Venezuela e Argentina têm inflação mais alta na América Latina; Costa Rica tem deflação

Apesar da contração da alta dos preços sob Javier Milei, economia argentina continua tendo a inflação mais alta na região, exceto pela Venezuela, onde não há dados oficiais, mas estimativas apontam alta de 500%

A customer reaches for a bottle of Coca-Cola Co. soda at a store in the Zona Rosa neighborhood of Mexico City, Mexico, on Wednesday, April 2, 2014. The world's biggest soft-drink guzzlers are taking smaller sips after Mexico raised taxes on sugary refreshments. Volumes of Sprite, Coke and other beverages may fall as much as 7 percent this year at Coca-Cola Femsa SAB, according to the company, which is passing the levy on to consumers with price increases. Photographer: Susana Gonzalez/Bloomberg
19 de Fevereiro, 2026 | 03:56 PM

Leia esta notícia em

Espanhol

Bloomberg Línea — Os índices de inflação na América Latina têm apresentado extremos que vão desde a deflação interanual de -2,54% na Costa Rica até a estimativa de três dígitos de alta na Venezuela. Enquanto isso, entre os países com maior inflação (com exceção do caso venezuelano), observa-se um caminho inverso entre a Argentina e a Bolívia.

A Argentina conseguiu uma forte compressão inflacionária, passando de um teto de 292,4% ao ano em abril de 2024 para um piso de 31,3% em outubro de 2025. No entanto, o índice mensal não diminui e se mantém acima de 2% desde setembro, fechando janeiro em 2,9%. Nesse cenário, a inflação anual subiu para 32,4% em janeiro de 2026.

PUBLICIDADE

Leia também: Na Argentina, alta da carne desafia esforço de Milei para controlar a inflação

Por outro lado, a Bolívia, após muitos anos de inflação baixa, viu o ritmo anual subir para 24,86% em julho de 2025, o valor mais alto em quatro décadas. No entanto, o país entrou em uma desaceleração no aumento dos preços, a ponto de o índice cair para 19,64% em janeiro de 2026, quebrando a barreira dos 20% pela primeira vez desde maio do ano passado.

No que diz respeito às principais economias da região, fora a Argentina, observa-se um panorama heterogêneo:

PUBLICIDADE
  • No Brasil, o índice interanual fechou em 4,44%, marcando uma aceleração em relação aos 4,26% registrados em dezembro. No entanto, a mediana dos analistas consultados pelo Banco Central do Brasil espera que o ano termine em 3,95%.
  • No México, a inflação subiu para 3,79% em janeiro (contra 3,69% em dezembro) e deve fechar o ano em 3,95%, segundo analistas de mercado.
  • A Colômbia não consegue consolidar a desinflação: o índice subiu para 5,35% em janeiro.
  • No Chile, pelo contrário, o processo de compressão continua se acentuando: a inflação está em 2,8% ao ano, o valor mais baixo em cinco anos.
  • O Peru, apesar de sua instabilidade política, não sofre com os choques inflacionários: os preços aumentaram 1,7% entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.

A inflação na América Latina em janeiro

Os índices de inflação evoluíram ao seguinte ritmo interanual em janeiro de 2026:

  • Argentina: 32,4%
  • Bolívia: 19,64%
  • Colômbia 5,35%
  • República Dominicana: 4,98%
  • Honduras: 4,23%
  • Brasil: 4,44%
  • México: 3,79%
  • Nicarágua: 3,03%
  • Chile: 2,8%
  • Paraguai: 2,7%
  • Equador: 2,44%
  • Peru: 1,7%
  • Guatemala: 0,96%
  • El Salvador: 0,65%
  • Panamá: 0,2%
  • Costa Rica: -2,54%

Na Venezuela, não são publicados dados oficiais desde o início de 2025. A Bloomberg estimou, em um artigo publicado em dezembro do ano passado, que o aumento dos preços rondava os 500%.

Enquanto isso, Cuba divulgou que os preços subiram 12,52% em janeiro de 2026, embora os dados do país caribenho costumem gerar controvérsias devido à falta de transparência.