Bloomberg — Os EUA passarão a cobrar uma tarifa de 25% sobre as importações de certos produtos do Brasil, na sequência de uma investigação que alega que o país se envolveu em práticas comerciais desleais.
A investigação, que durou um ano, “constatou que várias práticas do Brasil são injustificadas e discriminatórias, restringindo a posição competitiva dos agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos”, afirmou o Escritório do Representante Comercial dos EUA em uma publicação no X na noite de quarta-feira.
As importações de café, carne bovina e certos produtos à base de etanol estariam isentas das novas tarifas, informou uma autoridade sênior do governo aos repórteres antes do anúncio oficial na quarta-feira. O etanol, no entanto, estaria sujeito às novas tarifas.
As tarifas entrarão em vigor em 22 de julho, segundo uma autoridade.
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“A medida tomada hoje é necessária para combater essas práticas comerciais desleais e garantir que os trabalhadores e as empresas americanas possam competir em condições equitativas”, afirmou o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, em comunicado.
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“As extensas negociações com o Brasil ao longo do último ano não resolveram essas questões, mas continuamos abertos a prosseguir as negociações com o Brasil para promover as mudanças há muito necessárias em relação aos problemas identificados nesta investigação.”
O governo brasileiro condenou as tarifas e afirmou que tomará medidas para proteger sua economia de seus efeitos.
“Não há justificativa para medidas unilaterais contra nosso país”, afirmou o governo em comunicado. “Continuaremos a diversificar nossas parcerias comerciais e a abrir novos mercados para nossos produtos.”
Greer disse à Bloomberg Television em uma entrevista na manhã desta quarta-feira que se esperava que o presidente Donald Trump “assinasse algo” relacionado às tarifas contra o Brasil.
O governo propôs uma tarifa adicional de 25% sobre as importações do Brasil em um relatório divulgado em 1º de junho, após uma investigação conduzida nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O relatório acusa o Brasil de adotar práticas que discriminam e oneram o comércio dos EUA, destacando especificamente seu serviço de pagamentos eletrônicos, conhecido como Pix, que é utilizado por milhões de brasileiros diariamente.
O relatório dos EUA argumentou que o Brasil “prejudicou injustamente” os provedores americanos de serviços concorrentes de pagamentos eletrônicos ao adotar políticas que favorecem o Pix, uma plataforma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem repetidamente retratado como um símbolo da soberania tecnológica e da independência financeira do país.
O Brasil afirmou que as alegações relacionadas ao Pix não tinham fundamento e prometeu buscar tarifas recíprocas e reparação por meio da Organização Mundial do Comércio.
Há muito em jogo para ambos os países. Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil e uma das poucas grandes economias com as quais o país apresenta déficit comercial. O Brasil importou mais de US$ 45 bilhões em produtos americanos em 2025, um aumento de 11% em relação ao ano anterior, enquanto as exportações caíram quase 7%, com o petróleo bruto representando 12,5% das remessas.
Em uma postagem no X, o secretário de Estado Marco Rubio acusou o governo brasileiro de não negociar de boa-fé. Ele afirmou que “as políticas econômicas de Lula são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. Ao longo do último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente da conclusão de um acordo em prol do bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso.”
Apesar da escalada da disputa, ambos os governos ainda estão tentando evitar um conflito comercial mais amplo.
Greer se reuniu repetidamente com o ministro do Comércio do Brasil, Márcio Elias, nos últimos meses para buscar uma solução. O governo de Lula pretende continuar negociando até o último momento possível, mas descartou concessões que considera política ou juridicamente inaceitáveis, incluindo mudanças no sistema de pagamentos Pix, segundo uma pessoa a par das negociações.
No ano passado, Trump impôs tarifas de 50% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, em um esforço para pressionar as autoridades brasileiras quanto ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
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A maioria dessas tarifas foi posteriormente revogada após negociações entre Brasília e Washington, o que representou uma vitória diplomática para Lula.
No relatório de junho, o governo dos EUA também acusou o Brasil de conceder tratamento preferencial a produtos do México e da Índia e de não fazer cumprir adequadamente as regras anticorrupção e de propriedade intelectual.
A disputa também está se tornando um tema na campanha presidencial brasileira. Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente, é o principal adversário de Lula na eleição de outubro. O governo, em comunicado divulgado na quarta-feira, afirmou que a família Bolsonaro havia colaborado com o governo dos EUA para viabilizar as tarifas.
No entanto, o jovem Bolsonaro afirmou em uma audiência no USTR que seria difícil reverter as tarifas na véspera da votação e que isso poderia influenciar o panorama político.
--Com a colaboração de Martha Beck, Daniel Carvalho e David Gura.
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