresa também aprofundou a parceria com a Nvidia para criar um sistema operacional de IA capaz de controlar fábricas.

- Plano de Trump para o petróleo venezuelano. O presidente dos EUA disse que a Venezuela vai entregar de 30 a 50 milhões de barris de petróleo sancionado aos EUA, que seriam vendidos a preço de mercado com recursos destinados a “beneficiar os dois países”. Após a declaração, o petróleo WTI caiu até 2,4%.

- Goldman Sachs vê ganhos para ações chinesas. O banco projeta que as ações chinesas continuarão em alta em 2026, impulsionadas por lucros apoiados por IA e medidas políticas. O banco estima alta de 20% no MSCI China e de 12% no CSI 300 até o fim de 2026, com crescimento dos lucros acelerando para 14%.

Ações globais 07/01/25
🔘 As bolsas ontem (06/01): Dow Jones Industrials (+0,99%), S&P 500 (+0,62%), Nasdaq Composite (+0,65%), Stoxx 600 (+0,58%), Ibovespa (+1,11%)

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-- Com informações da Bloomberg News.

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