Bloomberg Línea — Brasil, México e Colômbia são os três maiores exportadores de petróleo da América Latina e aparecem como possíveis beneficiários da alta dos preços provocada pela guerra no Irã e pelas perturbações no estreito de Ormuz.
“Os exportadores da região podem aproveitar o aumento se tratarem a receita extra como transitória e a separarem dos gastos permanentes, usando regras fiscais, fundos de estabilização e uma estratégia explícita de redução da vulnerabilidade financeira”, explicou à Bloomberg Línea Emanoelle Santos, analista de mercados do aplicativo de investimentos XTB Latam.
Em economias importadoras líquidas de energia, a alta sustentada do preço do petróleo tende a deteriorar a balança comercial e a conta corrente.
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O preço mais elevado multiplica o volume líquido importado e, além disso, encarece os fretes e os seguros, com uma transferência gradual para os combustíveis e o transporte.
Segundo Santos, essa deterioração pode ser moderada se o país exportar outras matérias-primas que estão em alta no mesmo momento, como cobre no Chile ou minerais no Peru.
Mas quando o aumento é acompanhado por aversão ao risco, o ajuste costuma ser mais difícil, pois o dólar sobe, o financiamento externo fica mais caro e o banco central enfrenta o dilema entre inflação e atividade, mesmo que existam mecanismos internos para suavizar os preços finais.
Na opinião dos analistas da XTB Latam, a oferta exportável de petróleo caracteriza-se por uma forte concentração em poucos países a nível global.
De fato, a Rússia, o Canadá e os Estados Unidos respondem por 46,3% do volume exportado considerado.
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E, com os Emirados Árabes Unidos, o acumulado sobe para 56,3%, “o que confirma um padrão de alta concentração no primeiro quartil” da lista.
Entretanto, a demanda importadora continua ainda mais concentrada nos grandes polos de consumo global.
China, Estados Unidos e Índia concentram 52,2% do total importado considerado.
Já na América Latina e no Caribe, “a estrutura é marcadamente concentrada, com Brasil, México e Colômbia respondendo pela maior parte das exportações regionais, e com Brasil, Chile e Peru concentrando a maior parte das importações”.
O saldo regional está mais orientado para a exportação do que para a importação, embora com heterogeneidade entre os países.
Principais exportadores na região

Em volume, o Brasil lidera com um total de 89,2 milhões de toneladas de petróleo exportadas, representando 44,2% do total regional até 2024, de acordo com um relatório da plataforma de investimentos XTB Latam.
Em seguida, aparecem o México, com 39,1 milhões de toneladas (19,4%); a Colômbia, com 25,4 milhões (12,6%); o Equador, com 18,6 milhões (9,2%), e a Guiana, com 16,6 milhões (8,2%).
A XTB Latam destaca que os cinco principais exportadores concentraram 93,6% do total, “o que indica que a oferta exportável regional depende de um grupo muito reduzido de produtores”.
Em seguida, aparecem outros mercados exportadores, como a Argentina, com 8,6 milhões (4,3%); Trinidad e Tobago, com 2,7 milhões (1,4%); Peru, com 971.723 (0,5%); e Guatemala, com 168.025 (0,1%).
“A presença de vários países com valores muito baixos ou próximos de zero sugere que, para fins analíticos, a leitura relevante se concentra no bloco líder e que os registros pequenos podem responder a operações pontuais, reexportações ou ruído estatístico em relação aos grandes fluxos”, diz o relatório.
Importadores de petróleo
Do lado das importações, a demanda externa também se concentra em poucos países.
De acordo com a XTB Latam, o Brasil é o principal importador, com 13,9 milhões de toneladas, representando 41,4% do total.
“O fato de o Brasil figurar simultaneamente como principal exportador e importador é consistente com um mercado onde coexistem exportações de certos tipos de petróleo bruto e necessidades de importação por mistura, qualidades ou configuração específica das refinarias, além de considerações logísticas e comerciais”, afirma o relatório.
Em seguida, vem o Chile, com 8,9 milhões (26,4%); e o Peru, com 6,5 milhões (19,1%);
“O trio Brasil, Chile e Peru representa 86,9% do total regional, o que aponta para uma demanda importadora concentrada em economias com alta dependência do petróleo externo ou com cadeias de refino que requerem abastecimento do exterior”, segundo a XTB Latam.
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Depois desses mercados, aparece o Uruguai, com 1,41 milhão (4,4%); e a República Dominicana, com 1,2 milhão (3,7%). Mais abaixo aparecem a Colômbia, com 736.285 (2,2%); a Nicarágua, com 684.473 (2%), e Santa Lúcia, com 141.822 (0,4%).
Preços disparados
A fraqueza do mercado acionário na quinta-feira coincidiu com uma forte alta do petróleo, impulsionada pela deterioração da segurança no Oriente Médio.
Os futuros do petróleo West Texas Intermediate ultrapassaram os US$ 81 por barril, o nível mais alto desde julho de 2024, enquanto o Brent avançou para mais de US$ 85.
A alta dos preços da energia reflete o crescente temor de que a guerra afete de forma prolongada os fluxos globais de petróleo, especialmente diante dos riscos enfrentados pelo estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do abastecimento mundial.
A tensão geopolítica se intensificou ao longo do dia, depois que o Irã lançou uma nova onda de ataques com mísseis e drones contra alvos em vários países do Golfo, incluindo Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar e Kuwait.
Um dos ataques atingiu uma refinaria no Bahrein, provocando um incêndio, enquanto também foram registradas explosões perto do aeroporto internacional de Abu Dhabi.
Ao mesmo tempo, Israel informou ter realizado uma nova rodada de bombardeios contra instalações militares e de inteligência em Teerã.
O conflito, que começou com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, já envolveu uma dúzia de países e alterou o tráfego marítimo e aéreo na região.









