Governo Milei começa com primeiras negociações dentro da Casa Rosada

Presidente foi empossado no Congresso e reforçou plano de ajuste econômico, com discurso perante o público; ministros serão empossados nesta tarde

Javier Milei, presidente da Argentina, fala durante uma cerimônia de posse fora do Congresso Nacional em Buenos Aires, Argentina, neste domingo
Por Mariano Espina (BR)
10 de Dezembro, 2023 | 03:42 PM

Bloomberg Línea — Javier Milei assumiu a presidência da Argentina neste domingo (10). Ele iniciou seu mandato de quatro anos com uma abordagem distinta de seus antecessores. Em vez de fazer seu primeiro discurso perante a Assembleia Legislativa, ele falou à multidão na Plaza de los Dos Congresos, repassando durante quarenta minutos os números da herança que recebe, diagnosticando a situação econômica e social, e prevendo os primeiros meses de sua gestão. “Será difícil, mas vamos conseguir”.

Antes e depois do discurso, houve encontros dentro do Congresso entre parte do sistema político argentino - juízes da Suprema Corte, deputados e senadores, governadores, ex-presidentes, corpos diplomáticos - e os recém-chegados do partido La Libertad Avanza.

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A ala política do partido, que já governa o país, será liderada por Guillermo Francos, com vasta experiência na política local, sendo seu último cargo na administração de Alberto Fernández como representante perante o BID. Neste domingo, às 17h em Buenos Aires, ele jurará como ministro do Interior e se integrará formalmente ao gabinete, juntamente com Nicolás Posse, que será chefe de gabinete, e os outros oito ministros.

Francos antecipou que na manhã de segunda-feira (11), às 8h30, haverá uma reunião de gabinete, prevista para ocorrer na quinta residencial de Olivos, onde o presidente Milei viverá e trabalhará.

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Ao longo do dia de segunda-feira, as primeiras medidas deste novo governo serão divulgadas. Os mercados esperam uma depreciação da taxa de câmbio oficial, e também é prevista uma rápida desregulamentação de preços. Combustíveis, planos de saúde e alimentos, entre outros setores, podem experimentar aumentos nos próximos dias. Também é esperado um ajuste nos subsídios à economia, tanto para energia - luz e gás - quanto para o transporte público.

Em seu discurso, Milei reconheceu que nos primeiros meses de sua gestão haverá uma aceleração da inflação. “Haverá estagflação, é verdade, mas não é algo muito diferente do que aconteceu nos últimos 12 anos”. Segundo o presidente, “este é o último obstáculo para iniciar a reconstrução da Argentina”. Ele também reconheceu o impacto negativo que suas medidas de choque terão nos indicadores sociais: “Naturalmente, isso impactará negativamente o nível de atividade, emprego, salários reais, e na quantidade de pobres e indigentes”.

Essas palavras foram ouvidas pela comitiva de líderes estrangeiros que compareceram à posse de Milei, incluindo o presidente da Ucrânia, Volodímir Zelensky; o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro; o rei Felipe da Espanha e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán. Presidentes da região, como Gabriel Boric (Chile), Luis Lacalle Pou (Uruguai), Daniel Noboa (Equador) e Santiago Peña (Paraguai), também estiveram presentes.

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Após o discurso, diversos diálogos ocorreram nos corredores do Congresso, aproveitando a presença de figuras-chave para os próximos anos. Isso incluiu conversas entre os quatro juízes da Suprema Corte, como Ricardo Lorenzetti, que dialogava com o futuro ministro da Economia, Luis Caputo, o qual também planeja dar uma coletiva de imprensa na segunda-feira.

Gerardo Werthein, empresário e amigo de Milei, será anunciado como embaixador da Argentina nos Estados Unidos. Ele afirmou que o diálogo com as autoridades do Fundo Monetário Internacional (FMI) já está em andamento, referente ao programa acordado entre o organismo internacional em 2018 durante a administração de Mauricio Macri e renegociado em 2022 durante o governo de Alberto Fernández.

O Congresso será palco, nas próximas semanas, de extensos debates sobre as reformas propostas por Milei. Sessões extraordinárias serão convocadas. A chamada “Lei Ônibus” está sendo revisada em um escritório jurídico, e considera-se apresentar uma versão um pouco mais limitada.

Francos avaliou hoje a situação dos blocos que comporão a Câmara dos Deputados e o Senado. De acordo com a página oficial, a Câmara dos Deputados será composta por 100 deputados da União pela Pátria, 37 do PRO, 35 da La Libertad Avanza e 35 do PRO. Blocos como Inovação Federal (9), Mudança Federal (8) e Fazemos pelo Nosso País (8) aparecem atrás, representando diferentes governadores dispostos a negociar com o bloco oficialista.

“Milei disse em seu discurso: ‘Não estamos pedindo apoio cego, mas não toleraremos que a hipocrisia, a desonestidade ou a ambição de poder interfiram na mudança que os argentinos escolheram’”.

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Mariano Espina

Mariano Espina (BR)

Jornalista argentino com especialização em política. Anteriormente, trabalhou nas redações do jornal El Economista e do portal Data Clave. Graduado em jornalismo pela Universidade de El Salvador.