Bloomberg Línea — O CEO da editora italiana Panini no Brasil, Raúl Vallecillo, afirmou que o término da licença com a FIFA decorre de uma decisão da licenciada e não da empresa, em um contexto em que a empresa busca diversificar seus negócios para além dos álbuns de futebol.
Com relação ao término da licença com a FIFA, Raúl Vallecillo destacou, em entrevista à Bloomberg Línea, o grau de diversificação atual do negócio.
Ele destacou a variedade de licenças que a Panini possui, que abrangem não apenas álbuns de figurinhas, mas também publicações de quadrinhos e mangás.
A decisão de romper o vínculo histórico com a Panini “cabe exclusivamente à licenciada” (FIFA), afirmou ele. “É uma decisão de terceiros (...) buscaremos as melhores alternativas para dar continuidade a essa história”.
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Agora, “a Panini sempre vai se esforçar para oferecer o melhor aos seus consumidores, e isso inclui todo o nosso portfólio de entretenimento, como no caso do futebol”.
A Panini não produzirá mais o tradicional álbum da Copa do Mundo, após a FIFA ter anunciado um acordo com a Fanatics pela licença, que inclui cartões colecionáveis e figurinhas do torneio de futebol.
O acordo terá início em 2031 e os novos produtos serão fabricados pela marca Topps, de propriedade da Fanatics, anunciou a FIFA em um comunicado.
Essa parceria deixa de fora a Panini, a editora italiana que, desde 1970, produz o álbum de figurinhas colecionáveis.
O CEO da Panini no Brasil não confirmou se, no futuro, a marca teria alguma presença na Copa do Mundo após 2030.
“A Panini continuará sendo o que todos conhecemos: uma empresa de entretenimento que nos acompanha há muito tempo e que tem essa história de fazer parte de um colecionismo para ser lembrado e continuar avançando nas próximas coleções”, disse o executivo chileno na entrevista.
Ainda no dia 30 de abril, a Panini lançou a edição 2026 do seu álbum, o maior da história, com 980 figurinhas, que se transformou em uma exposição de figurinhas monumentais que percorrerá as cidades-sede do torneio no México entre maio e julho.
Será o penúltimo álbum que a Panini lançará como parte de seu atual contrato com a FIFA, que termina em 2030.
Com isso, chegará ao fim uma tradição de mais de 60 anos relacionada à Copa do Mundo, durante a qual a editora italiana publicou 15 álbuns de imagens.
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Vendas na América Latina
O CEO da editora italiana no Brasil afirmou que as vendas parciais relacionadas ao álbum da Copa do Mundo de 2026 estão 24% acima em comparação com a edição do Catar 2022 nos países da região que ela atende.
“Isso significa que a grande demanda dos países deste lado do mundo fez com que esse número aumente constantemente”, disse Raúl Vallecillo à Bloomberg Línea.
Quanto aos mercados mais ativos na compra do álbum da Copa do Mundo de 2026 na região, ele afirmou que os principais são Brasil, Argentina, Colômbia e Chile, que apresentaram um crescimento sustentado bem acima do previsto pela Panini.
Cada um desses mercados, consequentemente, registrou um aumento no número de colecionadores e nos canais de distribuição, observou o executivo.
O Brasil está entre os cinco mercados mais importantes para a Panini na temporada da Copa do Mundo, não apenas pelo tamanho do seu mercado, mas também pelo grande interesse que o torneio de seleções mais importante do mundo desperta.
“Hoje, embora estejamos trabalhando 24 horas por dia, 7 dias por semana, há mais de dois meses, principalmente em tudo o que diz respeito à fábrica, a grande variedade de álbuns, em diferentes versões e para diferentes mercados, nos obriga a manter uma produção e distribuição constantes em cada um desses mercados”, comentou o CEO da Panini Brasil.
Ele afirmou que, para o álbum da Panini da Copa do Mundo, é feito um planejamento detalhado com três anos de antecedência em áreas como operações, comercial e editorial, para que o produto chegue a tempo em cada um dos mercados.
