Do Chile à Colômbia: alta do petróleo leva governos latinos a rever política energética

Presidente chileno, José Antonio Kast, rejeitou o que chamou de ‘saídas populistas e defendeu uma ‘cultura de responsabilidade’. Colombiano Gustavo Petro alegou que preços subsidiados da gasolina não são mais sustentáveis e passarão a acompanhar os níveis internacionais

Presidente da República Dominicana, Luis Abinader, disse que os cidadãos devem se preparar para 'sacrifícios inevitáveis' (Foto: Esteban Vanegas/Bloomberg)
Por Andreina Itriago - Jim Wyss
23 de Março, 2026 | 01:06 PM

Bloomberg — Governos da América Latina lançaram uma ampla reformulação de políticas energéticas e fiscais, à medida em que alertam sobre como a disparada dos preços do petróleo com a guerra no Irã ameaça a estabilidade regional.

O presidente da República Dominicana, Luis Abinader, anunciou em uma transmissão no domingo um ajuste “responsável” nos preços domésticos dos combustíveis para proteger as finanças públicas. Ele pediu que empresas adotem trabalho remoto e instou um novo nível de conscientização dos cidadãos para otimizar o consumo de combustível.

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Alertando que a alta cria um ônus fiscal crescente que pode “comprometer a sustentabilidade” do Estado, a administração de Abinader prepara um subsídio a fertilizantes de 1 bilhão de pesos dominicanos (US$ 17 milhões) e o redirecionamento de 10 bilhões de pesos dominicanos para reforçar programas sociais.

As declarações de Abinader refletem uma guinada regional mais ampla, à medida que líderes de todo o espectro político lidam com os efeitos da volatilidade global da energia.

“Isso não se deve à fraqueza econômica doméstica, mas sim porque enfrentamos um choque externo de grande magnitude”, disse.

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Embora o governo arque com a maior parte do esforço, os cidadãos devem se preparar para “sacrifícios inevitáveis”, incluindo pressão de alta sobre os custos de eletricidade e alimentos, afirmou Abinader.

No Chile, o presidente José Antonio Kast disse em entrevista ao La Tercera que “as coisas não podem permanecer como estão se o preço do petróleo dobrar”.

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Rejeitando o que chamou de “saídas populistas”, Kast sinalizou que usará autoridade executiva para ajustar o mecanismo de estabilização de preços de combustíveis MEPCO. Ele enquadrou as medidas como parte de uma “cultura de responsabilidade” necessária para enfrentar uma “crise fiscal” já existente, agora agravada pelo conflito global.

O presidente colombiano, Gustavo Petro, liderou o movimento na região no sábado ao dizer no X que os preços subsidiados da gasolina “não são mais sustentáveis” e passarão a acompanhar os níveis internacionais.

“Subsídios à gasolina não são mais possíveis”, disse Petro. “Com o aumento dos preços internacionais, os preços na Colômbia também subirão”.

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Em uma mudança estratégica, Petro afirmou que os lucros da petroleira estatal Ecopetrol serão direcionados para financiar fertilizantes subsidiados produzidos na Colômbia, transferindo, na prática, o apoio financeiro do Estado da bomba para o campo. Os subsídios ao diesel serão restritos exclusivamente ao transporte de carga, disse.

Em toda a América Latina, as mudanças sinalizam que a era do combustível financiado pelo Estado está chegando ao fim para dar lugar à sobrevivência fiscal, já que a guerra com o Irã praticamente bloqueou o Estreito de Ormuz, um gargalo por onde normalmente passa 20% do petróleo mundial. Os preços do petróleo dispararam, com o tipo Brent avançando 55% desde o início das ofensivas em 28 de fevereiro.

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