Bloomberg — O presidente americano Donald Trump disse que provavelmente não estenderá o cessar-fogo de duas semanas com o Irã, aumentando a urgência dos negociadores em concluir um acordo para pôr fim à guerra.
A trégua anunciada em 7 de abril, expira na quarta-feira (22) à noite, horário de Washington.
Trump disse em uma entrevista telefônica nesta segunda-feira (20) que é “altamente improvável” que a trégua seja prorrogada se nenhum acordo for alcançado antes disso.
“Não vou me apressar para fazer um mau acordo. Temos todo o tempo do mundo”, disse o presidente.
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Na entrevista, Trump reiterou que o Estreito de Ormuz permaneceria bloqueado por enquanto, dizendo que “os iranianos querem desesperadamente que ele seja aberto. Não vou abri-lo até que um acordo seja assinado”.
Os detalhes sobre a próxima sessão de negociação, que deverá ocorrer no Paquistão, começaram a se destacar na segunda-feira.
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O Irã também enviou uma equipe, de acordo com pessoas familiarizadas com os planos que falaram com a Bloomberg News e não quiseram ser identificadas. Anteriormente, Teerã disse que estava hesitante em participar de novas negociações de paz com os Estados Unidos.
O vice-presidente JD Vance partirá no final da segunda-feira para retomar as negociações, “seja na noite de terça-feira ou na manhã de quarta-feira”, disse Trump. Espera-se que ele seja acompanhado pelo genro de Trump, Jared Kushner, e pelo enviado especial Steve Witkoff.
O presidente demonstrou otimismo com relação às discussões, dizendo que adoraria participar pessoalmente, mas que não achava que isso seria necessário.
“Haverá uma reunião. Eles querem uma reunião, e devem querer uma reunião. E isso pode funcionar bem”, disse Trump.
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Termos da paz
Ao mesmo tempo, os dois lados procuraram se esforçar para obter vantagens antes das negociações.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian postou no X que “a profunda desconfiança histórica no Irã em relação à conduta do governo dos Estados Unidos permanece” e declarou que “os iranianos não se submetem à força”.
Essa mensagem veio depois que Trump disse que o Irã “seria duramente atingido” se nenhum acordo fosse alcançado.
Os comentários de Trump e a decisão de Teerã de enviar negociadores representaram novos sinais de que os dois lados continuam a trabalhar em um acordo para acabar com a guerra que começou no final de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã.
Esses ataques fizeram com que as forças iranianas atingissem as bases dos Estados Unidos na região e destruíssem a infraestrutura de petróleo e gás pertencente aos aliados americanos no Golfo Pérsico, desencadeando uma crise energética mundial.
Mas os acontecimentos dos últimos dias mudaram rapidamente, ressaltando os riscos caso as negociações descarrilhem.
Na sexta-feira passada (17), Trump postou nas redes sociais que um acordo estava praticamente fechado e o Irã anunciou que estava reabrindo o estreito.
Porém, pouco tempo depois, Teerã fechou a hidrovia novamente quando Trump se recusou a cancelar o bloqueio dos Estados Unidos.
No fim de semana, a Marinha dos Estados Unidos apreendeu um navio de carga com bandeira iraniana no Golfo de Omã.
Os preços do petróleo subiram na segunda-feira, com os índices de referência subindo mais de 5% e o Brent sendo negociado perto de US$ 95 por barril, às 12h50 em Nova York.
Os investidores estão observando atentamente como ou quando os fluxos de energia através do estreito serão retomados de forma significativa.
“Eu fechei [o Estreito]. Eu tomei o navio deles. Tenho cinco outros navios que tomarei hoje se for necessário”, disse Trump na entrevista por telefone.
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Trump e seus assessores veem seus comentários variados sobre o que pode acontecer se o prazo do cessar-fogo expirar, criando uma ambiguidade estratégica que os Estados Unidos poderiam explorar nas negociações, disse um funcionário da Casa Branca, que pediu anonimato para descrever o pensamento interno.
No entanto, essa incerteza tem o potencial de criar mal-entendidos com os negociadores iranianos, que estão simultaneamente lutando com divisões internas entre os líderes do país.
Elementos conservadores dentro do governo iraniano e da liderança militar, incluindo os que estão no topo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), consideraram a continuação do bloqueio dos Estados Unidos como mais um sinal de que não se pode confiar em Trump, de acordo com autoridades americanas e iranianas.
O líder do IRGC, Ahmad Vahidi, está entre os que fazem parte desse campo e está pressionando por uma postura de negociação dura, disseram pessoas familiarizadas com a dinâmica.
Há uma divisão entre Vahidi e figuras menos ideológicas, como Pezeshkian e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, que estão mais inclinados a chegar a um acordo com Washington, disseram as autoridades americanas e iranianas.
Apesar do impasse, ainda há uma boa chance de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã nos próximos dias que efetivamente acabe com a guerra, mesmo que sejam necessárias mais negociações sobre questões nucleares e militares, disseram as autoridades.
--Com a ajuda de Ben Bartenstein, Fiona MacDonald, Josh Wingrove, Devika Krishna Kumar, Meghashyam Mali, Paul Wallace e John Bowker.
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