A matriz italiana da Panini administra as filiais nos Estados Unidos, no México, no Brasil e no Chile.
Os demais mercados, incluindo a Colômbia, operam por meio de distribuidores oficiais que administram, em coordenação com a Panini, toda a operação nesses países.
Atualmente, “no caso da Panini Global, a empresa possui uma fábrica principal em Modena [na Itália] que atende principalmente ao mercado europeu, à região da América do Norte e a outros mercados em outros continentes”.
Na Panini Brasil, a fábrica atende toda a América Central e a América do Sul. “Portanto, o esforço operacional realizado a partir do Brasil abrange praticamente 80% deste continente”.
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Aposta em novos colecionadores e público feminino
Sobre o crescimento da demanda, Raúl Vallecillo destacou a incorporação de novos segmentos de consumidores, diretamente relacionada ao colecionismo.
Ele também mencionou o aumento da demanda por parte do público feminino, que está ajudando a impulsionar as vendas do álbum da Copa do Mundo.
Por outro lado, “quando se trata de um evento como a Copa do Mundo, o público se torna muito mais diversificado, pois temos desde crianças bem pequenas até pessoas bem mais velhas que acompanham a cobertura”.
“Também não se pode ignorar que o fenômeno social associado a um álbum está relacionado a esse grau de interação que um evento tão importante como a Copa do Mundo proporciona. É preciso promover, em cada um dos segmentos, a possibilidade de compartilhar e trocar figurinhas, principalmente.”
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Futuro da Panini após término da licença com a FIFA
Com relação ao término da licença com a FIFA, Raúl Vallecillo destacou o atual grau de diversificação do negócio.
Ele destacou a variedade de licenças que a Panini possui, que abrangem não apenas álbuns de figurinhas, mas também publicações de quadrinhos e mangás.
Agora, “a Panini sempre vai se esforçar para oferecer o melhor aos seus consumidores, e isso inclui todo o nosso portfólio de entretenimento, como no caso do futebol”.
O CEO da Panini Brasil não confirmou se, no futuro, a marca manterá alguma presença na Copa do Mundo após 2030. “A Panini continuará sendo o que todos conhecemos: uma empresa de entretenimento que nos acompanha há muito tempo e que tem o histórico de fazer parte de um colecionismo para ser lembrado e continuar avançando nas próximas coleções”.
Inflação e matérias-primas elevam os custos do álbum
O impacto da inflação na América Latina refletiu-se nos custos operacionais da Panini na região.
Os custos mais elevados associados ao álbum da Copa do Mundo de 2026 estão diretamente relacionados ao tamanho da coleção.
Como esta coleção conta com um número maior de figurinhas, devido ao fato de haver o maior número de seleções participantes da história, o custo unitário de produção aumenta.
“Todas as aquisições de matérias-primas nos diversos mercados para a fase produtiva também sofreram um aumento significativo de preço, em função da evolução dos preços das matérias-primas, seja devido a conflitos bélicos ou ao efeito do pós-pandemia”, observou o executivo.
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Esse custo mais elevado do produto está relacionado, em parte, ao valor atual do produto nos diferentes mercados.
No entanto, Raúl Vallecillo afirma que o custo não foi repassado integralmente aos consumidores.
“Portanto, qualquer eventual ajuste de custos está diretamente relacionado à rentabilidade — ou à falta dela — que podemos alcançar em cada um dos produtos que fabricamos”, afirmou ele.
As matérias-primas utilizadas pela Panini na América Latina provêm de diversos locais, já que as fontes de produção de papel, por exemplo, estão localizadas no Canadá, na Espanha e em outros mercados. “Embora haja consumo dentro da América Latina, também há um forte volume de importações provenientes de outros mercados fora do continente”.
