Bloomberg — Os ministros de Finanças da zona do euro estão pressionando para ampliar o papel global da moeda única, em meio à turbulência nos mercados provocada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao enfraquecimento do dólar.
“À luz dos recentes acontecimentos geopolíticos, há riscos de que o sistema financeiro e monetário internacional esteja sendo utilizado como instrumento político”, afirmou o ministro das Finanças da Grécia, Kyriakos Pierrakakis, que preside as reuniões de seus pares da zona do euro.
“Por isso, é existencial para nós proteger o papel internacional do euro, pois ele é fundamental para a soberania monetária da União Europeia.”
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Moeda de reserva
As declarações vêm logo após o Banco Central Europeu anunciar sua medida mais robusta até agora para promover o euro. No fim de semana, a autoridade monetária informou que está preparada para oferecer liquidez em euros a bancos centrais de todo o mundo.
A proposta é uma das ideias incluídas em um documento da Comissão Europeia preparado antes da reunião dos ministros em Bruxelas, na segunda-feira (16).
O texto — visto pela Bloomberg — defende o reforço da “diplomacia do euro”, assegurando aos países parceiros acesso à moeda comum.
“Com os Estados Unidos potencialmente menos inclinados a fornecer liquidez em dólares durante períodos de estresse, oferecer liquidez denominada em euros a países parceiros pode servir como complemento valioso à estratégia comercial da UE e impulsionar o papel internacional do euro”, afirma o documento.
Transações comerciais
O texto também explora formas de promover o uso do euro em emissões e transações, especialmente em setores estratégicos como energia, matérias-primas críticas, transporte aéreo e defesa.
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“Investidores internacionais querem diversificar, estão buscando proximidade com a Europa. Por isso queremos ser um porto seguro para investimentos de capital de todo o mundo”, disse o ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, que, ao lado de seu homólogo francês, defendeu medidas mais rápidas.
“Diante de desafios massivos no mundo, a UE precisa ser mais forte, mais rápida, trabalhar sua competitividade e sua capacidade de agir com poder e independência”, afirmou Roland Lescure. “A Europa é muito boa em avançar com qualidade — também precisa melhorar sua velocidade, e é isso que vamos fazer.”
Ainda assim, autoridades francesas querem uma avaliação mais profunda sobre como essa iniciativa pode prejudicar exportadores ao valorizar o euro frente ao dólar, disse um funcionário do Ministério das Finanças, sob condição de anonimato.
-- Com a colaboração de James Regan, Lyubov Pronina e Sofia Horta e Costa.
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