Bloomberg — O presidente Donald Trump disse que a Venezuela cederá até 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos.
“Tenho o prazer de anunciar que as autoridades interinas da Venezuela entregarão entre 30 e 50 MILHÕES de barris de petróleo de alta qualidade, sancionados, aos Estados Unidos da América”, escreveu Trump em uma postagem na mídia social.
“Esse petróleo será vendido a seu preço de mercado e esse dinheiro será controlado por mim, como presidente dos Estados Unidos da América, para garantir que seja usado para beneficiar o povo da Venezuela e dos Estados Unidos!” acrescentou Trump.
Leia também: Como a produção de petróleo na Venezuela afetaria o cenário de investimento no Brasil
O West Texas Intermediate, a referência do petróleo dos EUA, caiu até 2,4% após os comentários de Trump.
Se forem exatos, os volumes citados por Trump representariam cerca de 30 a 50 dias de produção de petróleo venezuelano antes do bloqueio parcial dos EUA ao país - muito reduzido em relação aos níveis históricos.
Aos preços atuais do WTI, o petróleo bruto poderia valer até US$ 2,8 bilhões.
Representantes do Departamento de Energia dos EUA e da Casa Branca não responderam imediatamente aos pedidos de mais detalhes. Os ministérios do petróleo e da informação da Venezuela também não responderam aos pedidos de comentários.
A Venezuela tem as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, mas sua produção caiu drasticamente devido a décadas de negligência e ao êxodo de muitas empresas petrolíferas estrangeiras.
Atualmente, o país responde por menos de 1% da oferta global. Os analistas afirmam que serão necessários anos e bilhões de dólares de investimento para reavivar significativamente a produção.
Leia também: É preciso dissociar geopolítica do setor energético na Venezuela, diz professor da USP
A Venezuela tem um acúmulo de petróleo não embarcado que vem se acumulando nos tanques de armazenamento e a bordo de navios contratados desde o início do bloqueio dos EUA no mês passado.
A empresa estatal de petróleo tem milhões de barris já armazenados e pode ficar sem espaço de armazenamento sobressalente em questão de semanas, de acordo com a empresa de inteligência marítima Kpler.
“Mesmo na ponta mais alta, 30 a 50 milhões de barris parecem grandes politicamente, mas são pequenos economicamente”, disse Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital LP. “Trata-se de um fluxo pontual, não de uma mudança estrutural no fornecimento.”

Trump disse em seu post que o petróleo sancionado “será levado por navios de armazenamento e trazido diretamente para as docas de descarga nos Estados Unidos”. O secretário de Energia, Chris Wright, foi encarregado de executar o plano “imediatamente”, disse ele.
Não está claro quais empresas lidariam com o petróleo e se ele estaria sob a responsabilidade da Chevron Corp. A major é a última empresa norte-americana que ainda está produzindo e exportando barris da Venezuela sob uma isenção das sanções dos EUA.
Um representante da Chevron não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.
A ABC noticiou separadamente que o governo Trump disse à líder interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, que seu governo deve fazer parceria exclusivamente com os EUA na produção de petróleo e favorecer os EUA na venda de petróleo pesado.
Os EUA também estão exigindo que a Venezuela reduza seus laços econômicos com a China, Rússia, Irã e Cuba, informou a ABC, citando três pessoas não identificadas familiarizadas com a situação.
Fazer isso representaria um realinhamento político total para a Venezuela, que tem dependido fortemente do quarteto para a estabilidade econômica e de segurança nos últimos anos.
Antes da captura do líder venezuelano Nicolas Maduro pelos EUA no fim de semana, a China era o maior comprador mundial de petróleo bruto da nação sul-americana e o principal beneficiário de seu petróleo com grandes descontos.
O atual bloqueio dos EUA interrompeu em grande parte esse comércio e elevou os preços oferecidos à China. As forças americanas continuaram a perseguir o Bella 1, que desde então mudou para uma bandeira russa.
A Rússia agora enviou um submarino e outros recursos navais para escoltar a embarcação, informou o Wall Street Journal.
--Com a ajuda de Josh Wingrove, Rob Verdonck, Crayton Harrison, Nicholas Lua, Joe Carroll, Nathan Risser e Lucia Kassai.
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
‘Nosso hemisfério’: como a Venezuela se tornou um laboratório de Trump para a região
©2026 Bloomberg L.P.








