Bloomberg — O presidente Donald Trump disse que anunciará sua escolha para comandar o Federal Reserve pelos próximos quatro anos, a partir de maio, nesta manhã de sexta-feira (30). A declaração sinaliza o fim de um processo de meses que estimulou a especulação sobre o futuro do banco central mais poderoso do mundo.
Trump, questionado em um evento na noite de quinta-feira (29) em Washington sobre quando tomaria sua decisão, respondeu: “Amanhã de manhã”.
No mercado, a avaliação é que Trump considera quatro candidatos em sua lista: o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, o diretor do Fed Christopher Waller, o ex-diretor Kevin Warsh e o executivo da BlackRock Rick Rieder.
O nome de Warsh, 55 anos, deve ser confirmado, segundo fontes que falaram à Bloomberg News.
Ele foi governor (diretor) do Fed de 2006 a 2011, sob o mandato de Ben Bernanke à frente do banco central e de George W. Bush (2006 a 2010) e de Barack Obama (2011) na Casa Branca. Na ocasião de sua nomeação em janeiro de 2006, se tornou o mais jovem diretor do banco central americano em sua história.
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Trump tem procurado abertamente moldar a política de taxas de juros do Fed por meio de suas nomeações para o Board of Governors, em um esforço para encontrar alguém amplamente aceitável para os mercados que também compartilhe de sua inclinação para reduzir as taxas mais e mais rapidamente.
O presidente dos EUA brincou com seu anúncio sem revelar o nome, dizendo que a escolha não será muito surpreendente e será alguém conhecido por todos no mundo financeiro.
“Muitas pessoas acham que se trata de alguém que poderia ter estado lá há alguns anos”, disse ele.
Os rendimentos de referência do Tesouro subiram nas negociações da Ásia na sexta-feira, depois de terem ficado relativamente moderados nesta semana, apesar de um salto na volatilidade em outros mercados.
Um aumento de interesse em Warsh e em Rieder na plataforma de mercado de previsões Polymarket sugeriu que os investidores estavam apostando na vitória do candidato de perfil mais hawkish.
O processo de seleção está sendo supervisionado pelo Secretário do Tesouro, Scott Bessent, que ajudou o presidente a reduzir um grande número de possíveis candidatos.
O novo cronograma chega poucas horas depois de o presidente ter dito que pretendia revelar sua escolha na próxima semana e reiterado sua expectativa de que o próximo líder do banco central reduziria as taxas de juros.
A escolha de Trump pode enfrentar um caminho complicado para a confirmação no Senado dos EUA.
Um senador importante, o republicano Thom Tillis, que faz parte do Comitê Bancário, prometeu bloquear qualquer um dos indicados de Trump para o Fed até que o Departamento de Justiça dos EUA encerre uma investigação sobre a reforma da sede do banco central.
Essa investigação, que também está centrada no depoimento do atual presidente Jerome Powell ao Congresso, intensificou ainda mais as preocupações com as ameaças à independência do Fed.
O anúncio de Trump sobre sua escolha levará a uma nova etapa a longa luta do presidente com o Fed sobre suas políticas de fixação de taxas.
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O presidente e seus aliados têm feito uma campanha de pressão de meses sobre Powell para que ele reduza de forma mais agressiva os custos dos empréstimos.
“Estamos pagando juros demais para o Fed”, voltou a repetir Trump na quinta-feira. “Deveríamos ter a menor taxa de juros do mundo. Elas deveriam ser dois pontos e até três pontos mais baixas.”
Na quarta-feira (28), o Fed decidiu deixar as taxas inalteradas após três reduções consecutivas nos últimos meses de 2025.
-- Com a colaboração de Natalie Choy, Edward Bolingbroke e Matthew Burgess.
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