Bloomberg Línea — Os índices de inflação na América Latina têm apresentado extremos que vão desde a deflação interanual de -2,54% na Costa Rica até a estimativa de três dígitos de alta na Venezuela. Enquanto isso, entre os países com maior inflação (com exceção do caso venezuelano), observa-se um caminho inverso entre a Argentina e a Bolívia.
A Argentina conseguiu uma forte compressão inflacionária, passando de um teto de 292,4% ao ano em abril de 2024 para um piso de 31,3% em outubro de 2025. No entanto, o índice mensal não diminui e se mantém acima de 2% desde setembro, fechando janeiro em 2,9%. Nesse cenário, a inflação anual subiu para 32,4% em janeiro de 2026.
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Por outro lado, a Bolívia, após muitos anos de inflação baixa, viu o ritmo anual subir para 24,86% em julho de 2025, o valor mais alto em quatro décadas. No entanto, o país entrou em uma desaceleração no aumento dos preços, a ponto de o índice cair para 19,64% em janeiro de 2026, quebrando a barreira dos 20% pela primeira vez desde maio do ano passado.
No que diz respeito às principais economias da região, fora a Argentina, observa-se um panorama heterogêneo:
- No Brasil, o índice interanual fechou em 4,44%, marcando uma aceleração em relação aos 4,26% registrados em dezembro. No entanto, a mediana dos analistas consultados pelo Banco Central do Brasil espera que o ano termine em 3,95%.
- No México, a inflação subiu para 3,79% em janeiro (contra 3,69% em dezembro) e deve fechar o ano em 3,95%, segundo analistas de mercado.
- A Colômbia não consegue consolidar a desinflação: o índice subiu para 5,35% em janeiro.
- No Chile, pelo contrário, o processo de compressão continua se acentuando: a inflação está em 2,8% ao ano, o valor mais baixo em cinco anos.
- O Peru, apesar de sua instabilidade política, não sofre com os choques inflacionários: os preços aumentaram 1,7% entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.
A inflação na América Latina em janeiro
Os índices de inflação evoluíram ao seguinte ritmo interanual em janeiro de 2026:
- Argentina: 32,4%
- Bolívia: 19,64%
- Colômbia 5,35%
- República Dominicana: 4,98%
- Honduras: 4,23%
- Brasil: 4,44%
- México: 3,79%
- Nicarágua: 3,03%
- Chile: 2,8%
- Paraguai: 2,7%
- Equador: 2,44%
- Peru: 1,7%
- Guatemala: 0,96%
- El Salvador: 0,65%
- Panamá: 0,2%
- Costa Rica: -2,54%
Na Venezuela, não são publicados dados oficiais desde o início de 2025. A Bloomberg estimou, em um artigo publicado em dezembro do ano passado, que o aumento dos preços rondava os 500%.
Enquanto isso, Cuba divulgou que os preços subiram 12,52% em janeiro de 2026, embora os dados do país caribenho costumem gerar controvérsias devido à falta de transparência.








