Bloomberg Línea — Se há 10 anos a Olympikus não era lembrada - ou citada - por praticantes de corrida, agora a marca está em outra posição e quer mostrar que pode contribuir para construir o futuro do esporte e, potencialmente, formar os novos ídolos.
A marca apresentou nesta terça-feira (24) o Corre Pace, seu primeiro “ultratênis” com placa de carbono desenvolvido e fabricado no Brasil, voltado para a elite do esporte, e oficializou a criação do Corre do Amanhã, programa de longo prazo focado na formação de jovens talentos do atletismo nacional em parceria com o Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima (IVCL).
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O Corre Pace chega ao mercado como o modelo mais avançado já criado pela fabricante nacional. Com peso de 140 gramas (no tamanho 40) e drop de 6mm (diferença de altura entre a parte traseira e a parte frontal do tênis), o calçado foi projetado para corredores com pisada de médio-pé ou antepé que buscam recordes pessoais.
O modelo combina um cabedal Oxitec 5.0, feito com fios ultrafinos de poliamida para reduzir peso e melhorar a ventilação, com uma entressola NT-X Elite — espuma 100% PEBA expandida com nitrogênio, processo que aumenta a leveza e a capacidade de retorno de energia. No interior, a placa Carbon-G, formada por três camadas de fibra de carbono, ajuda a impulsionar a passada.
O solado utiliza borracha PROGRIP em poliuretano termofixo para ampliar a aderência, enquanto a geometria Rocker de 37º — uma curvatura acentuada na parte frontal — facilita a transição do pé do contato com o solo para a impulsão. A durabilidade estimada é de cerca de 200 quilômetros.
“Chegamos a um lugar em que a inovação precisa ser contínua. Para seguirmos desenvolvendo e buscando novos materiais, precisamos ter um espaço realmente de laboratório. O produto nasce para trazer essa visão de futuro”, afirmou Márcio Callage, CMO da Vulcabras (VULC3), dona da Olympikus, à Bloomberg Línea.
Posicionado no segmento de altíssima performance, o modelo terá um lote de 1.500 pares comercializados a partir de 7 de março, com preço sugerido de R$ 1.999,99. A exclusividade não é apenas uma estratégia de escassez, mas uma limitação fabril devido à complexidade do projeto.
“É um produto impossível de ser produzido em escala. Tem um número limitado de solas que a gente consegue fazer por semana. É um projeto artesanal que se torna inviável para qualquer marca do mundo produzir em escala”, afirma Callage.
O produto é a nova peça de “Fórmula 1” da Olympikus, uma analogia que o executivo costuma usar para explicar a importância da tecnologia dos produtos de corrida para o desenvolvimentos dos tênis que serão usados por brasileiros no dia a dia. Anualmente, a marca vende mais de 15 milhões de pares de tênis.
O tempo de desenvolvimento do calçado foi de cerca de um ano e meio e o conceito é que a tecnologia não fique restrita aos 1.500 compradores, e sim seja replicado no portfólio comercial da empresa com o tempo.

A linha Corre é a principal da Olympikus no mundo da corrida e tem ajudado a marca nos últimos a atrair consumidores e ampliar as receitas.
A linha contribuiu para a expansão da Vulcabras, também detentora do direito das marcas Mizuno e Under Armour no Brasil, que acumula 21 trimestres consecutivos de crescimento no faturamento.
Os atletas do futuro
De acordo com pesquisa da Box 1824 a pedido da própria Olympikus, mais de 15 milhões de brasileiros praticam corrida. Num momento de disseminação do esporte, uma questão que persiste é quando o Brasil voltará a ter ídolos no cenário, como Vanderlei Cordeiro de Lima, Marílson dos Santos, Maria Zeferina Baldaia e Ronaldo da Costa, nomes das décadas de 1990 e 2000.
Um projeto, o “Corre do Amanhã”, criado em parceria com o Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima (IVCL), procura fomentar um futuro mais promissor para o esporte. No comando, estará Ricardo Antônio D’Angelo, treinador e mentor do Vanderlei.
A infraestrutura oferecida inclui suporte multidisciplinar que envolve bolsas de estudo, alojamento, acesso ao Centro Esportivo de Alto Rendimento de Campinas (CEAR), assistência social, nutricional e apoio psicológico e médico periódico.
O projeto começará atendendo 10 atletas - 4 jovens já foram selecionados - na faixa etária entre 18 e 23 anos e contempla um período de oito anos.
“Estamos olhando para o processo de formação e desenvolvimento do atleta, que não se dá em um ou dois anos”, afirma Antônio D’Angelo. “A nossa ambição e o nosso desejo é de formar um atleta olímpico”.
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