Milei diz que demitirá 70.000 servidores e defende estilo ‘motosserra’

Presidente da Argentina indicou em discurso em evento empresarial que está disposto a tomar medidas agressivas para desinchar a máquina pública; setor público emprega 3,5 milhões no país

Javier Milei: estratégia para alcançar um equilíbrio fiscal a qualquer custo este ano
Por Manuela Tobias
27 de Março, 2024 | 12:41 PM

Bloomberg — Javier Milei pretende demitir 70.000 funcionários públicos nos próximos meses, em um dos sinais mais claros até agora de como o presidente libertário da Argentina está disposto a tomar medidas agressivas para desinchar a máquina pública do país vizinho.

Em um evento de negócios na terça-feira à noite (26), Milei também ressaltou que congelou obras públicas, cortou alguns financiamentos a províncias e encerrou mais de 200.000 planos de seguridade social, que ele classificou como corruptos. Tudo faz parte de sua estratégia para alcançar um equilíbrio fiscal a qualquer custo este ano.

“Há muito mais motosserra,” disse Milei em discurso de uma hora no IEFA Latam Forum, em Buenos Aires.

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Embora o número represente apenas uma pequena fração dos 3,5 milhões de trabalhadores do setor público da Argentina, os cortes de Milei devem enfrentar mais resistência por parte dos poderosos sindicatos do país, e podem pôr em risco seus índices de aprovação elevados.

Um sindicato que representa alguns servidores entrou em greve na terça-feira, enquanto dados do mercado de trabalho mostraram que os trabalhadores do setor privado sofreram a pior perda salarial mensal em pelo menos três décadas quando Milei assumiu o cargo em dezembro.

Após os comentários do presidente, o líder de um sindicato de servidores rapidamente retrucou no X, anunciando uma greve nacional, sem dar mais detalhes.

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Milei citou pesquisas que mostram que os argentinos estão mais otimistas sobre o futuro da economia, e um indicador recente de confiança no governo aumentou apesar de suas medidas de austeridade.

“As pessoas têm esperança, estão vendo a luz no fim do túnel”, concluiu Milei.

Quanto ao câmbio, Milei disse que os contratos futuros de peso estão alinhados com o modelo de depreciação progressiva do banco central, conhecido como crawling peg, e classificou de “ridículos” os apelos por uma nova desvalorização drástica da moeda.

Ele disse que o banco central argentino caminha para alcançar reservas líquidas neutras, comparado a passivos de dívida que ultrapassavam o caixa em US$ 11,5 bilhões em dezembro.

Seus esforços para reformar a economia argentina serão redobrados após as eleições parlamentares de 2025, com mais de 3.000 reformas nos planos do governo, disse.

Ele descreveu a rejeição de seu decreto de emergência no Senado como “maravilhosa” porque deixou expostos “todos os dedos sujos” de políticos que ele chama de “delinquentes”.

Milei disse que espera uma recuperação econômica em forma de V.

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