Itália planeja mudar de posição e apoiar acordo da UE com o Mercosul, dizem fontes

País liderou campanha para adiar assinatura que deveria acontecer em dezembro, mas agora deve votar a favor da medida e abrir espaço para o pacto comercial entre os dois blocos econômicos

A primeira ministra da Itália, Giorgia Meloni. O acordo impulsionaria a economia do Mercosul em até 0,7% e a da Europa em 0,1%
Por Andrea Palasciano - Donato Paolo Mancini - Michael Nienaber
05 de Janeiro, 2026 | 02:53 PM

Bloomberg — A Itália planeja apoiar o acordo de livre comércio com o Mercosul em uma votação que deve ser o último grande obstáculo para a União Europeia concluir o tratado, que está em negociação há 25 anos.

A expectativa é que a Itália mude de posição e passe a apoiar o acordo quando os embaixadores da UE votarem sobre a medida em 9 de janeiro, segundo pessoas a par do assunto ouvidas pela Bloomberg News.

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Isso permitiria que a UE assinasse o tratado com os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — em 12 de janeiro.

Um porta-voz do governo italiano não comentou. Nada foi finalizado e os planos ainda podem mudar.

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A UE não conseguiu finalizar o acordo de livre comércio no mês passado, depois que a Itália e a França lideraram uma campanha para adiá-lo, argumentando que ainda faltavam proteções adequadas para os agricultores europeus.

Meloni vinha buscando salvaguardas adicionais para o setor agrícola, além de recursos extras para os agricultores no orçamento do bloco, disseram as pessoas, que falaram sob condição de anonimato.

“Houve discussões, trabalho e progressos nas últimas duas semanas”, disse a porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, a jornalistas em Bruxelas nesta segunda-feira. “Estamos no caminho certo para considerar a assinatura em breve”.

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No mês passado, o presidente francês, Emmanuel Macron, que vem sofrendo pressão interna de agricultores, argumentou que o tratado não oferecia salvaguardas adequadas.

Durante o fim de semana, o primeiro-ministro da França Sebastien Lecornu disse que o país planeja proibir a importação de alimentos da América do Sul ou de outros locais que contenham pesticidas proibidos na UE.

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O acordo proposto é o maior já negociado pela UE. Por mais de duas décadas, as negociações foram interrompidas e retomadas repetidamente, enquanto as autoridades tentavam apaziguar as preocupações relativas à proteção ambiental e aos padrões agrícolas do Mercosul.

O pacto comercial UE-Mercosul criaria um mercado integrado de 780 milhões de consumidores, eliminando gradualmente tarifas sobre bens como automóveis e facilitando o acesso da Europa ao vasto setor agrícola do Mercosul. O acordo permitiria que ambas as regiões se diversificassem para além dos EUA, após o presidente Donald Trump ter imposto tarifas globais.

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A Bloomberg Economics estima que o acordo impulsionaria a economia do Mercosul em até 0,7% e a da Europa em 0,1%.

No plano geopolítico, também fortaleceria a presença da UE em uma região onde a China se consolidou como um importante fornecedor industrial e comprador de commodities.

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