Javier Milei diz que Argentina não tem escolha a não ser negociar com a China

Minutos após se reunir com Donald Trump em Davos, presidente disse em entrevista à Bloomberg News que a China é um grande parceiro comercial e adotou tom pragmático ao defender laços com Pequim enquanto busca um acordo com os EUA

Javier Milei em entrevista à Bloomberg News durante o Fórum Econômico Mundial em Davos: 'Se você observar o peso da China no mundo, entenderá que tenho de negociar com a China' (Foto: Chris Ratcliffe/Bloomberg)
Por Manuela Tobias
22 de Janeiro, 2026 | 11:39 AM

Bloomberg — O presidente da Argentina, Javier Milei, fez uma defesa robusta dos crescentes laços econômicos com a China e disse que seu país não tem outra escolha a não ser buscar o comércio com a segunda maior economia do mundo, mesmo enquanto procura um acordo com os Estados Unidos.

Poucos minutos depois de participar de um evento com Donald Trump, Milei defendeu o livre comércio e adotou um tom pragmático em relação aos parceiros internacionais - incluindo o vizinho Brasil.

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“Do nosso ponto de vista, a China é um grande parceiro comercial”, disse Milei em uma entrevista na quinta-feira com o editor-chefe da Bloomberg News, John Micklethwait, no Fórum Econômico Mundial em Davos.

“Se você observar o peso da China no mundo, entenderá que tenho de negociar com a China.”

Um dos aliados geopolíticos mais próximos de Trump, Milei tem tentado alcançar um equilíbrio delicado entre Washington e Pequim desde que se referiu ao governo comunista da China como um “assassino” na campanha.

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Ele suavizou sua retórica como presidente, sem abraçar nem excluir totalmente o gigante asiático.

A China é o segundo maior parceiro comercial da Argentina, atrás apenas do Brasil.

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Até novembro, as exportações argentinas para a China haviam aumentado 57% em 2025 em relação ao ano anterior, muito mais rápido do que o aumento de 26% nos embarques para os EUA no mesmo período.

Milei, por sua vez, tem buscado um acordo de livre comércio com os EUA desde que Trump retornou à Casa Branca, e disse na entrevista que teria boas notícias sobre o possível pacto “muito em breve”.

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Diferentemente de seu aliado americano, que tem marcado posição pelo protecionismo, o líder libertário tem se apresentado como um defensor estridente do livre comércio.

Ele prometeu fazer tudo o que puder para abrir a economia protecionista da Argentina e elogiou um pacto de livre comércio assinado recentemente entre a União Europeia e o Mercosul, o bloco sul-americano do qual seu país é membro.

“Meu plano é abrir-me para a União Europeia, abrir-me para os Estados Unidos e abrir-me para a China”, disse Milei. “Quero uma economia aberta.”

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