Figurinhas de jogadores ausentes
Em resposta à pergunta sobre os jogadores que não foram incluídos nesta edição do álbum da Copa do Mundo, como foi o caso de Neymar, a Panini confirmou que, de fato, haverá uma solução para os colecionadores.
Nos últimos Mundiais, a Panini lançou um conjunto extra que também estará disponível no álbum da Copa do Mundo de 2026 e incluirá as figurinhas dos jogadores convocados oficialmente para as seleções participantes.
“Assim como as folhas e os envelopes são vendidos em cada um dos mercados, eles também estarão disponíveis para que cada colecionador possa comprá-los”, disse ele.
O conjunto estará disponível não apenas no site, mas também em lojas físicas.
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Jogadores históricos, pirataria e figurinhas repetidas
Sobre o colecionismo, o executivo disse que há certas Copas do Mundo de futebol que se tornam icônicas e, por isso, os álbuns ganham mais valor com o passar do tempo.
Entre elas estão as Copas do Mundo da Itália em 1990, da Espanha em 1982 e, mais recentemente, do Catar em 2022, segundo ele.
Embora, mais do que uma Copa do Mundo específica, ele diga que, em geral, o que mais conta na perspectiva são os jogadores que eventualmente são convocados para cada um desses eventos.
“Assim, as grandes figuras — como, no passado, Pelé ou Maradona — fazem com que, para uns ou outros, essa seja uma Copa do Mundo especial e despertem um desejo ainda maior de colecioná-la”.
Por outro lado, Raúl Vallecillo destacou que a questão da pirataria é um fator que afeta a indústria do entretenimento em geral e que o colecionismo de álbuns não é exceção.
“Obviamente, nós, da Panini, temos a obrigação de proteger não apenas o produto oficial, mas também os direitos da FIFA que nos permitem lançar esse produto oficial”, disse ele.
“Por um lado, há o setor jurídico, que de fato acompanha a situação”, mas “a tecnologia hoje em dia facilitou a multiplicação dessa distribuição digital” no mercado da pirataria.
De modo geral, ele afirmou que o impacto da pirataria é “insignificante no fim das contas”, pois “os volumes e o número de pessoas que procuram o produto oficial de qualidade são muito maiores”.
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Quanto aos altos preços pagos no mercado informal por figurinhas especiais ou jogadores icônicos, Vallecillo afirmou que isso é desnecessário, já que a Panini oferece o serviço de completar o álbum por meio do pedido dos figurinhas que faltam em seu site oficial.
“Oferecemos o serviço de ‘últimas figurinhas’ para que cada colecionador possa comprar, seja a de Messi, a de Cristiano Ronaldo ou de qualquer outro jogador que esteja na Copa do Mundo, pelo mesmo preço das demais figurinhas do álbum”, afirmou. “Portanto, essas vendas ou revendas por um valor mais alto não se justificam tanto, porque, no fim das contas, se você precisar de uma ou até 40 figurinhas, poderá comprá-las diretamente sem pagar um preço inflacionado”.
Quanto às críticas sobre a qualidade das figurinhas e a quantidade de figurinhas repetidas nesta versão do álbum da Copa do Mundo, ele afirmou que o objetivo é reduzir ao máximo esses problemas.
Os controles relativos aos processos de produção gráfica não são realizados apenas por uma área específica, mas envolvem profissionais da matriz na Itália e a equipe no Brasil.
“Portanto, a qualidade das figurinhas é semelhante em todos os mercados e, eventualmente, atende aos padrões aprovados pela FIFA no momento em que as figurinhas são impressas”, disse ele.
Sobre as figurinhas repetidas no álbum da Copa do Mundo de 2026, ele explicou que o processo se baseia em placas aleatórias que garantem que saiam na mesma proporção.
“Em princípio, não deveria haver mais repetições do que em qualquer outra coleção no mercado. A diferença é que, quanto maior for a quantidade de figurinhas e a proporção de figurinhas por folha, eventualmente pode-se considerar que há mais repetições”, afirmou.
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